COBERTURA ESPECIAL - Guerra Informação e Híbrida - Geopolítica

15 de Fevereiro, 2021 - 12:00 ( Brasília )

Gen Ex Pinto Silva - O Governo Mundial Através da Guerra Política Permanente

Texto fundamental para entender os movimentos da Geoestratégia Mundial.

 
O GOVERNO MUNDIAL ATRAVÉS DA GUERRA POLÍTICA PERMANENTE


Carlos Alberto Pinto Silva [1]

A razão das ameaças, pode ser que países do chamado Primeiro Mundo, vejam o Brasil num contexto específico da disputa, antiga e ultrapassada, do Norte contra o Sul em vez do estratégico[2].

 

1.  REALISMO POLÍTICO.

realismo político de Maquiavel é o reconhecimento da condição de que a realidade dos fatos é composta de astúcia, força, violência, falsidade, dissimulação (algo bem longe do moralismo pregado pela tradição cristã) (Alexsandro M. Medeiros, Nicolau Maquiavel - site Sabedoria Política).

Para o realismo, as relações internacionais são definidas pela condição anárquica da política internacional e pela desigual distribuição de poder na estrutura do sistema internacional. Os atores fundamentais do sistema são os detentores do poder, ou seja, os estados.

realismo político articula-se, dessa forma, em torno de dois conceitos chave, o poder e o conflito, e identifica a natureza humana como egoísta, predatória e propensa à conquista (Wikipédia – Google).

2. GUERRA E PAZ

Partimos do conceito de que guerra e paz são parte do mesmo fluxo das relações internacionais.

O mundo, atualmente,está em um estado de“Guerra Política Permanente”, ondea paz é relativa, não há inimigo e sim estados com ações hostis em defesa dos seus interesses.

Vivemos, portanto, um temposem frente de batalha e sem regras de engajamento, em queapaga-se a linha divisória entre o estado de guerra e de paz.

"Guerra Política", foi conceituada por George Kennan como "o uso de todos os meios de disponíveis de uma nação para alcançar objetivos nacionais sem entrar em guerra (aquém da guerra).

O termo “Permanente”, por sua vez, não possui relação direta com a duração das guerras. Diz respeito, na verdade, à condição assumida pelo Estado de que qualquer ação de política externa, em defesa de interesses nacionais, é um “conflito na zona cinza”[3] (“Uma atividade coercitiva e agressiva por natureza, mas deliberadamente concebida para permanecer abaixo dos limites de um conflito militar convencional”).

As principais causas dos conflitos, na atualidade, são econômicas ganhando força a geoeconomia.

3. EXCEPCIONALISMO AMERICANO E O GOVERNO MUNDIAL ATRAVÉS DA GUERRA POLÍTICA PERMANENTE.

3.1. PENSAMENTO DE JOHN BOYD[4].

Um teórico da guerra americano,consultor no escritório Aéreo Tático do Escritório do Secretário Adjunto de Defesa para Análise e Avaliação de Programas, JOHN BOYD,realizando apresentações sobre sua visão da guerra no Pentágono para chefes militares, traçou um objetivo estratégico “que é o de, através da gerência do caos, aumentar o grau de incerteza do inimigo e produzir seu colapso moral. Esse objetivo e o modo de fazer a guerra decorrente dele viabilizam o exercício do excepcionalismo americano por meio da intervenção do “Governo Mundial” e através da “Guerra Política Permanente”.

A efetivação do pensamento de Boyd se expressa na prática da Guerra Política Permanente. Uma vez que seu objetivo final é, mais do que a derrota física do adversário, sua derrota moral, e os meios para se conduzir a guerra serão variados. A política e a economia, portanto, constituir-se-ão em meios ordinários de se fazer a guerra.

“Penetrar o ser moral, mental, e físico do adversário de modo a dissolver sua fibra moral, desorientar suas imagens mentais, romper suas operações, e sobrecarregar seu sistema, assim como subverter, quebrar ou capturar, senão subjugar os bastiões morais, mentais e físicos, conexões ou atividades nas quais ele depende, a fim de destruir a harmonia interna, produzir paralisia e colapsar a vontade adversária de resistir.”

Após o 11 de setembro os Estados Unidos para o exercício do excepcionalismo norte-americano, por meio da Guerra Política Permanente, precisavam exercer e expandir o seu Soft Power (poder brando ou poder de convencimento), pois, o país diminuiu os investimentos e efetivos de sua força militar, Hard Power (poder duro ou potência coercitiva), apesar das práticas de Diplomacia Pública terem sido consideradas excessivas após o fim da Guerra Fria.

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Nota DefesaNet - Observar, que no governo Donald Trump, não ocorreu nenhuma Operação Militar relevante. Porém, seu intento de sair do Afeganistão foi bloqueado pelo Deep State de Washington.


