COBERTURA ESPECIAL - Base Industrial Defesa

17 de Setembro, 2014 - 19:47 ( Brasília )

COPAC - Entrevista Brig Crepaldi Affonso

Entrevista com o Brigadeiro-do--Ar José Augusto Crepaldi Affonso, presidente da Comissão Coordenadora do Programa Aeronave de Combate (COPAC)


por Valéria Rossi
Informe ABIMDE

 
A COPAC (Comissão Coordenadora do Programa Aeronave de Combate) nasceu em 1981 para acompanhar e gerenciar o programa binacional (Brasil e Itália), o AM-X, que alavancou a indústria aeroespacial brasileira para a produção conjunta do caça A-1, atualmente em operação nas Forças Aéreas Brasileira e Italiana. Com o passar do tempo, a comissão foi assumindo outras missões e, hoje, é responsável pelo gerenciamento de mais de 20 projetos de aquisição, desenvolvimento e modernização de sistemas de defesa para a Força Aérea Brasileira (FAB).

Segundo o Brigadeiro-do--Ar José Augusto Crepaldi Affonso, presidente da COPAC, a comissão é um grande escritório de aquisição no sentido mais amplo da palavra, não apenas relacionado ao ato de comprar algo, mas sim à obtenção e incorporação de capacidades estratégicas, o que se traduz na aquisição de sistemas de defesa complexos. Ele ressalta que, hoje, estão sob a responsabilidade da COPAC projetos como FX-2, P-3, H-XBR, KC-390, KC-X2, modernização das aeronaves A-1, F-5 e E-99, desenvolvimento de mísseis ar-ar em parceria com a África do Sul (A-Darter), entre outros. Em entrevista ao INFORME ABIMDE, o Brigadeiro Crepaldi fala sobre as outras tarefas, desafios e expectativas dessa comissão que congrega e gerencia os grandes projetos estratégicos da Força Aérea Brasileira.

INFORME ABIMDE — Há quanto tempo o senhor está à frente da COPAC?

 Brigadeiro-do-Ar José Augusto Crepaldi Affonso —
Assumi a Presidência da Comissão Coordenadora do Programa Aeronave de Combate (COPAC) em abril de 2013.

IA — Como funciona a Comissão?

Brigadeiro Crepaldi —
A COPAC nasceu em 1981 para acompanhar e gerenciar o programa AM-X - programa binacional com a Itália, que tanto alavancou a indústria aeroespacial brasileira - para a produção conjunta do caça A-1, atualmente em operação na Força Aérea Brasileira e Italiana. Hoje, a COPAC teve sua atuação bastante ampliada, sendo responsável pelo gerenciamento de mais de 20 projetos de aquisição, desenvolvimento e modernização de sistemas de defesa para a Força Aérea Brasileira (FAB).

A COPAC está localizada em Brasília e está funcionalmente subordinada ao Departamento de Ciência e Tecnologia Aeroespacial (DCTA). Somos um grande escritório de aquisição no sentido mais amplo da palavra, não apenas relacionado ao ato de comprar algo, mas sim à obtenção e incorporação de capacidades estratégicas, o que se traduz na aquisição de sistemas de defesa complexos. A COPAC exerce uma mescla de atividades englobando processos de seleção de sistemas complexos, negociação e gestão de contratos e acordos de compensação e gerenciamento de grandes projetos, para falar das mais evidentes.

Estas atividades são norteadas por uma diretriz do Comando da Aeronáutica (COMAER), a DCA 400-6, c e orienta a gestão de todo o vida dos sistemas e s Aeronáutica. E importante lembrar que as aeronaves operadas pela FAB têm expectativa de voar cerca de 30 anos, às vezes  mais. Isso significa que o processo de obtenção das capacidades desejadas deve levar em conta não apenas o custo de aquisição, mas também os aspectos relacionados à maturidade tecnológica, capacidade industrial, suporte à operação, obsolescência, entre outros.
 
Em função da natureza de suas atividades, a COPAC atua matricialmente, relacionando-se com todos os órgãos da FAB sob a coordenação do EMAER (Estado-Maior da Aeronáutica). É o EMAER que define os requisitos dos diversos sistemas de defesa a serem adquiridos ou modernizados pela entidade. Portanto, é a esse órgão que a COPAC se reporta no que diz respeito ao gerenciamento dos diversos projetos sob sua responsabilidade, sempre sob a liderança do Comandante da Aeronáutica.

