COBERTURA ESPECIAL - LAAD 2017 - Defesa

10 de Abril, 2017 - 20:00 ( Brasília )

Clima de virada na LAAD 2017

A feira supera expectativas com boas perspectivas nos projetos estratégicos e em todos os setores da Base Industrial de Defesa (BID)



Pedro Paulo Rezende
Especial para DefesaNet

 
Rio de Janeiro — A LAAD 2017 fecha em clima de virada. O ministro da Defesa, Raul Jungmann, garantiu a manutenção dos programas prioritários das Forças Armadas brasileiras, apesar de um contingenciamento de R$ 4 bilhões do orçamento da pasta. O secretário de Produtos de Defesa, Flávio Basílio, conseguiu a abertura de linhas de financiamento do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e a abertura de um painel dentro da Câmara de Comércio Exterior (CAMEX), órgão que rege a política de exportação do país. Estas medidas trouxeram otimismo a um setor afetado por anos de cortes nos projetos militares.

As expectativas também são positivas em relação aos três programas de reequipamento mais estratégicos para a indústria de defesa brasileira. O desenvolvimento do avião de transporte EMBRAER KC-390, o projeto nacional com maiores possibilidades de exportação, está dentro do cronograma e perto de entrar em fabricação. A construção do submarino nuclear brasileiro (SNBR) entra em uma nova fase com a entrega dos vasos e outros componentes do reator.

Em julho de 2018, a Marinha receberá o primeiro dos quatro submarinos convencionais da classe Scorpène BR contratados pelo Programa de Desenvolvimento de Submarinos (PROSUB). Por último, o avião de combate Gripen E/F tem uma data prevista para o primeiro voo: junho próximo. Por sua vez, o Sistema Integrado de Monitoramento de Fronteiras (SISFRON) será estendido e suas informações poderão ser compartilhadas com os países vizinhos.

EMBRAER KC-390

A EMBRAER Defesa e Segurança está confiante no futuro do KC-390. Segundo o presidente da empresa, Jackson Schneider, o mercado potencial por ano, na primeira etapa de comercialização, poderá ultrapassar US$ 1,5 bilhão entre clientes militares e civis. Os dois primeiros KC-390 de série já se encontram em processo de montagem e serão entregues em 2018 à Força Aérea Brasileira (FAB), que participou do desenvolvimento da aeronave, — um no primeiro e outro no segundo semestre.

Em 2019, o Comando de Aeronáutica, que encomendou 28 aviões, receberá três aparelhos. Uma fonte da empresa revelou que a cadeia de suprimento, que inclui empresas da América do Sul, dos Estados Unidos e da Europa, provou sua confiabilidade entregando os componentes dentro do prazo.

Além da FAB, a EMBRAER recebeu 32 cartas de intenção de compra e está em conversação com mais de dez países que manifestaram interesse no KC-390. A empresa mantém contatos com cerca de dez países de todos os continentes e o primeiro contrato pode ser assinado até o fim do ano. Jackson Schneider

Até o momento, os dois protótipos acumularam quase mil horas de voo em todas as condições climáticas e operacionais. Faltam apenas os testes em condições de neve e na Amazônia para fechar o pacote. O índice de disponibilidade ultrapassou todas as expectativas e atingiu 90%, superior a aeronaves civis consagradas, como o Boeing B737.

De acordo com uma fonte da EMBRAER, o KC-390 mostrou um desempenho superior ao esperado. Em condições de decolagem curta, o aparelho teve uma velocidade ascensional 2,7% melhor que a projetada. Nos ensaios de reabastecimento em voo, os caças não tiveram dificuldade de manter a posição, prova de que o desenho é muito limpo e gera pouca turbulência em sua esteira.

O sistema de controle de voo e o Fly by Wire foram completamente projetados pela empresa brasileira:

— Foi a primeira vez que realizamos toda a tarefa e o resultado foi completamente satisfatório — disse Paulo Gastão Silva, coordenador do projeto KC-390.

Outro ponto importante, segundo Gastão, é que a linha de produção foi validada ao longo do processo:

— Até o momento, fabricamos dois protótipos e dois corpos de provas para ensaios em solo e os ajustes necessários foram mínimos. Agora, estamos prontos para colocar mais dois exemplares em produção.

