COBERTURA ESPECIAL - Embraer - Defesa

04 de Fevereiro, 2014 - 20:00 ( Brasília )

Embraer sobe 18 posições em ranking de venda de serviços militares

Estudo de instituto sueco coloca empresa brasileira na 66ª posição. EUA dominam lista das 100 mais, com 42 companhias.

Um estudo de um instituto sueco divulgado anualmente coloca a Embraer na 66ª posição de um ranking com as cem empresas que mais vendem armas e serviços militares no mundo. A empresa brasileira aparece 18 posições à frente do levantamento anterior.

Os dados, referentes a 2012, fazem parte do relatório do Instituto Internacional de Pesquisa da Paz de Estocolmo (Sipri, na sigla em inglês). As vendas de armas se referem a equipamentos militares e serviços fornecidos para as Forças Armadas e ministérios da Defesa ao redor do globo.

Segundo o instituto, a Embraer vendeu US$ 1 bilhão em armas e/ou serviços em 2012 – 17% do faturamento total da empresa de aviação no ano. Ela é a única companhia do América do Sul no ranking. Em 2011, o total de vendas foi de US$ 860 milhões.

“Fora das regiões produtoras de armas tradicionais, um desenvolvimento notável em 2012 foi o (...) da indústria de armas do Brasil, com um aumento na venda de armas da Embraer em 36% em termos reais”, diz o relatório.

Crescimento

A Embraer informa que em 2013 a participação da área de "Defesa & Segurança" deverá ficar próxima de 20% do faturamento total da empresa. Os dados devem ser divulgados oficialmente no fim do mês.

"Este avanço no ranking do Sipri reflete o crescimento da área de Defesa & Segurança da Embraer, tanto no mercado brasileiro como no internacional. Alguns exemplos deste avanço estão na conquista de importantes contratos como a venda de aviões de combate Super Tucano para a Força Aérea dos Estados Unidos; o programa Labgene, que desenvolverá um Laboratório de Geração de Energia Núcleo-Elétrica para a Marinha do Brasil; e a implantação da primeira fase do Sisfron (Sistema de Monitoramento Integrado das Fronteiras) para o Exército Brasileiro", informa a Embraer, por meio de nota.

A empresa diz ainda que, além de aeronaves militares, a área da defesa oferece uma linha de soluções integradas que inclui sistemas de informação e comunicação, centro de comando, controle, computação e inteligência, tecnologias de ponta na produção de radares e sensoriamento remoto e veículos aéreos não tripulados (os vants). "Importante ressaltar que a linha de produtos da Embraer Defesa & Segurança está voltada para os segmentos de mobilidade e monitoramento e que a empresa não comercializa armamentos (munições, mísseis, foguetes, granadas etc)", informa a nota, enviada ao G1.

Levantamento

No total, as cem empresas listadas somam US$ 395 bilhões em vendas de armas e serviços militares em 2012 – uma queda de 4% em relação a 2011.

Das cem companhias da lista, 42 são dos EUA. A primeira do ranking é a Lockheed Martin (que tem 120 mil funcionários e cujas vendas atingem US$ 36 bilhões). Na segunda posição está a Boeing (que conta com 174 mil empregados e possui um faturamento de US$ 27,6 bilhões com armas militares). Ambas são norte-americanas.

Alguns países, como Polônia e Ucrânia, aparecem pela primeira vez na lista, após uma consolidação rápida da indústria armamentista local. Já as empresas chinesas não são listadas no ranking por falta de divulgação de dados.

O relatório do Sipri lembra que a indústria mundial de armas tem sido associada a escândalos de corrupção e que muitas das empresas incluídas no top 100 têm sido alvo de investigações e até processos judiciais. “Nos países onde as medidas de austeridade resultaram numa diminuição das vendas domésticas, a pressão sobre essas empresas para garantir a exportação dos produtos por qualquer meio necessário aumentou”, diz o estudo.