IA — A COPAC tem um papel importante nos programas estratégicos da FAB, como isso funciona?

Brigadeiro Crepaldi —
Os diversos programas estratégicos da FAB visam dotar a Força de novas capacidades fundamentais para que cumpra sua missão constitucional, que é, de forma sintética, a garantia da soberania do espaço aéreo brasileiro. Vários desses projetos envolvem a aquisição, desenvolvimento ou modernização de sistemas de defesa. E natural, portanto, que muitos projetos estratégicos estejam a cargo da COPAC.

Hoje, estão sob a nossa responsabilidade os Projetos F-X2, P-3BR, H-XBR, KC-390, KC-X2, de modernização das aeronaves A-1, F-5 e E-99, de desenvolvimento de mísseis ar-ar em parceria com a África do Sul (A-Darter), além de outros projetos estratégicos já planejados e ainda não iniciados que, certamente, terão nossa participação. Todos estão sendo conduzidos pela COPAC de acordo com as diretrizes superiores citadas anteriormente, sempre coordenados pelo Estado-Maior da Aeronáutica.

IA — Como a COPAC se relaciona com a indústria nacional?  Nossa indústria consegue atender todas as necessidades das Forças?

Brigadeiro Crepaldi —
A Força Aérea Brasileira, desde suas origens, teve grande influência no desenvolvimento de tecnologia nacional. O Marechal Montenegro (Marechal-do-Ar Casimiro Montenegro Filho), quando fundou o ITA e o CTA, na década de 1950, já tinha em mente a busca de capacitação do País na área aeroespacial, começando com o forte estímulo à formação de recursos humanos de alto nível e à criação de institutos de pesquisa que fomentassem esse desenvolvimento.

Foi no Instituto de Pesquisas e Desenvolvimento (IPD), um dos institutos do CTA, que nasceu o projeto Bandeirante, concebido e conduzido por militares e civis da FAB e que foi a semente da criação da Embraer. Graças à persistência dos sucessores do Marechal Montenegro, hoje o Brasil possui um setor industrial aeroespacial respeitado mundialmente. Podemos citar muitas empresas, como a Embraer, a AVIBRAS, a MECTRON, a HELIBRAS, bem como os diversos fornecedores de bens e serviços que colaboram decisivamente para a consolidação da indústria nacional.
 
Mas, respondendo de forma completa à sua pergunta, ainda não é possível suprir todas as necessidades da FAB apenas com produtos nacionais. O alto nível de investimento necessário para dominar algumas tecnologias torna esse objetivo muito difícil de ser alcançado no curto prazo. Citando apenas um exemplo, não há como termos, hoje, aeronaves dotadas de turbinas nacionais. Entretanto, sempre que possível, a FAB busca associar as inevitáveis aquisições internacionais a acordos de offset que Brasil parte da tecnologia relacionada aos sistemas mais avançados. E, com isso, dar oportunidade às indústrias nacionais de absorverem tecnologia e se modernizarem, criando negócios sustentáveis e, assim, gerando e mantendo empregos e renda no País.

IA — Como o senhor avalia a capacidade de desenvolvimento, inovação e entrega da indústria nacional?

Brigadeiro Crepaldi — Sem dúvida temos visto progressos impressionantes  nas últimas décadas, mas ainda há muito a fazer. Hoje, temos uma indústria aeronáutica de ponta, capaz de colocar seus produtos em operação nos cinco continentes do globo. O maior exemplo é, sem dúvida, a EMBRAER, cuja aviação comercial é sucesso mundial e que tem aumentado também seu portfólio de produtos de defesa. É sempre bom destacar que o sucesso da EMBRAER no setor comercial tem forte relação com os projetos de defesa que o governo brasileiro incentivou ao longo da história da empresa.

