COBERTURA ESPECIAL - Brasil - EUA - Geopolítica

18 de Junho, 2014 - 15:51 ( Brasília )

VP Joe BIDEN Íntegra Pronunciamento


VP Joe Biden
PRONUNCIAMENTO DO VICE-PRESIDENTE
À IMPRENSA NA EMBAIXADA DOS EUA

17 Junho 2014
Brasília, Brasil
Texto em inglês Link

 

VICE-PRESIDENTE JOE BIDEN : É bom estar de volta na Embaixada. Estou ansioso para conhecer a todos na Embaixada daqui a alguns momentos.

Vejam bem, antes de começar, em nome dos Estados Unidos, gostaria de estender minhas condolências pelas vítimas e destruição causadas pelas enchentes no Brasil. Conversei brevemente com a presidente acerca disso esta manhã, e nossos pensamentos e orações estão com o povo brasileiro e com aqueles que passam por esse sofrimento.

Quero agradecer – quero começar agradecendo a presidente e o vice-presidente pela hospitalidade e aconchego que dispenderam ao me acolher hoje. É bom ver ambos novamente. Não é minha primeira visita, e nos tornamos amigos e foi ótimo vê-los novamente. E como vocês já sabem, sempre desfrutei do tempo que passo com a presidente Dilma Rousseff. Nós nos damos muito bem e desfrutamos da companhia um do outro. E sempre aprendo alguma coisa quando estou com ela.

Mas antes de começar a falar sobre os diálogos que tivemos, gostaria que vocês soubessem o quanto estou ansioso – e tenho minha neta comigo, e meu sobrinho. Esta é a segunda viagem de minha neta à Embaixada e ao Brasil. Mas quando ela ouviu que eu viria à Copa do Mundo, por ser jogadora de futebol, insistiu e me disse: “Vovô, eu vou com você, okay?” (Risadas.) E foi ótimo – isso faz de mim um excelente avô, quero que vocês saibam disso agora. (Risadas.) Sou o avô favorito na família agora.

Mas passamos – nós três passamos momentos maravilhosos ontem à noite. Primeiramente, toda a conversa sobre o estádio – o estádio é lindo, absolutamente lindo. E cumpriu todas as expectativas. Mas devo dizer a vocês, estávamos ainda mais entusiasmados com relação ao que estava acontecendo no campo do que com o que aconteceu durante a construção do estádio.

Assistir aos Estados Unidos vencer na noite passada foi uma grande emoção para nós. E pudemos descer ao vestiário depois e pude rever alguns dos jogadores, especialmente nosso goleiro, que jogou de maneira incrível ontem à noite, pois eu o tinha visto na Copa do Mundo na África do Sul apenas quatro anos atrás. E tínhamos feito o compromisso de nos encontrarmos na próxima Copa do Mundo também. Ele provavelmente terá o mesmo emprego; não estou certo se terei o mesmo. (Risadas.) Mas nos divertimos imensamente.

E com relação ao que vimos até agora, o Brasil tem feito um trabalho incrível na preparação e execução desses jogos. E também gostaríamos – a presidente gostaria de ter trocado de lugar comigo, mas gostaríamos de demonstrar nosso enorme apoio ao Brasil e ao povo brasileiro por sediar estes jogos.

A presidente Dilma e eu tivemos uma longa conversa em particular. Nós nos encontramos sozinhos, falando sobre as perspectivas de como aproximar nossas nações ainda mais e o nosso povo ainda mais. Já existe uma enorme quantidade de benefício mútuo para nossos povos nas relações existentes. Já temos US$ 100 bilhões em relações comerciais; não existe motivo para que, com o tempo, isso não possa ser duplicado. Não existe motivo para que isso não continue a crescer.

Os Estados Unidos investem cerca de US$ 80 bilhões em investimento direto estrangeiro no Brasil, e mais de 25 mil estudantes brasileiros estão atualmente estudando em 200 universidades dos Estados Unidos em 46 estados. Nossos cientistas e engenheiros estão colaborando mutuamente acerca de uma série de questões técnicas, inclusive energia. E nossos diplomatas estão trabalhando em problemas regionais e globais conjuntamente.

Como evidência do quão intimamente ligados estamos, um dos membros de minha equipe afirmou ontem à noite – quando pediu uma cerveja Budweiser ao anfitrião e, vejam bem, disse: “Que bom que vocês têm uma cerveja americana aqui.” E o anfitrião respondeu: “Não, não, o Brasil é dono da Budweiser.” (Risadas.) Portanto, existem laços muito mais estreitos do que reconhecemos.

Porém, como Dilma e eu conversamos, houve – conversamos sobre o muito mais que podemos fazer juntos. Somos duas democracias fortes e diversas, com um povo generoso e empreendedor. O fato é que – estava dizendo a ela sobre uma das conversas que tive com Lee Kuan Yew em Singapura e sobre como as nações do futuro que irão liderar o mundo são aquelas nações com populações diversas que estão plenamente integradas e que são sociedades abertas. E quanto a isso, temos uma clara convergência de valores com o Brasil, e nenhum conflito de interesse evidente com o Brasil.

