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18 de Março, 2022 - 09:00 ( Brasília )

US-RU-OTAN: Ilusões russas sobre Ocidente acabaram, diz Lavrov


A Rússia perdeu todas as ilusões sobre confiar no Ocidente e Moscou nunca aceitará uma visão do mundo dominada pelos Estados Unidos, que buscam agir como um xerife global, disse nesta sexta-feira o ministro das Relações Exteriores da Rússia, Sergei Lavrov.

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O Conselho de Segurança da ONU não votará mais na sexta-feira um pedido elaborado pela Rússia para acesso à ajuda e proteção civil na Ucrânia, e o enviado da Rússia na ONU acusou os países ocidentais de uma campanha de "pressão sem precedentes" contra a medida.

Diplomatas disseram que a medida russa teria fracassado com a maioria do conselho de 15 membros provavelmente se abstendo de votar o projeto de resolução porque não abordou a responsabilidade ou reconheceu a invasão da Rússia ao país vizinho nem pressionou pelo fim dos combates ou retirada das tropas russas.

"Vários colegas de muitas delegações nos falam sobre pressões sem precedentes de parceiros ocidentais, que seus braços estão sendo torcidos, incluindo chantagens e ameaças", disse o embaixador russo na ONU, Vassily Nebenzia, nesta quinta-feira.

Falando em uma reunião do conselho sobre a situação humanitária da Ucrânia, Nebenzia afirmou: "Entendemos como é difícil para esses países resistir a esse tipo de ataque".

A embaixadora dos EUA nas Nações Unidas, Linda Thomas-Greenfield, disse à Reuters após a reunião: "As únicas pessoas que fazem torção de braço por aqui são os russos e eles precisam fazê-lo se quiserem que alguém os apoie".

Nebenzia disse que a Rússia havia solicitado a reunião do conselho na sexta-feira - quando a votação foi agendada - para discutir "biolaboratórios dos EUA na Ucrânia usando os novos documentos que obtivemos durante a operação militar especial".

Putin acusa Ucrânia de "atrasar" as negociações¹

O presidente russo, Vladimir Putin, acusou a Ucrânia de "adiar" as negociações para acabar com o conflito e afirmou que as autoridades do país apresentam pedidos "que não são realistas", durante uma conversa com o chanceler alemão, Olaf Scholz.

"O regime de Kiev busca por todos os meios adiar o processo de negociações, apresentando propostas que não são realistas", afirmou o Kremlin em um comunicado que resume a conversa entre os dois governantes.

Dmitri Peskov, porta-voz da presidência russa, afirmou à imprensa que a conversa entre os dois foi "dura".

Também acrescentou que o presidente russo conversará com o chefe de Estado russo, Emmanuel Macron, durante a tarde de sexta-feira.

Peskov considerou prematuro falar sobre o acordo que os dois países podem alcançar. "Posso dizer que a delegação russa está mostrando vontade de trabalhar muito mais rápido do que está acontecendo neste momento (...) Infelizmente, a delegação ucraniana não está preparada para acelerar as negociações", disse.

A Rússia deseja negociar com a Ucrânia um status de neutralidade e desmilitarização.

As autoridades ucranianas, sem mencionar a neutralidade mas assumindo que não poderão aderir à OTAN, exigiram a escolha de países como 'fiadores' de sua segurança, responsável por sua defesa militar em caso de agressão.

A Ucrânia também exige a retirada das forças russas e o respeito de sua integridade territorial. A Rússia já reconheceu a independência de duas regiões separatistas do leste da Ucrânia e anexou a Crimeia há oito anos.

¹com AFP


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