As tecnologias e processos desenvolvidos nos projetos militares permitiram à companhia dar saltos de qualidade, aumentando sua competitividade e, consequentemente, sua participação no mercado mundial. É o que se pretende fazer mais uma vez com o Projeto KC-390, o maior e mais complexo avião já desenvolvido no Brasil, que deverá colocar nossa indústria aeronáutica num patamar ainda mais alto no cenário global. O grande desafio é prosseguir no adensamento da cadeia produtiva, fortalecendo os fornecedores locais da Embraer e, se possível, permitindo que eles também tenham condições de competir no mercado internacional.

IA — Qual o caminho que o senhor sugere para que as empresas brasileiras consigam vender mais o seu produto dentro do Pais?

Brigadeiro Crepaldi - Sem dúvida temos visto progressos impressionantes nas últimas décadas, mas ainda há muito a fazer. Hoje temos uma  indústria aeronáutica de ponta, capaz de colocar seus produtos em operação nos cinco continentes do globo. O maior exemplo é, sem dúvida, a EMBRAER, cuja aviação comercial é sucesso mundial e que tem aumentado também seu portfólio de produtos de defesa. É sempre bom destacar que o sucesso da EMBRAER no setor comercial tem forte relação com os projetos de defesa, que o governo brasileiro incentivou ao longo da história da empresa.

As tecnologias e processos desenvolvidos nos projetos miliotares permitiram á companhia dar saltos de qualidade, aumentado sua competitividade e, consequentemente, sua participação no mercado mundial.

É o que pretende fazer mais uma vez com o Projeto KC-390, o maior e mais complexo avião já desenvolvido no Brasil, que deverá colocar nossa indústria num patamar ainda mais alto no cenário global. O grande desafio é prosseguir no adensamento da cadeia produtiva, fortalecendo os fornecedores locais da EMBRAER e, se possível permitindo que eles também tenham condições de competir no mercado mundial.
 
IA – Qual o caminho que o senhor sugere para as empresas brasileiras consigam vender o seu produto dentro do país?

Bri. Crepaldi –
Indústrias de defesa são, no mundo inteiro, extremamente dependentes dos programas governamentais. Por essa razão, penso que devemos considerar dois aspectos.

O primeiro diz respeito ao esforço que tem sido feito para dar ao Brasil uma estrutura de defesa apropriada com suas dimensões territoriais e crescente importância política e econômica. Isto é um grande desafio num País que não tem problemas com seus vizinhos nem perspectiva de qualquer conflito bélico em seu horizonte. Mas a defesa de um país não pode ser considerada importante apenas em tempo de guerra. Ao contrário, é importante fortalecer nossa capacidade de defesa em tempos de paz para que, em função dos efeitos dissuasórios, esta paz seja efetiva e longa. Isto se traduz na necessidade de investimentos governamentais consistentes, para que se atinja e para que se mantenha a capacidade de defesa condizente com a relevância do Brasil.

O segundo aspecto está relacionado a uma visão de sobrevivência das empresas no longo prazo, nos casos em que os projetos governamentais sofram restrições orçamentárias. É importante que as companhias se capacitem para competir no mercado internacional e, assim, diminuírem um pouco sua dependência do governo brasileiro. Isso também deve ser feito por meio do domínio das chamadas tecnologias duais, com aplicações civis e militares, que ampliam as possibilidades de mercado. Obvia-mente são passos que devem ser dados em conjunto com governo e empresas, com incentivos e estímulos devidamente discutidos com a sociedade, demonstrando a importância do fortalecimento da indústria de defesa, grande impulsionadora do desenvolvimento científico e tecnológico de qualquer país do mundo.

IA - Como o senhor avalia a escolha do Gripen? Existem ainda algumas críticas que dizem que o Gripen é uma aeronave em desenvolvimento.

Brigadeiro Crepaldi - O processo de seleção do Projeto F-X2 considerou em seu escopo o ciclo de vida da aeronave, apreciando desde a necessidade operacional, a confrontação desta com os requisitos estabelecidos, o seu emprego, a avaliação operacional, a sua oportuna modernização ou revitalização até a sua desativação, bem como riscos e o fomento da indústria nacional. Vale ressaltar que profissionais especializados apreciaram as áreas técnico-operacional, logística, industrial, comercial, riscos e contrapartidas (offset) de forma independente, evitando qualquer composição de resultado.

