23 de Abril, 2014 - 13:20 ( Brasília )

Inteligência

Espionagem - Rússia tenta remontar a Orquestra Vermelha

A Orquestra Vermelha (Rote Kapelle), rede de espionagem soviética, montada na Alemanha, antes da II Guerra Mundial, que abasteceu o Kremlin com preciosas informações sobre os planos militares alemães naquele conflito.

Com base em artigo do Die Welt – 20 ABR 14
 
O Chefe do Escritório Federal para a Proteção da Consttuição, nome do serviço de contra espionagem da Alemanha (Bundesamt für Verfassungsschutz - BfV), adverte que o serviço de inteligência externa russa(SVR), corteja altos-funcionários do governo e  assessores de políticos alemães . Os indivíduos-alvos muitas vezes reagem de modo ingênuo. Nota DefesaNet: A Alemanha tem o BND (Bundesnachrichtendienst), Agência Federal de Inteligência para ações no exterior.
 
O governo de Moscou está em confronto político com o Ocidente e intensificou as ações de espionagem. " A ação do serviço de inteligência na Alemanha é tão importante quanto para o russo ", diz o chefe do Serviço Federal de Proteção da Constituição (BfV), Hans -Georg Maassen .

De acordo com a autoridade, as ações do Serviço de Inteligência Exterior (SVR), da Rússia, focam em recrutar professores e membros da academia,  políticos alemães, membros de departamentos do governo que tratam com  informações confidenciais. "Os agentes russos analisam, em detalhe, quem pode ser interessante para eles", diz o chefe da contra-espionagem alemã Burkhard. Disfarçados como funcionários normais da equipes diplomáticas das embaixadas da Federação da Rússia no estrangeiro, os  membros do SVR procuram estabelecer amizade com as pessoas-alvo .

"Abastecimento Semi- aberto" (Halboffene Beschaffung) é o nome dadado pelo BfV a esta forma de espionagem. Os membros do BfV estão preocupados que os agentes russos intensifiquem seus esforços no Bundestag (parlamento Alemão). A BfV assume que até um terço dos funcionários da Embaixada russa trabalham com ações de inteligência.

Russos pagam pela comida e dão presentes

Os agentes não usam seus nomes verdadeiros como regra. Eles são especificamente preparados para estabelecer contatos com as pessoas-alvo. Sua abordagem são sempre a mesma : O contato é feito e testam para ver se a pessoa-alvo tem informações úteis sobre a política energética ou detalhes e contatos em grandes empresas privadas da OTAN ou da União Européia.

Sob pretexto então reuniões regulares são realizados. De acordo com as conclusões dos agentes da contra-espionagem alemã, os contatos são feitos em restaurantes, bares e cafés - mas não nas imediações da embaixada russa. Dinheiro entra  apenas indiretamente.

A parte russa vai pagar alimentos e bebidas, por vezes, trazem presentes .O espanto dos agentes da contra-espionagem alemães é a ingenuidade das pessoas visadas: mostram-se completamente surpresos quando descobrem que eles se deixaram envolver  por agentes estrangeiros. Reuniões conspiratórias com serviços estrangeiros são puníveis na República Federal.

Mas a ofensiva de Moscou, nestes dias da crise da Ucrânia/Criméia é executada, aparentemente, não só com ações de inteligência, mas também com meios de propaganda. Esta  acusação é feita contra o historiador Alexander Rahr . "o Sr. Rahr opera na Alemanha como uma espécie de agente de influência do Kremlin", diz o eurodeputado, do Partido Verde, Werner Schulz.

Ele propaga a estratégia do presidente Putin para estabelecer a Rússia como uma grande potência estratégica, pois como especialista em assuntos  russos, é diretor do Fórum Alemanha-Rússia e coordena o Diálogo do Futuro, localizado em São Petersburgo,  Rahr teve inúmeras aparições nas televisões  ARD e ZDF.

Para o deputado Elmar Brok, esses fóruns de discussão "não devem ser prejudicados por pessoas como Rahr".
 
Nota DefesaNet – A Alemanha junto como Brasil foram os países líderes da campanha “Anti-NSA”. O Governo Merkel inclusive realizou sobrevoo, para efeitos publicitários, da embaixada americana em Berlim, com o intuito de identificar antenas e sistemas pretensamente usados pelos americanos para espionar o governo alemão.

Sobre a própria Chanceler alemã pairam suspeitas de ter sido membro da rede de Markus Wolf, membro da STASI. Wolf criou uma rede de espionagem em homens e mulheres, especialmente, que atraiam seus alvos e os tornavam informantes através dos prazeres do sexo.
 
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