COBERTURA ESPECIAL - Nuclear - Geopolítica

31 de Outubro, 2014 - 16:00 ( Brasília )

Armas nucleares voltam à pauta

Fatos recentes mostram que a desconfiança mútua está crescendo e várias pessoas voltam a pensar sobre a corrida armamentista nuclear.

Aleksandr Bratérski


Durante uma excursão para um bunker da Guerra Fria transformado em museu, um grupo de estudantes russos examinou um site de lançamento artificial. O simulador permite fazer um "lançamento nuclear." As crianças foram capazes de direcionar suas ogivas virtuais para qualquer país do mundo. A maioria dos estudantes escolheu os Estados Unidos.

Essa história, publicada nas redes sociais por um dos professores, cujo filho também participou da excursão, foi um choque para aqueles que consideram a ideia de uma guerra nuclear entre os Estados Unidos e a Rússia como uma relíquia esquecida no passado.

No entanto, a desconfiança mútua está crescendo e várias pessoas voltam a pensar sobre a corrida armamentista nuclear. 

"Não enfrentamos o uso de armas nucleares por muitos anos, desde 1945", disse o general aposentado Eugene Habiger, que foi o comandante do Comando Estratégico dos EUA. “Hoje, as pessoas nascidas depois de 1990 nunca se preocuparam com armas nucleares. Eles não viram armas nucleares na tela de radar, nunca se esconderam embaixo da mesa. Eles têm outras prioridades, outras preocupações.”

As autoridades de ambos os lados do Atlântico estão dispostas a tornar a nova guerra nuclear uma questão de importância. Em julho passado, os Estados Unidos acusaram a Rússia de violar o Tratado de Forças Nucleares de Alcance Intermediário, conhecido como Tratado INF, assinado por Mikhail Gorbachev e Ronald Reagan em 1987. O acordo previa a eliminação dos mísseis balísticos e de cruzeiro, nucleares ou convencionais, cujo alcance estivesse entre 500 km e 5.500 km.

De acordo com os Estados Unidos, a Rússia violou o acordo lançando um míssil de cruzeiro. Em resposta, a Rússia declarou que foram os Estados Unidos que violaram o acordo, testando um sistema de defesa aérea que destrói mísseis balísticos.

Em meados de setembro, o vice-secretário dos Estados Unidos para Segurança Internacional e Controle de Armas, Rose Gottemoeller, visitou Moscou para participar de uma reunião bilateral para discutir as violações do tratado, no entanto, nenhum dos lados ficou satisfeito com as negociações.

Funcionário do Departamento de Estado dos EUA que trabalhou na administração de Reagan e que ajudou a negociar o tratado INF, Frank Ordan chamou o documento de "pedra angular do controle moderno de armas russas". Além disso, muitos princípios e termos do tratado INF foram realizadas no Tratado de Redução de Armas Estratégicas START.

“Se houver problemas ou violações do INF, o mundo deve entender que o tratado START também será violado”, diz Orban. “As violações do tratado INF, assinado em 1987, são extremamente perigosas", completou.

No entanto, a maioria dos russos não sabem o que é o tratado de 1987.
 

Mais armas

Em conformidade com o acordo de INF, a URSS destruiu 1.752 mísseis e desativou 845 lançadores. Os Estado Unidos desmantelaram 850 mísseis e outros 283 lançadores.

No entano, podem aparecer novas armas para substituir esses. O vice-primeiro-ministro da Rússia, Dmítri Rogôzin, responsável pelo complexo militar-industrial russo, anunciou recentemente que o país está acelerando o desenvolvimento de suas capacidades de dissuasão nuclear. O projeto será concluído até 2020.

No início de outubro, o Departamento de Estado dos EUA declarou que, pela primeira vez na história, a Rússia ultrapassou os Estados Unidos no número de ogivas nucleares (link).

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