A aeronave Gripen NG apresentou a melhor avaliação, conforme relatório técnico emitido pela COPAC, em janeiro de 2010, sendo este um instrumento de assessoramento ao governo brasileiro. A decisão, divulgada em dezembro de 2013 pelo governo nacional, ratifica o posicionamento técnico, político e econômico demandado pelo projeto. O Gripen NG, por ser uma aeronave em desenvolvimento, apresenta duas faces que foram devidamente consideradas: o risco e a oportunidade. O risco se traduz nas dificuldades normais no desenvolvimento de um projeto estratégico e complexo, apesar do conhecimento comprovado da empresa SAAB no mercado aeronáutico, inclusive nas versões A/B e C/D da própria aeronave Gripen. Porém, ressalta-se a oportunidade da indústria nacional de adquirir conhecimento e, principalmente, de aplicá-lo na fabricação da aeronave Gripen NG.

IA - O que o senhor destacaria no Gripen em relação aos demais concorrentes que estiveram no processo de seleção?

Brigadeiro Crepaldi - Todas as ofertantes cumpriram as necessidades requeridas nas áreas técnico-operacional e contrapartidas (offset) do certame.
 No entanto, em consonância com a emissão da Estratégia Nacional de Defesa, vislumbrou-se a oportunidade de aplicar o conceito de transferência de tecnologia e cooperação industrial, especialmente no domínio das tecnologias necessárias para a produção de um caça brasileiro e da manutenção do ciclo de vida no País.
 
Outro fator a ressaltar é o custo de operação da aeronave. Com uma concepção de operação de custo reduzido, o Gripen NG apresenta baixo custo de ciclo de vida para aeronaves de caça de sua categoria. Desta forma, os cenários de desenvolvimento conjunto e de custo de operação reduzido destacaram-se como diferenciais na oferta da SAAB.

IA - Como está o projeto KC-390? A FAB tem a expectativa de realizar o primeiro voo em outubro deste ano. Podemos esperar isso?

Brigadeiro Crepaldi - Sem dúvida este é um projeto que tem alcançado enorme repercussão nacional e internacional. É o maior e mais avançado avião já produzido por nossa indústria aeronáutica. Continuamos trabalhando para termos o voo em 2014, perseguindo a meta planejada de primeiro voo em outubro. Os desafios para manter o cronograma em dia num projeto desta magnitude são enormes, mas a FAB, a Embraer e as demais empresas envolvidas estão em esforço máximo, confiantes de que teremos sucesso. Será uma conquista para todos os brasileiros.

IA - A FAB suspendeu, no ano passado, o processo da contratação para o projeto KC-X2, isso será retomado em 2014?

Brigadeiro Crepaldi - O projeto foi temporariamente suspenso em novembro de 2013 devido às restrições orçamentárias impostas. A COPAC manteve a gerência executiva do projeto ativada e está em condições de dar continuidade ao processo de contratação, contudo, até o momento, não existe uma determinação do Estado-Maior da Aeronáutica para que ele seja retomado.

IA — A COPAC também está envolvida no projeto H-XBR? O senhor poderia falar um pouco sobre ele? Esse proje-to reúne pela primeira vez as três Forças Armadas, o que isso representa para o País?

Brigadeiro Crepaldi — O Projeto H-XBR é um empreendimento de grande vulto do Ministério da Defesa, coordenado e executado pelo COMAER, que tem por objetivo principal fomentar a indústria de asas rotativas no Brasil, possibilitando o desenvolvimento completo de um helicóptero nacional a partir de 2020.
 
Essa visão estratégica de longo prazo já traz resultados no curto prazo, possibilitando atualizar a frota de asas rotativas das três Forças Armadas com helicópteros de médio porte modernos e adequados ao cenário latino--americano. Nesse contexto, serão fornecidos 50 Helicópteros EC-725, além de apoio logístico inicial e três treinadores de voo. Para isso, estão envolvidas na fabricação desses helicópteros, como subcontratadas ou beneficiárias da transferência de tecnologia, um total de 12 empresas nacionais.

A fabricação das aeronaves teve o seu início na França e prossegue no Brasil com um gradativo acréscimo de nacionalização da produção. Desses helicópteros, 16 serão destinados à Força Aérea Brasileira, 16 ao Exército Brasileiro, 16 à Marinha do Brasil e dois ao Comando da Aeronáutica para atender a Presidência da República.

