COBERTURA ESPECIAL - TOAS - Geopolítica

12 de Novembro, 2020 - 12:10 ( Brasília )

Pesca Ilegal na América do Sul: pontos de atenção e dilemas

Um item praticamente desconhecido pela midia brasileira mas que tem movimentado a estratégia do continente, a Pesca Ilegal

 

Carlos Silva Júnior
Escola de Guerra Naval - EGN
Boletim Geocorrente
Núcleo de Avaliação da Conjuntura


Em agosto de 2020, uma frota pesqueira de 300 barcos de diversas bandeiras, sendo a maioria chinesa, pescava próximo a uma área de proteção ambiental e patrimônio mundial, as Ilhas Galápagos/Equador.

Esse caso atraiu o apoio da Guarda Costeira dos EUA à Marinha equatoriana para acompanhamento da situação.

Em outubro, essa mesma frota pesqueira preocupou as Marinhas peruana e chilena, também pela proximidade com suas Zonas Econômicas Exclusivas (ZEEs). Nesse sentido, os casos de pesca ilegal, não regulamentada e não reportada (INRNR) nas águas sul-americanas vêm representando um desafio para a manutenção da soberania dos países costeiros sobre suas ZEEs e seus recursos.

A atividade pesqueira possui um elevado potencial de desenvolvimento econômico na América do Sul bioceânica. Na costa Pacífica, as águas de baixa temperatura da corrente antártica de Humboldt favorecem a reprodução de fitoplânctons e zooplânctons, base da cadeia alimentar da vida marinha.

Na costa do sul do Brasil até a Argentina, as águas possuem uma fertilização natural provocada pela corrente das Malvinas que, embora apresentem produtividade inferior quando comparada à outra costa, possuem grande proliferação de crustáceos de alto valor comercial e espécies pelágicas.

Na costa Atlântica, a Argentina tem reportado e combatido essa prática ilegal próxima às suas águas territoriais, com maior presença de barcos chineses. Em outubro, houve uma operação conjunta da Marinha do Brasil (NPa Bocaina) e da França (patrouiller La Résolue) de combate a crimes transfronteiriços nas proximidades da foz do rio Oiapoque (Amapá) e das águas territoriais da Guiana Francesa, departamento ultramarino francês.

Nesta ação, foram apreendidas 7 toneladas de peixes obtidos através de pesca INRNR, sendo 500 kg do pescado detidos de um pesqueiro brasileiro.

A urgência do uso sustentável dos oceanos na agenda internacional insere a América do Sul em dois dilemas:

 

1) com a China, um dos principais investidores regionais, como participante dessa atividade ilegal e de amplo
impacto; e,

2) entre os países da região, diante do uso do porto de Montevidéu, no Uruguai, e Chimbote e Callao, no Peru, como bases logísticas por parte desses pesqueiros
.


Ademais, diante da cooperação entre entidades civis e comerciais; somada a recente declaração conjunta do Chile, Colômbia, Equador e Peru, no combate à pesca INRNR, é forçosa a elaboração de uma política marítima regional.

Tal postura mitigaria eventuais ameaças de caráter econômico, ambiental e humanitário, ampliando o escopo da integração regional sul-americana para além do território continental.



O Patrulheiro Oceânico ARA P51 "Bouchard" ao lado do pesqueiro chinês "HONG PU 16". Foto Armada Argentina


Matérias Relacionadas

 

ARGENTINA - Navio patrulha oceânico ARA “Bouchard” capturou barco de pesca chinês por pesca ilegal na ZEE
Maio 2020 DefesaNet

Guarda Costeira argentina afunda pesqueiro chinês
Março 2016 DefesaNet



VEJA MAIS



Outras coberturas especiais


Vant

Vant

Última atualização 27 OUT, 16:16

MAIS LIDAS

TOAS

1