COBERTURA ESPECIAL - Guerras Híbridas Latinas - Inteligência

16 de Novembro, 2020 - 01:30 ( Brasília )

Relatório Otalvora: Castrochavismo planeja ofensiva continental

Importante informação de Edgar Otalvora que define o cenário para os anos vindouros na América Latina e que afetarão o Brasil.


EDGAR C. OTÁLVORA
Publicado Diario Las Americas
14 de novembro de 2020
@ecotalvora



Os nomes dos que poderiam acompanhar Biden, caso seu governo se concretize, já começam a circular nos bastidores de Washington e na imprensa.
 
Sem esperar pelo resultado da eleição presidencial e sem que Donald Trump e o aparato do governo federal inicie os procedimentos formais para a transição, Joe Biden nomeou equipes de trabalho para cada um dos Secretários do Governo, em 10NOV2020. A equipe do Departamento de Estado é chefiada pela diplomata Linda Thomas-Greenfield.
 
Os nomes dos que poderiam acompanhar Biden, caso seu governo se concretize, já começam a circular nos bastidores de Washington e na imprensa. Reações de inquietação chegaram até a tornar-se públicas na esquerda radical do Partido Democrata a partir de nomes, que circulam para ocupar cargos próximos à Presidência

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Em relação à condução da política externa, admite-se que o Penn Biden Center, da Universidade da Pensilvânia, seria fonte de candidatos a cargos no governo Biden. Daniel P. Erikson é mencionado como provável responsável pela política para a América Latina da Casa Branca que seria comandado por Antony Tony Blinken cujo nome aparece como um potencial Secretário de Estado ou Conselheiro de Segurança Nacional. O americano colombiano Juan González também aparece entre os nomes dos que seriam operadores para a América Latina em um governo chefiado por Biden.
 
Blinken, Erikson e González compartilham a história de trabalho com o ex-vice-presidente Biden durante o governo Obama.
 
Erikson fez parte da equipe do governo dos Estados Unidos para o restabelecimento das relações com Cuba e esteve envolvido em tarefas com a Colômbia e a América Central. Em entrevista publicada pelo portal argentino Infobae em 21 de agosto de 19, Erikson afirmou a respeito da Venezuela que “a pressão econômica, embora seja muito importante, não será suficiente para provocar uma mudança na Venezuela”, embora se oponha a uma intervenção militar.
 
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As eleições de 18OUT20, na Bolívia, significaram a retomada do governo pela esquerda boliviana nas mãos de Luis Arce em nome de Evo Morales. Os atos de inauguração foram agendados para domingo, 08NOV20 e foram realizados na ausência de Morales. O agora ex-presidente viajou naquele dia de avião da Força Aérea Argentina, de Buenos Aires até a fronteira norte, pronto para realizar no dia seguinte, acompanhado do presidente argentino Alberto Fernández, uma operação de propaganda com sua entrada na Bolívia.


 
No hemiciclo do Palácio Legislativo de La Paz, no final da manhã de 08NOV20, ocorreu a cerimônia de posse do novo vice-presidente boliviano David Choquehuanca, que adquiriu o caráter de Presidente da Assembleia Legislativa Plurinacional e, consequentemente, jurou em Luis Arce como Presidente da Bolivia. Arce e Choquehuanca foram ministros no governo de Morales e, nos últimos anos, Choquehuanca viveu em Havana, onde atuou como secretário da organização intergovernamental Castro-Chavista ALBA. Com a posse de Arce, estava previsto o retorno do Castrochavismo ao comando dos cargos mais altos do país.
 
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A Bolívia tem sido tradicionalmente vista como um país de baixa relevância geopolítica, mas no atual xadrez político internacional, tornou-se uma peça disputada por suas jazidas minerais e por seu status de satélite político da aliança Castrochavista formada por Fidel Castro e Hugo Chávez.

Em 08NOV2020, entre os poucos chanceleres que viajaram a La Paz estava o chanceler do Irã, Mohammad Javad Zarif. A presença pouco frequente do chanceler iraniano na América Latina incluiu visitas a Caracas e Havana, onde se reuniu com Nicolás Maduro e Miguel Díaz-Canel, revelando a relevância política que o Irã dá à retomada do Castrochavismo na Bolívia. Enquanto isso, o chanceler de Maduro, Jorge Arreaza, permaneceu três dias em La Paz e foi recebido em cerimônia especial por Arce no dia 11 de novembro.