Também são beneficiadas duas instituições de ensino de nível superior, com vistas ao aprofundamento dos estudos voltados às tecnologias aplicadas ao projeto, por meio da capacitação de recursos humanos em pesquisa e desenvolvimento no campo da aviação de asas rotativas.

IA — Sobre o projeto P-3BR, o senhor poderia falar como está? E qual a sua importância para vigiar nossas águas marítimas?

Brigadeiro Crepaldi — O projeto P-3BR teve como principal objeto a revitalização e modernização, pela Empresa Airbus D.S, de nove aeronaves P-3A ORION, que se destinam prioritariamente ao cumprimento das missões Antissubmarino, Patrulha Marítima, Busca e Salvamento (SAR) e Controle Aéreo Avançado. Todas as nove aeronaves já foram entregues à FAB, com lotes de entrega que se iniciaram no ano de 2011, e se encerraram recentemente, em julho de 2014.

As novas aeronaves modernizadas no escopo do Projeto P-3BR, equipadas com modernos sensores embarcados e armamentos, colocam a Aviação de Patrulha do Brasil entre as mais bem equipadas dentro do cenário mundial, propiciando a devida capacitação do cumprimento de suas missões atribuídas, principalmente no controle e vigilância de toda nossa área marítima, com seus recursos naturais associados, bem como prover a capacidade SAR na imensa área oceânica de responsabilidade do Brasil.

IA — Quanto à modernização do AMX e do F-5, qual o status dos projetos?

Brigadeiro Crepaldi — A modernização das aeronaves A-1 (anteriormente denominada AMX) visa não só atualizar os sistemas originais, como também ampliar a capacidade operacional e de sobrevivência da aeronave em ambiente hostil. Visa ainda instalar um reforço estrutural na junção asa-fuselagem, que permitirá ampliar a vida útil do avião. Com a modernização dos A-1, a FAB vai poder operá-los até 2032.

Merece especial destaque a produção nacional, pela empresa AEL Sistemas, de equipamentos eletroeletrônicos a serem embarcados na aeronave A-1M, sendo criadas as condições no País para o domínio de tecnologias altamente sofisticadas, de difícil ou demorada geração interna. Com o novo sistema aviônico do A-1 modernizado, o piloto terá um grande número de informações disponíveis simultaneamente, que lhe permitirão avaliar melhor o ambiente situacional.

Atualmente, encontra-se na linha de produção da Embraer, em Gavião Peixoto, um total de 22 aeronaves. O primeiro protótipo, monoposto, realizou o primeiro voo em junho de 2012. O segundo protótipo, biposto, realizou o primeiro voo em dezembro de 2013. Duas aeronaves de série modernizadas já foram entregues ao Comando da Aeronáutica, com previsão de entrega da terceira em agosto de 2014.

O projeto F-5BR se divide em dois lotes, sendo o primeiro deles de 46 aeronaves do acervo da própria Força Aérea Brasileira, e o segundo, um lote de 11 aeronaves adquiridas da Jordânia, que passarão pelos mesmos procedimentos de modernização, deixando-as em configurações idênticas às das aeronaves operadas pela FAB até o momento.

O primeiro lote de 46 aeronaves F-5 foi completamente modernizado e recebido pela FAB. As aeronaves estão em operação desde outubro de 2005, sendo hoje o principal vetor utilizado na defesa aérea do Brasil. A modernização dos F-5 da FAB aumentou a capacidade operacional das aeronaves, que agora incorporam sensores de guerra eletrônica, telas multifuncionais, sistemas modernos de voo por instrumento, capacidades de autodefesa e, principalmente, uma ampliada gama de armamentos utilizados, tornando-a apta a participar dos cenários mais atuais de combate aéreo.

O segundo lote encontra-se em processo de modernização, com a previsão de recebimento da primeira aeronave biposto modernizada no próximo mês de outubro, o que permitirá ampliar a capacidade de formação dos pilotos de caça da FAB por ser um tipo de aeronave muito utilizada em treinamentos. Ainda serão entregues mais duas aeronaves bipostos no decorrer do ano de 2015. As demais aeronaves deverão ser incorporadas ao acervo da FAB a partir de 2016.