Durante a LAAD, Jackson Schneider elogiou diversas vezes a nova linha de financiamento às exportações da área de defesa do BNDES. Em realidade, a inexistência deste mecanismo diminuía a competitividade dos produtos da Base Industrial de Defesa. As empresas eram obrigadas a conseguir cartas de crédito junto aos bancos estatais ou estrangeiros, com seguros caros e grandes exigências de garantia adicionais.

Além disto, o Brasil é um dos poucos países do mundo que exporta impostos estaduais e municipais. As novas regras zeram o jogo e permitem que o país dispute, em condições de igualdade, mercados com produtos estrangeiros.

Além do pedido de 28 aeronaves para a Força Aérea Brasileira, a Embraer tem 32 cartas de intenção de compra e está em conversação com mais de dez países que manifestaram interesse no KC-390. O produto foi apresentado em Farnboroungh, no Reino Unido, em 2016 e deve participar nos próximos meses da feira de Le Bourget, na França. As duas feiras estão entre as mais importantes do segmento de aviação.

SAAB Gripen

Mikael Franzén, chefe da unidade de negócios Gripen Brasil na SAAB, revelou que a primeira aeronave contratada pelo Brasil será entregue para a Força Aérea Brasileira em 2019, logo depois do recebimento da primeira célula para o cliente sueco. A fábrica de Linköping já iniciou a montagem dos dois caças. Ele também anunciou que a EMBRAER Defesa e Segurança já iniciou o desenvolvimento da versão biposto (Suécia) no Centro de Projetos e Desenvolvimento do Gripen (GDDN – Gripen Design and Development Network).

Segundo o executivo, os sistemas de controle de voo e de combate do Gripen E/F estão completamente desenvolvidos:

— Provamos que é extremamente simples incluir novas capacidades de combate em nossas simulações. Mudanças que antes levavam meses, agora são feitas em dias, dentro do que esperávamos.

No Gripen E/F os sistemas de controle de voo e de combate são tratados separadamente para facilitar a instalação de upgrades.

— Temos dois tipos de sistemas operacionais, um trabalhando em um nível mais complexo (o de combate) e outro em um nível mais leve (o de controle de voo). Desta maneira, podemos instalar novas capacidades sem interferir no controle de voo. O software se comportou como esperado — afirmou.

Franzén garantiu que os testes com o radar RAVEN, fabricado pela Leonardo (ex-SELEX Gallileo), estão dentro do previsto e que as unidades serão entregues a tempo para equipar as próximas unidades. Ele estima que o Gripen E/F poderá atingir o estágio operacional inicial (IOC) entre 2019 e 2023.
Atualmente, cerca de 150 engenheiros brasileiros estão participando de treinamentos teóricos e práticos na fábrica da SAAB, na Suécia. Mais de 30 profissionais já retornaram ao Brasil e a maioria está trabalhando no GDDN. Mais de 350 brasileiros irão participar no programa de transferência de tecnologia. Serão mais de 60 projetos, com duração de até 24 meses.

Marinha

A montagem final do primeiro dos quatro submarinos da classe Scorpène BR, o S-40 Riachuelo, é um passo importante para inserir o Brasil no mercado internacional, estimado em 40 unidades. Segundo o ministro Raul Jungmann, há, inclusive, a possibilidade de se vender uma das unidades contratadas e se construir um quinto submarino para substituí-lo, mantendo aberta a linha de produção de Itaguaí.

Em relação ao Projeto SNBR, o comandante da Marinha, almirante-de-esquadra Eduardo Bacellar Leal Ferreira, disse para DefesaNet que, até 2023, o Reator Multipropósito Brasileiro (RMB) poderá entrar em operação no Centro Experimental Aramar:

— Nosso maior desafio é o desenvolvimento do sistema de controle do reator, que garantirá a segurança operacional do equipamento — destacou. — Devemos iniciar estes trabalhos em breve.

O RMB servirá como um protótipo localizado em terra da planta que equipará o Álvaro Alberto, o primeiro submarino de ataque de propulsão nuclear da Marinha do Brasil. Segundo o almirante Leal Ferreira, ainda será necessário assegurar os recursos necessários para construir o prédio que abrigará o reator, projetado para uso dual (poderá ser empregado na geração de energia para cidades de médio porte).

O comandante da Marinha ressaltou os avanços do programa nuclear que conduziu o país à autossuficiência na produção de urânio enriquecido e de isótopos para uso médico e de pesquisa, mas destacou que os principais componentes do RMB já estão prontos e necessitam apenas de um prédio para que sejam montados.


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