COBERTURA ESPECIAL - US RU OTAN - Geopolítica

04 de Fevereiro, 2022 - 11:00 ( Brasília )

Rússia e China se unem para denunciar influência dos EUA na Europa e na Ásia


China e Rússia publicaram uma declaração conjunta nesta sexta-feira (4), criticando a influência americana e o papel das alianças militares ocidentais, OTAN e AUKUS, na Europa e na Ásia, considerando-as desestabilizadoras.

No documento, adotado durante o encontro entre o presidente russo, Vladimir Putin, e o presidente chinês, Xi Jinping, em Pequim, os dois países denunciaram "a influência negativa dos Estados Unidos para a estabilidade e para uma paz justa" no mundo. Ambos se opuseram a "qualquer ampliação futura da OTAN", a Organização do Tratado do Atlântico Norte, retomando a exigência de Moscou para que se possa desescalar a tensão com os países ocidentais sobre a Ucrânia.

Nesse sentido, China e Rússia pedem à "Aliança Atlântica que renuncie a seus pontos de vista ideológicos que datam da Guerra Fria". Rússia e China defendem a ideia de "indivisibilidade da segurança", na qual Moscou se baseia para pedir à OTAN que saia da sua zona de influência.

O Kremlin argumenta que a segurança de uns não pode ser alcançada em detrimento da segurança de outros. Os dois países também denunciaram a "influência negativa dos Estados Unidos na paz e na estabilidade da região Ásia-Pacífico". Manifestaram, ainda, sua "preocupação" com a criação em 2021 da aliança militar entre Estados Unidos, Reino Unido e Austrália, conhecida como AUKUS.

Para Putin e Xi, esta associação, concentrada, sobretudo, na fabricação de submarinos nucleares, "afeta questões de estabilidade estratégica". A criação da AUKUS foi criticada pela China, mas os Estados Unidos consideram-na uma prioridade para aprofundar sua presença na região e fazer um contrapeso à influência de Pequim. China e Rússia também assinaram vários acordos nesta sexta-feira, cujo valor não foi divulgado.

Um deles prevê o fornecimento de 100 milhões de toneladas de petróleo bruto russo para a China, via Cazaquistão, nos próximos dez anos.

Rússia reivindica apoio da China na disputa com Ocidente


A Rússia reivindicou, nesta quarta-feira (2), o apoio da China às suas exigências em matéria de segurança frente ao Ocidente, antes de um encontro dos presidentes Vladimir Putin e Xi Jinping na abertura dos Jogos Olímpicos.

O presidente russo se reunirá com seu homólogo chinês por ocasião da abertura dos Jogos Olímpicos de Inverno 2022, nesta sexta-feira (4), em Pequim. Segundo Moscou, os dois líderes pretendem destacar sua convergência diplomática, já que foram-se aproximando à medida que suas relações com os Estados Unidos se deterioram.

"Foi preparada uma declaração comum sobre a entrada das relações internacionais em uma nova era", disse Yuri Ushakov, conselheiro diplomático do presidente russo.

"Nela, encontraremos a visão comum de Rússia e China (...) principalmente em questões de segurança", acrescentou.

Ushakov garantiu que a China apoia as demandas de Moscou "em matéria de segurança" - uma lista de exigências dirigida aos Estados Unidos e à Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN) para aliviar as tensiones sobre a Ucrânia, rejeitada pelos ocidentais.

No final de janeiro, a China pediu, inclusive, que as demandas russas fossem "levadas a sério" e que se encontre uma "solução" para as preocupações de Moscou sobre sua segurança.

Putin espera uma 'solução'

Lideranças ocidentais acusam a Rússia de planejar uma invasão de seu vizinho pró-Ocidente, a Ucrânia, para cujas fronteiras deslocou cerca de 100.000 soldados há semanas.

A Rússia nega que tenha essa intenção, alegando que busca apenas garantir sua segurança. Moscou afirma que uma desescalada desta crise será possível apenas se isso significar o fim da política de ampliação da OTAN e, do mesmo modo, a retirada de suas capacidades militares da Europa Oriental.

Olhando-se em retrospecto, em 2008, durante os Jogos Olímpicos de Pequim, a Rússia entrou em guerra com a Geórgia, outra ex-república soviética pró-Ocidente.

Os Estados Unidos e seus aliados rejeitaram as exigências russas, mas Washington propôs trabalhar em medidas de confiança em matéria militar e de segurança.

Na terça-feira (1º), o presidente russo acusou o Ocidente de ignorar as preocupações de Moscou em termos de segurança, e os Estados Unidos, de usarem a Ucrânia para levar a Rússia ao conflito. Ainda assim, Putin também disse esperar "uma solução".

Na sequência destas declarações, os líderes dos países-membros da OTAN continuavam hoje os esforços diplomáticos na crise da Ucrânia.

O Ocidente alega que a Rússia ameaça a segurança da Europa, sobretudo, porque já anexou parte do território da Ucrânia, a Crimeia, em 2014 e, desde então, tem apoiado forças separatistas pró-russas armadas.

Por esse motivo, Washington defende que uma desescalada exige o retorno aos quartéis das unidades russas acampadas às portas da Ucrânia.

O secretário de Estado americano, Antony Blinken, conversou ontem, por telefone, com o ministro russo das Relações Exteriores, Serguei Lavrov. Segundo este último, Washington concordou em continuar o diálogo.

O jornal espanhol El País publicou detalhes da resposta dos EUA às demandas russas - que não foram desmentidos.

Nela, Washington propõe que os russos prometam não mobilizar meios militares ofensivos na Ucrânia, que Moscou inspecione certas infraestruturas militares alvo de sua preocupação e que ambos os países cheguem a um acordo sobre medidas de controle de armas.

Moscou ainda prepara uma resposta formal para os Estados Unidos.

Rússia e China dizem a OTAN para parar expansão, Moscou apoia Pequim sobre Taiwan

Rússia e China pediram nesta sexta-feira em uma declaração conjunta para a aliança militar ocidental Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN) interromper sua expansão, enquanto Moscou disse que apoiava plenamente a posição de Pequim sobre Taiwan e se opunha à independência de Taiwan em qualquer forma.

A declaração conjunta foi emitida durante a visita do presidente russo, Vladimir Putin, à China para os Jogos Olímpicos de Inverno.

Putin e o líder chinês, Xi Jinping, estão mantendo conversações e almoçando antes da cerimônia de abertura da Olimpíada de Inverno nesta sexta-feira.

 


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