IA — Quais programas de offset Os desafios para o fortalecimento do tão em andamento atualmente?

Brigadeiro Crepaldi — Atualmente, a COPAC possui 16 Acordos de Compensação Comercial, Industrial e Tecnológica (Offset) em vigor, totalizando um valor de cerca de R$ 11 bilhões, relacionados a 12 projetos distintos (F-5BR, VC-X, CL-X, P-3BR, H-XBR, AM-X, VANT, E-99M, LINK-BR2, KC-390, VU-Y e CL-X2), tendo sido o primeiro acordo assinado em 2001, no âmbito do Projeto de Modernização das Aeronaves F-5 da Aeronáutica.

Para o acompanhamento e execução de 148 projetos de compensação previstos nos 16 acordos em andamento na COPAC, mantemos relacionamento com diversos países, entre eles a França, Espanha, Alemanha, Noruega, Suécia, Israel e Estados Unidos. Até o momento, já reconhecemos e certificamos os benefícios implementados nas instituições e indústrias brasileiras  no valor de cerca de R$ 3,1 bilhões em atividades de compensação.
 
IA — Quais as expectativas da COPAC para 2014? E quais os passos futuros?

Brigadeiro Crepaldi — O ano de 2014 tem sido muito intenso para a COPAC. Estão em andamento as negociações para a celebração dos contratos relativos ao Projeto F-X2 com a SAAB e com o governo sueco. Foram assinados os contratos de aquisição das novas aeronaves de inspeção em voo, das aeronaves de série para transporte e reabastecimento em voo KC-390 e dos C-295 SAR para busca e salvamento.
 
Também estão em andamento outros projetos importantes, como o desenvolvimento de um veículo aéreo não-tripulado nacional para as três Forças Armadas. Como já mencionamos, temos a expectativa do voo inaugural do KC-390 em 2014, o que será um marco importantíssimo. Nossas responsabilidades continuam aumentando. Enfim, a expectativa é a de sempre, um ano com muito trabalho e muitas realizações.
 
IA — Como o senhor avalia a participação da ABIMDE junto aos programas da FAB?
Brigadeiro Crepaldi —
Na minha opinião, a ABIMDE tem um papel fundamental neste cenário das indústrias de defesa no Brasil. Os desafios para o fortalecimento do setor jamais serão superados se não houver uma coordenação conjunta para garantir não apenas uma interlocução qualificada com os órgãos governamentais, mas também para criar um ambiente propício para troca de experiências, estímulo a parcerias, fomento conjunto ao desenvolvimento de tecnologias, contato com o meio científico etc.

O nível de tecnologia exigido para o desenvolvimento e produção de sistemas de defesa é dos mais elevados que existem. Em função do volume de recursos envolvidos e dos enormes desafios de obtenção de tecnologias sensíveis, muitas sob claro bloqueio internacional, é evidente que ações isoladas estarão condenadas ao insucesso.

Portanto, a ABIMDE contribui decisivamente para que tenhamos um setor industrial de defesa forte e competitivo, apoiando os esforços não apenas da Força Aérea, mas de todas as forças armadas e órgãos de segurança do Brasil. Não haverá país verdadeiramente soberano sem Forças Armadas capazes de proteger os interesses nacionais. E não há, no mundo, Forças Armadas respeitadas que não tenham forte apoio na indústria de defesa de seus países.
 
IA— O senhor gostaria de acrescentar alguma outra questão?
Brigadeiro Crepaldi — Gostaria apenas de registrar que o trabalho realizado pela COPAC só é possível graças à visão estratégica de nossos antecessores e à confiança em nós depositada por nossos superiores, bem como à seriedade dos homens e mulheres, militares e civis que se dedicam diuturnamente às intensas atividades que desenvolvemos.
 
A COPAC é reconhecida pelos diversos órgãos governamentais e indústrias de defesa do mundo como uma instituição que prima pela transparência, pelo correto emprego dos recursos públicos e pela busca incessante de soluções para os mais complexos desafios que surgem nos processos de aquisição dos sistemas de defesa para a FAB. E isso é feito sem perder de vista a importância do fortalecimento da indústria nacional, vocação que faz parte da própria essência da FAB desde a sua criação.



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