COBERTURA ESPECIAL - Cyberwar - Inteligência

18 de Abril, 2014 - 10:43 ( Brasília )

Snowden e Putin Direct Line - Português



Nota DefesaNet

Recomendamos ler a transcrição divulgada pelo site oficial da Presidência russa Kremlin.ru., em inglês.

Snowden e Putin - Direct Line Link

O Editor


Por Steve Gutterman e Alessandra Prentice

MOSCOU, 17 Abr (Reuters) - O ex-agente de inteligência norte-americano Edward Snowden, hoje asilado na Rússia, fez na quinta-feira perguntas ao presidente russo, Vladimir Putin, durante uma entrevista pela TV com perguntas do público.

Até onde se sabe, esse foi o primeiro contato direto entre Putin e Snowden desde que a Rússia concedeu asilo ao norte-americano, que fugiu dos EUA em meados de 2013, ao revelar que a Agência de Segurança Nacional do seu país armazenava dados sobre comunicações telefônicas e digitais de milhões de cidadãos.

Snowden não estava no estúdio onde Putin recebia perguntas do público. Ele apresentou sua pergunta por vídeo, mas não ficou claro se falava ao vivo ou se o material havia sido pré-gravado.

Ele vestia paletó e camisa com colarinho aberto, diante de um fundo escuro. Sua primeira pergunta a Putin foi: "A Rússia intercepta, armazena ou analisa de alguma forma as comunicações de milhões de indivíduos?"

Depois, quis saber se Putin considera que o aperfeiçoamento de investigações justifica "colocar sociedades... sob vigilância".

A fala de Snowden foi em inglês, e Putin teve de pedir ajuda do apresentador para traduzir.

O presidente, ex-espião soviético, causou risos no estúdio quando disse: "Você é um ex-agente. Eu costumava ter ligações com a inteligência." Respondendo às perguntas, Putin afirmou que a Rússia regulamenta as comunicações como parte de investigações criminais, mas "numa escala maciça, numa escala descontrolada, nós certamente não permitimos isso, e espero que nunca permitamos".

Segundo ele, as autoridades russas dependem de autorização judicial para realizar esse tipo de vigilância sobre indivíduos específicos, e "por essa razão não existe (vigilância) com caráter maciço aqui, e não pode haver, segundo a lei".

Com esse diálogo, Putin pôde mostrar uma Rússia menos intrusiva que os EUA na vida dos seus cidadãos, e Snowden conseguiu sugerir que está preocupado com as práticas de vigilância não só em seu país de origem, mas também em outros países -inclusive no que lhe dá abrigo.

A recusa de Putin em entregar Snowden aos EUA para ser julgado por espionagem contribuiu para abalar as relações entre Washington e Moscou. O asilo foi concedido por pelo menos um ano.