E por isso há um potencial muito grande para o fortalecimento desta parceria, e isso se refletiu em nossa conversa de hoje. E como qualquer parceiro global, começamos a conversa hoje com um longo debate sobre a situação no Iraque. Conversamos longamente sobre nossos interesses comuns em ver um país estável, um Iraque unido, um Iraque democrático, um Iraque que continua a dar uma contribuição ainda maior para a oferta mundial de energia a fim de estabilizar os mercados ao redor do mundo, e – tivemos uma longa discussão sobre o Iraque.

E também falamos, como parceiros fazem, sobre a Venezuela e nosso interesse mútuo em trazer uma maior inclusão política, estabilidade e, francamente, a proteção dos direitos humanos básicos. Discutimos o trabalho que o Brasil e outros parceiros regionais já têm feito para encontrar uma solução. Discutimos como ela e eu tínhamos falado no Chile e – a posse do presidente, e como surgiu a noção de que iríamos iniciar um processo, incluindo o Vaticano no processo. Nós conversamos sobre como ele tem de ir além de onde essas negociações estão agora, para que possamos apresentar aos povos de ambos os nossos países alguns progressos na área da Venezuela.

Também falamos sobre nosso relacionamento de ser capaz de apresentar resultados à população de ambos os nossos países sobre questões econômicas, questões energéticas e laços pessoais. Discutimos o esforço comum que temos para proteger e garantir a internet. Essa não é uma ferramenta de repressão do governo; é de propriedade dos povos do mundo. E há – esta é uma área em que o Brasil demonstrou uma liderança importante, e nós discutimos como podemos continuar a cooperar.

Claro, nós também – e eu tenho certeza que isso é o que a maioria de vocês está aqui para descobrir – discutimos – programas de vigilância dos Estados Unidos que foram divulgados no ano passado. Eu sei que o assunto interessa muito às pessoas aqui; francamente, isso importa muito para o povo dos Estados Unidos também. E a presidente Dilma Rousseff e eu tivemos a oportunidade de ter uma conversa franca sobre isso, e eu disse a ela o que ela já sabia – que o presidente Obama ordenou uma revisão imediata depois que soubemos das divulgações. E com base em suas instruções, fizemos mudanças reais em nosso processo, e estamos adotando uma nova abordagem com relação a essas questões.

Em janeiro passado, os Estados Unidos anunciaram reformas importantes, incluindo a aplicação de muitas das mesmas proteções de privacidade que são concedidas conforme previstas em nossa Constituição ao povo do nosso país, aos cidadãos do mundo. E manteremos uma estreita consulta com nossos amigos e parceiros como o Brasil conforme o andamento das coisas.

E, finalmente, tive o prazer de anunciar que os Estados Unidos estão elaborando um projeto especial para desclassificar e compartilhar com a Comissão Nacional da Verdade do Brasil documentos que lançam luz sobre 21 anos de ditadura militar no Brasil, que é obviamente de grande interesse para a presidente. E hoje foi entregue um lote inicial desses documentos ao governo brasileiro. E espero que, tomando medidas para lidar com o passado, podemos encontrar uma maneira de concentrar maior atenção na imensa promessa do futuro.

Porque quando se trata de Estados Unidos e Brasil e nosso relacionamento, o céu é literalmente o limite do que podemos alcançar juntos. E podemos fazê-lo para beneficiar imensamente os dois povos, e, francamente, todo o continente e o mundo nas próximas décadas.

Antes de concluir, gostaria de dizer uma palavra sobre o Iraque, também. Nós temos – o governo dos Estados Unidos tem trabalhado para apoiar o governo iraquiano e todas as comunidades do Iraque em sua luta comum contra essa traiçoeira ameaça de terror chamada Isil. Estamos em estreita consulta – e eu estive no telefone com seus líderes também durante a semana passada – estamos em estreita consulta com uma gama completa de líderes do Iraque em um caminho político inclusivo a seguir, mesmo enquanto prestamos assistência às forças de segurança do Iraque.

Uma assistência urgente é claramente necessária. Mas precisamos também ajudar o Iraque a desenvolver a capacidade para enfrentar as ameaças a longo prazo. E isso vai exigir deixar de lado o sectarismo, lidar com queixas legítimas, criar uma força de segurança inclusiva e garantir que todas as comunidades vivam juntas e tenham suas vozes ouvidas. Isso é particularmente importante agora, e a oportunidade existe na formação do governo depois de a Suprema Corte do Iraque confirmar os resultados das eleições creio que ontem.

A conclusão aqui é que os iraquianos têm de se reunir e se unir a fim de derrotar esse inimigo, e depois passar para a construção de um futuro melhor para os iraquianos – todos os iraquianos. E nós vamos ajudá-los nesse esforço.

Muito obrigado a todos, e estou ansioso para ver todas as pessoas na Embaixada. Obrigado. (Aplausos.)