COBERTURA ESPECIAL - Argentina - Naval

23 de Novembro, 2017 - 09:00 ( Brasília )

Aeronave P-3AM nas buscas por submarino argentino

Avião de patrulha é operado pelo Esquadrão Orungan, sediado em Salvador (BA)

Ten Emília Maria

A aeronave P-3AM Orion, do Esquadrão Orungan, sediado em Salvador (BA), realizou nesta terça-feira (21/11), a primeira missão de busca ao submarino ARA San Juan que está desaparecido desde a última quarta-feira (15/11), com 44 tripulantes.

O avião - um quadrimotor de patrulha marítima de longa distância - aguardava em Porto Alegre (RS) o engajamento nas buscas e decolou às 20h diretamente para a área designada pela Marinha Argentina, realizando oito horas de operação.

"O P-3 é plenamente equipado para fazer busca e guerra antissubmarino. Como estamos tratando da busca de um submarino, nada mais lógico do que colocarmos uma aeronave equipada para a localização desses meios", explica o Comandante do Comando de Operações Aeroespaciais (COMAE), Tenente-Brigadeiro do Ar Carlos Vuyk de Aquino.



Os dados coletados pelos tripulantes do P-3AM estão em análise e a aeronave deve ser empregada novamente na noite de hoje (22/11), com decolagem prevista para 21h a partir de Mar del Plata. Cada missão está envolvendo 19 militares a bordo da aeronave.

O P-3AM possui um dos mais modernos sistemas para identificação por radar e dispõe do mecanismo Forward Looking Infra-Red (FLIR), que complementa as informações dos tráfegos marítimos, fornecendo imagens nítidas e claras mesmo no período noturno.

Também nesta quarta-feira, a outra aeronave da FAB disponibilizada para a missão, o SC-105 Amazonas, realiza o terceiro dia de buscas, com decolagem às 13h e previsão de oito horas de operação.

Marinha argentina diz que não há sinal do submarino

A Marinha argentina afirmou nesta quarta-feira (22/11) que as equipes internacionais de busca ainda não encontraram "nenhum rastro" do submarino ARA San Juan, desaparecido há uma semana com 44 tripulantes a bordo.

As buscas entraram numa fase crítica, uma vez que a embarcação possui reservas de oxigênio com duração prevista de apenas sete dias.

O porta-voz da Marinha, Enrique Balbi, desmentiu informações de que sinais haviam sido detectados durante a noite. "No momento não temos nenhum rastro do submarino", afirmou. "Continuamos na fase crítica quanto ao oxigênio."

Em torno de 30 embarcações e aviões da Argentina, do Brasil, dos Estados Unidos, do Reino Unido e do Chile vasculham uma enorme área no Atlântico Sul, a mais de 300 quilômetros da costa argentina. As operações envolvem cerca de 4 mil pessoas.

As aeronaves percorreram uma área de 500 mil quilômetros quadrados, mas os navios e barcos ainda não conseguiram cobrir toda a região de busca.

"Não descartamos nenhuma hipótese", afirmou o porta-voz. Ao ser perguntado se a embarcação poderia ter explodido, ele afirmou que "uma explosão dessa magnitude seria ouvida por um hidrofone no fundo do mar ou por qualquer submarino no Atlântico Sul".

Um sinal sonoro e sinais de luz que haviam sido registrados nas últimas horas na zona de buscas acabaram sendo descartados. A tripulação de um navio inglês reportou ter visto luzes de sinalizadores de emergência na região. Embarcações com sonares foram enviadas ao local, além de um avião antissubmarinos P-8 dos Estados Unidos, mas não houve nenhum registro de imagens térmicas.

Um avião antissubmarinos P-3 do Brasil realizou diversos voos em baixa altitude – a 300 metros de altura – para detectar possíveis anomalias magnéticas, mas depois de várias tentativas não conseguiu fazer nenhum registro.

O porta-voz disse que, apesar de todos os meios empregados, "não houve nenhum tipo de contato que se supusesse ser do submarino".

As famílias dos tripulantes estão reunidas numa base militar em Mar del Plata, de onde estão sendo coordenadas as buscas.

¹com Deutsche Welle

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