Onze meses depois da captura de Maduro, o Brasil continua vulnerável a uma ação semelhante

No dia 03JAN2026 forças americanas lançam a Operação Resolução Absoluta (Operation Absolute Resolve). O Brasil teria capacidade mínima para defender a Capital Federal?
Na foto Caça Gripen em Missão de Alerta, Palácio do Alvorada, Caça F-35A após retorno da missão

Nelson During
Editor-Chefe DefesaNet

Logo após a captura do Presidente venezuelano Nicolás Maduro pelos Estados Unidos, Lula teria convocado o ministro da Defesa e os comandantes militares para perguntar se uma operação semelhante poderia ocorrer no Brasil. A resposta teria exposto vulnerabilidades conhecidas, mas ainda não enfrentadas: defesa antiaérea insuficiente, limitações na área de blindados, vigilância por drones deficiente e falta de meios para responder a uma operação militar conduzida por uma grande potência.

Passados onze meses, pouco mudou.

Com o aumento das tensões internacionais e o agravamento das relações com os Estados Unidos, o Brasil continua sem capacidades adequadas para proteger seu espaço aéreo, terrestre e marítimo diante de ameaças de maior envergadura.

Na segurança da capital federal, a situação é especialmente preocupante. Brasília não dispõe de sistemas modernos de defesa antiaérea de curta e média altura capazes de impedir a aproximação de helicópteros e aeronaves de assalto em uma operação de captura como a realizada em Caracas. Também não possui drones de vigilância e ataque nem uma estrutura plenamente integrada para detectar e responder a ameaças convencionais e assimétricas.

A capital ainda carece de um regimento blindado equipado com carros de combate sobre lagartas, como ocorre em diversas capitais estratégicas. Além disso, edifícios centrais do poder, incluindo o Palácio do Planalto e o Palácio da Alvorada, não contam com sistemas adequados de defesa antiaérea de ponto contra drones ou capazes de se proteger de grupos de assalto formado por Comandos.

Não se trata de falta de diagnóstico. As necessidades são conhecidas há anos e foram novamente expostas após a captura de Maduro. O problema é político: faltam recursos, prioridade e decisões. A burocracia apenas agrava uma omissão que já não pode ser tratada como simples atraso administrativo.

Hoje, a Marinha não tem condições de realizar esclarecimento marítimo para acompanhar e reconhecer as intenções de um grupo-tarefa que navegue no Atlântico Sul ou de aproxime da nossa costa. A Força Aérea está com apenas dez caças modernos, sem capacidade de vigilância e reconhecimento de longa distância.

O governo Lula 3 corre o risco de chegar ao fim sem ter lançado e contratado um único projeto estruturante capaz de ampliar significativamente as capacidades militares do país. Lula chegou a anunciar que iria criar uma parceria estratégica na área de defesa com a Turquia, mas a iniciativa não saiu do papel ou foi simplesmente um discurso eleitoreiro de soberania.

Imagem da Operação Resolução Absoluta (Operation Absolute Resolve) com helicópteros sobrevoando a região de Caracas. Foto DVIDS – American Forces

Enquanto o governo anuncia intenções, as vulnerabilidades permanecem. E o cenário internacional se torna mais instável.

A responsabilidade pela fragilidade militar brasileira não é das Forças Armadas. Cabe ao governo decidir se continuará administrando carências históricas ou se finalmente adotará medidas concretas para reduzi-las. Quem reconhece uma ameaça e dispõe de tempo para se preparar não pode alegar surpresa quando a crise chega ou quando a necessidade de autodefesa é posta à prova.

Defesa nacional não se faz com discursos, anúncios ou cerimônias. Exige orçamento, decisões, contratos e continuidade.

Capacidades militares não se improvisam quando a crise já começou. Onze meses depois da captura de Maduro, o Brasil e o presidente da República continuam vulneráveis — e o governo ainda não apresentou uma resposta compatível com a gravidade do alerta.

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