18 de Fevereiro, 2014 - 15:15 ( Brasília )

Nova doutrina da Marinha de Guerra da Rússia


Ilia Kramnik

O navio polivalente de desembarque Vladivostok, tipo Mistral, poderá contar com uma base naval já no outono de 2015, devendo as obras ser concluídas até aos finais de 2017. A primeira viga do futuro atracadouro para esse navio de vanguarda foi instalada em 11 de fevereiro na angra Uliss em Vladivostok.

Uma abordagem nova

A falta de infraestruturas modernas tem sido um flagelo das Forças Navais russas desde os tempos precedentes à Revolução de Outubro. As instalações de manutenção técnica precárias, localizadas em Vladivostok e Port-Artur, tinham agravado a situação no decurso da Guerra Russo-Nipónica.

Os problemas idênticos complicavam a atividade da Marinha na zona transpolar no período da Segunda Guerra Mundial. Nos tempos da Guerra Fria, as Forças Navais soviéticas também careciam de infraestruturas de manutenção convenientes. Uma acentuada falta de docas flutuantes, atracadouros bem equipados e sistemas costeiros de energia eléctrica fazia com que muitos navios em ancoradouro gastassem em vão seus recursos preciosos.

Hoje em dia, o processo de modernização das instalações no Oceano Pacífico iniciou na base naval em Vilyuchinsk à qual, ainda este ano, deverá atracar o primeiro porta-mísseis do projecto 955 – o Alexander Nevsky.

Na cidade de Vladivostok, em que a base naval ocupa um lugar de destaque, antes da cúpula da APEC (Cooperação Económica Ásia-Pacífico), foram reconstruídos praticamente todos os atracadouros e modernizados os demais elementos da infraestrutura local, desde os armazéns até às casernas.

Uma nova abordagem relativa à criação de novas infraestruturas deverá assegurar:

1.? Maior tempo de passagem do navio no alto mar.

2.? Aumento do período de serviço de navios e a redução substancial do seu desgaste.

3. ? Melhoria da preparação de tripulantes que serão isentos dos trabalhos administrativos durante a estadia, podendo dedicar mais tempo ao ensino e repouso.

4.? Aceleração dos preparativos para eventuais ações militares.

Criação de bases de apoio alternativas

Para além das bases principais (em Vladivostok e Vilyuchinsk), no Extremo Oriente, nomeadamente, nas regiões de Primorie, na ilha de Sacalina e nas Curilhas, estão sendo instalados postos de apoio alternativos. Deste modo, a Rússia terá ao seu dispor uma infra-estrutura sólida no caso de uma guerra hipotética, por exemplo, pela parte sul do arquipélago das Curilhas.

Assim sendo, a modernização das bases permitirá não só elevar a eficácia das ações da Esquadra do Oceano Pacífico, mas também receber os reforços da Esquadra do Norte pela Rota Marítima do Norte.

O restabelecimento de Esquadras alternativas também se afigura como um factor importante. Tal medida irá proporcionar manobras distantes, privadas de apoio de bases navais estrangeiras.

Atualmente, prossegue a construção de novos navios de apoio logístico, de carga e de transportes. Pode-se esperar que, com a entrada em serviço de novas belonaves oceânicas, a Esquadra do Oceano Pacífico possa atuar com êxito nos espaços marítimos longínquos.

O vaso de guerra Vladivostok será posto em serviço em 2015 e o seu congénere – Sevastopol – em 2017.

 

Os fatos citados e as opiniões expressas são de responsabilidade do autor.
Texto/ tradução: Voz da Rússia