RAC 2026 — Entre tradição e transformação: o futuro da aviação de combate brasileira. Em 22 Abril 2045 comemoramos os 100 Anos do dia Aviação de Caça e 65 anos do F-5 EM/FM em operação na FAB
Nelson During
Editor-Chefe DefesaNet
A edição de 2026 da Reunião de Aviação de Caça (RAC), realizada na Base Aérea de Santa Cruz, evidenciou de forma clara o momento de inflexão vivido pela Força Aérea Brasileira. Mais do que um encontro tradicional, o evento consolidou-se como um espaço crítico para alinhar expectativas, expor fragilidades e discutir os caminhos possíveis para o futuro da aviação de caça no Brasil.
Mantendo sua essência histórica, a RAC relembrou os feitos do 1º Grupo de Aviação de Caça (GAv) na Segunda Guerra Mundial, especialmente a heroica campanha nos céus da Itália — um legado que não apenas inspira, mas estrutura a identidade institucional da Força Aérea Brasileira até os dias atuais.
No entanto, o contraste entre passado e presente é inevitável. Nos bastidores, a combinação da experiência dos oficiais mais antigos com a visão dos jovens aviadores expõe, sem divergências, a profundidade da crise que atinge a aviação de caça: evasão de pilotos experientes para a aviação comercial, redução das horas de voo e queda na disponibilidade de aeronaves. Soma-se a isso a avançada obsolescência de parte significativa das plataformas atuais, cada vez mais incapazes de se adaptar às exigências da guerra aérea moderna e de cumprir plenamente o papel de instrumento de dissuasão por meio do poder aéreo. O resultado é uma erosão direta da prontidão operacional e da capacidade de formar novos pilotos de combate.
O programa do SAAB JAS 39 Gripen E/F permanece como o principal eixo de transformação. Ainda assim, atrasos, desafios técnicos inerentes ao desenvolvimento da aeronave e à integração de sistemas, além de incertezas no cronograma, continuam gerando apreensão. Soma-se a esse quadro a dependência de cadeias internacionais de suprimento, incluindo componentes sensíveis e armamentos — como mísseis de origem alemã — sujeitos a restrições e possíveis embargos, o que pode impactar diretamente a plena capacidade operacional da aeronave. A possível confirmação de um lote adicional de até 12 unidades é vista como medida essencial — ainda que insuficiente — para garantir uma estrutura mínima de três esquadrões de combate.
Paralelamente, avançam os estudos no Estado-Maior da Aeronáutica (EMA) para a aquisição de um vetor complementar. Diante da impossibilidade de avançar com a compra de F-16 Fighting Falcon usados e de SAAB JAS 39 Gripen C/D, ganham espaço alternativas como o Leonardo M-346FA, da Leonardo, e o KAI FA-50, da Korea Aerospace Industries — plataformas que oferecem maior disponibilidade e menor custo de aquisição e operação. Trata-se de um conceito já consagrado internacionalmente: a combinação de vetores de diferentes categorias, evitando a dependência de uma única plataforma de combate.


Korean Aerospace Industries KAI FA – 50
Outro ponto crítico debatido foi a possível extensão da vida útil dos Northrop F-5M até 2040. A hipótese é vista com preocupação pela comunidade de caça, diante dos riscos operacionais, das crescentes dificuldades logísticas e do impacto direto na credibilidade, na imagem e na capacidade de combate da FAB.
O cenário possível, em 22 Abril 2045 comemorarmos os 100 Anos do dia Aviação de Caça e 65 anos do F-5 EM/FM em operação na FAB. Em março deste ano noticiamos que a a FAB pensava em estender a operação do F5EM/FM até 2035 e em 45 dias extendem a vida operacional em mais 5 anos.
Nota DefesaNet
Leia o artigo abaixo:
“Voando no Limite: FAB Quer Levar o F-5M Até 2035 — Estratégia ou Risco Anunciado?”
A RAC 2026 deixou uma mensagem clara: o tempo de diagnósticos já passou. Entre tradição e transformação, a aviação de caça brasileira encontra-se em uma encruzilhada estratégica. As decisões que precisam ser tomadas não apenas definirão a capacidade de combate da FAB, mas também seu papel como instrumento real de dissuasão no cenário internacional.

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