COBERTURA ESPECIAL - Ecos - Guerras, Conflitos, Ações - Armas

10 de Setembro, 2013 - 12:01 ( Brasília )

IMBEL - Regime militar criou companhia em 1975


O governo militar criou a Imbel em 1975 com o objetivo de preparar o país para um conflito armado. A empresa tinha de estar pronta para fornecer armamentos, munição e explosivos para o caso de uma ação de guerra do Exército em território nacional ou estrangeiro. "Essa era a função principal da Imbel, estar preparada para uma demanda de mobilização militar", conta o coronel Alte Zylberberg.

Como essa demanda nunca ocorreu, a empresa se viu desde o início em um difícil equilíbrio: ter de manter uma equipe técnica trabalhando e fábricas operando mesmo com um volume de pedidos das Forças Armadas aquém do que seria preciso para justificar a estrutura.

A Imbel é formada por cinco fábricas. A mais antiga tem raiz em 1808, uma fábrica de pólvora fundada pelo príncipe regente, Dom João VI, na Lagoa Rodrigo de Freitas, no Rio. A produção foi transferida em 1824 para Magé (RJ), ainda em operação. As outras fábricas estão no Rio, Piquete (SP), Itajubá (MG) e Juiz de Fora (MG). A sede fica em Brasília. No portfólio estão fuzis e carabinas, pistolas, munições, explosivos, equipamentos de comunicação e sistemas de abrigos.

A unidade de Itajubá, que começou a funcionar em 1935, além de ser a maior em número de funcionários (cerca de 900) é responsável por aproximadamente 50% do faturamento do grupo. Somada à de Juiz de Fora, tem-se 70% da receita.

Para manter uma empresa estratégica como é uma indústria de armas que abastece as Forças Armadas, o Estado tem um custo, diz Zylberberg. Com a economia patinando nos 80, a situação da Imbel, que nunca fora fácil, degringolou.

"Às vezes, nem recursos para comprar matéria prima a Imbel tinha. Chegou um ponto que o endividamento era crescente, o TCU chegou até a acionar o presidente, que era civil, por não recolher tributos", lembra ele, dizendo que sem ninguém não era possível pagar salários. "Se fosse uma empresa privada, estaria num estado pré-falimentar. O passivo era muito maior do que o ativo. Se vendesse todo o patrimônio não pagava as dívidas. Eram dívidas trabalhistas, fundo de garantia", lembra o coronel. A certa altura, a empresa tinha um faturamento de R$ 35 milhões uma dívida de R$ 140 milhões.

A fábrica de Itajubá ajudou a manter a empresa em pé produzindo pistolas para o mercado dos EUA. As armas eram montadas e distribuídas pela Springfield. As tentativas de recuperação da empresa começaram nos anos 2000, com renegociações da dívida, mudanças na gestão, reforço no orçamento da Defesa e aportes federais para modernização das fábricas.

Hoje, cerca de 56% da produção vai para as Forças Armadas; 15% para polícias; e 29% para mercado civil, como mineradoras [caso de explosivos] e empresas de segurança. (MMS)