COBERTURA ESPECIAL - Cyberwar - Inteligência

18 de Outubro, 2013 - 09:52 ( Brasília )

Dados da NSA ajudaram drones a matar terroristas

Segundo o "Washington Post", informações fruto de espionagem eletrônica são usadas em ataques de aviões não tripulados

Greg Miller, Mlie Tafe e Barton Gellmam 
WASHINGTON POST 
 
Era um inocente e-mail, um dos milhões enviados diariamente por donas de casa com informa-ções sobre o dia a dia. Mas esse era de particular interesse para a Agência de Segurança Nacional (NSA, na sigla em inglês) e continha indicações que colocaram o marido na rede de eventuais alvos de um drone da CIA. 
 
Dias mais tarde, Hassan Ghul - ligado a Osama bin Laden, cujas informações cruciais ajudaram a CIA a encontrar o líder da Al-Qaeda - foi morto pelo ataque de um drone na zona tribal do Paquistão. O governo dos EUA nunca admitiu a eliminação de Ghul. 
 
Entretanto, documentos fornecidos ao Washington Post por Edward Snowden, ex-técnico contratado da NSA, confirmam sua morte em outubro de 2012 e revelam o considerável envolvimento da agência no programa de assassinatos - elemento fundamental da estratégia do presidente Barack Obama na guerra contra o terrorismo. 
 
Agente da Al-Qaeda, Ghul trabalhou como emissário do grupo no Iraque, no ápice da guerra. Capturado em 2004, contribuiu para revelar a rede de mensageiros de Bin Laden antes de passar dois anos em uma prisão secreta da CIA. Então, em 2006, os EUA o devolveram ao Paquistão, onde foi solto e se integrou novamente na Al- Qaeda. 
 
Mas, além de fornecer os dados que faltavam sobre o destino de Ghul, os documentos tra-çam o relato mais detalhado da intrincada colaboração entre a CIA e a NSA na campanha dos drones. O Post omite diversos detalhes dessas missões a pedido das autoridades da inteligência americana, que temem eventuais danos às operações atualmente em curso e à segurança nacional. 
 
Na busca de alvos, a NSA criou uma rede de vigilância que se estende sobre dezenas de quilômetros quadrados no noroeste do Paquistão. No caso de Ghul, a agência usou um arsenal de instrumentos de espionagem cibernética, de forma a garantir o controle de laptops, arquivos de áudio e outras mensagens, e acompanhar as trans-missões de rádio para descobrir onde Ghul poderia se esconder. 
 
De acordo com um documento, o e-mail da mulher de Ghul continha detalhes suficientes para confirmar as coordenadas da casa. "Essa informação per-mitiu montar a operação".