3.2. DIPLOMACIA PÚBLICA.

Uma de suas vertentes busca influenciar as opiniões públicas nos países estrangeiros por parte dos governos. Usada com “Soft Power” para penetrar o ser moral, mental, e físico do adversário de modo a dissolver sua fibra moral, desorientar suas imagens mentais, assim como subverter, quebrar ou capturar, senão subjugar os bastiões morais, mentais e físicos, conexões ou atividades nas quais ele depende, a fim de destruir a harmonia interna, produzir paralisia e colapsar a vontade adversária de resistir.

A visão do terrorismo como ameaça externa foi fundamentalmente modificada pelo 11 de Setembro, principalmente por atingir símbolos do “Poder” e da “Economia” dos EUA e, também, por serem os terroristas residentes no país.

Mostrou-se indubitável que perdurava um forte sentimento antiamericano no Oriente Médio. O governo americano retomou o valor da “Diplomacia Pública” considerando que era preciso conquistar os corações e mentes dos islâmicos e legitimar a causa estadunidense de luta contra o terrorismo.

3.3. MÍDIA NORTE-AMERICANA.[5]      
                            

“Noam Chomsky e Edward Herman se debruçaram sobre o funcionamento da mídia norte-americana em “A Manipulação do público”. Na obra, os autores defendem que os media(meios de comunicação social) norte-americanos reverberam os pontos de vista do establishment (poder instituído) e apresentam um modelo de propaganda (propaganda framework) em que a cobertura maciça de um acontecimento particular é tratada como uma campanha de publicidade.”

“A Diplomacia Pública também foi meio utilizada na Segunda Guerra do Golfo para influir na opinião popular, sendo entendida como o esforço para promover o interesse de um ator — nem sempre um Estado — através da capacidade de informar e influenciar pessoas em outros países. Por conta das ferramentas de convencimento utilizadas, como intercâmbios educacionais ou culturais e o estímulo à troca de informações e publicações, alguns autores relacionam seu conceito ao de “Soft Power”.”

4. CONSIDERAÇÕES FINAIS

4.1.O “REALISMO NORTE-AMERICANO” EM RELAÇÃO AO BRASIL

A política externa dos EUA, em relação a Brasil,leva em consideração uma estratégia de ações políticas e diplomáticas que visa ocupar posições que, a longo prazo, garantam a estabilidade dos seus interesses, e a manutenção de sua influência, como Potência Hegemônica, na Área Estratégica da América do Sul.

4.2. O “REALISMO DO BRASIL

O Brasil é um ator regional que na política e na economia já atingiu uma influência global.

A principal preocupação estratégica do Brasil é, inexoravelmente, relacionada à economia.A capacidade interna do país de conseguir realizar as mudanças estruturais necessárias e o crescimento econômico permitirão o aumento de dois dos padrões de Poder (Econômico e Militar).

O Agronegócio, as reservas minerais, petrolíferas e de água doce, a disponibilidade de áreas agricultáveis, o clima, a Embraer com centena de seus aviões voando em vários países mostram ao mundo desenvolvido um país pujante.

Samuel Huntington quando escreveu “The Lonely Superpower”, entende que, com a dissolução da União Soviética, ainda não apontava de forma mais nítida para a possibilidade de uma nova ordem bipolar. Para ele, viveríamos em sistema híbrido, que rotulou de “uni-multipolar”: uma superpotência dividiria espaço com várias potências que, se não lhe são comparáveis, nem por isso deixariam de cumprir funções relevantes para a configuração do sistema. Huntington elegeu para sua lista: o “condomínio Franco germânico”, na Europa; a Rússia, na Eurásia; a China e potencialmente o Japão, no leste asiático; a Índia, no sul asiático; o Irã, no sudoeste asiático; o Brasil, na América Latina; e a África do Sul e a Nigéria, na África.[6]

O surgimento de uma potência regional emergente, como o Brasil, é sempre um fator de desestabilização, insatisfação e reação do sistema mundial, porque sua ascensão ameaça o monopólio das potências estabelecidas.

O Brasil, pelas vantagens geopolíticas e recursos que possui, poderá vir a deslocar alguém do assento à roda de seleta mesa da política internacional.

 


[1] Carlos Alberto Pinto Silva / General de Exército da reserva / Ex-comandante do Comando Militar do Oeste, do Comando Militar do Sul, do Comando de Operações Terrestres, Ex-comandante do 2º BIS e da 17ª Bda Inf Sl, Chefe do EM do CMA, Membro da Academia de Defesa e do CEBRES
 
[3]- De acordo com Hal Brands, o “conflito na zona cinza é uma atividade coercitiva e agressiva por natureza, mas deliberadamente concebida para permanecer abaixo dos limites de um conflito militar convencional”. Ou seja, “a Zona Cinza se caracteriza por uma intensa competição política, econômica, informacional e militar, mais acirrada que a diplomacia tradicional, porém inferior à guerra convencional”.
 
[4] O Pensamento de Boyd e a Resposta Neoconservadora Estadunidense à Ascensão do Sul  João Gabriel Burmann da Costa e Luiza Costa Lima Corrêa
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[6] Os EUA No Mundo: Percepções. Antônio de Aguiar Patriota - http://www.dominiopublico.gov.br/download/texto/al000127.pdf

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