Arce e o chanceler da Venezuela Arreaza.



Uma das atividades desenvolvidas por Arreaza em La Paz foi a reativação de um escritório da petroleira PDVSA que, segundo analistas consultados, poderia servir como parte do esquema internacional utilizado pelo regime chavista para contornar as sanções petrolíferas impostas pelos Estados Unidos. Arreaza mudou-se para La Paz com um grande grupo de funcionários encarregados de invadir a sede diplomática venezuelana que permanecia sob o controle de representantes de Juan Guaidó. Os meninos de Arreaza também organizaram uma tentativa de escrache dentro do palácio presidencial contra o presidente colombiano Iván Duque.
 
Na quarta-feira 11NOV2020, o governo boliviano reiniciou as relações diplomáticas com os governos do Irã e Maduro, ao receber pela Arce as credenciais dos novos embaixadores com as formalidades. Nesse mesmo dia, o chanceler de Arce, Rogelio Mayta, recebeu o encarregado de negócios cubano em La Paz, Arcenis La O, para acertar o descongelamento das relações e a rápida passagem de embaixadores.
 
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Os resultados eleitorais no México, de 01JU2018, com a vitória de Manuel López Obrador, de 19OUT2019, na Argentina com a vitória de Kirchnerismo, com Alberto Fernández e Cristina Kirchner, de 25OUT2020, no plebiscito no Chile para redigir uma nova Constituição e de 18OUT2020, na Bolívia com o retorno do MAS à presidência, a participação do partido Podemos no governo da Espanha, bem como a continuidade do regime chavista na Venezuela, servem de contexto para uma ofensiva de Castrochavismo.
 
A aliança esquerdista continental está trabalhando para ganhar as presidências do Peru e do Equador, onde haverá eleições nos dias 07FVE21 e 11ABR21, além de manter um clima de tensão social na Colômbia com vistas às eleições de 29MAIO2022. Os candidatos presidenciais Castrochavista do Peru e do Equador, Verónika Mendoza e Andrés Arauz, estavam entre os líderes de esquerda reunidos em La Paz, em 20NOV2020. Arauz, o candidato presidencial de Rafael Correa, acompanhado por sindicalistas de seu país, chegou a viajar ao interior da Bolívia para se juntar a Evo Morales, com quem dividiu uma plataforma em um grande comício realizado no, dia 11NOV2020, em Chimoré, Cochabamba. Morales pede com urgência um “encontro internacional de povos indígenas e organizações sociais” a ser realizado em 17-19DEZ2020, em Cochabamba. Morales, agora fora do palácio do governo, parece estar encarregado de liderar as ações políticas em direção ao Equador e ao Peru.
 
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A agenda imediata dos governos Castro-Chávez visa a reativação da UNASUL, com o alto apoio do governo argentino onde provavelmente será inaugurado um gabinete da quase extinta organização sul-americana. Já em Buenos Aires está a estátua de Néstor Kirchner que havia sido colocada na sede da UNASUL nos arredores de Quito e que foi retirada quando o Equador optou por deixar a organização e pedir a devolução do prédio.
 
As declarações de Morales sugerem que a Bolívia, junto com a Argentina e o México, provavelmente com o apoio de alguns governos caribenhos, estão se preparando para obstruir e desacreditar a gestão de Luis Almagro, na Secretaria-Geral da OEA, até mesmo para pedir sua renúncia.
 
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Embora o governo boliviano cessante tenha feito convites a todos os chefes de Estado com os quais mantém relações, apenas três compareceram aos eventos. O Rei Felipe VII da Espanha, junto com os presidentes da Colômbia e do Paraguai, Iván Duque e Mario Abdo Benítez, foram acomodados em uma das varandas da sala. Na varanda contígua estavam o presidente argentino Alberto Fernández e o segundo vice-presidente da Espanha Pablo Iglesias, os dois integrantes do chamado Grupo Puebla, aliados estrangeiros de Evo Morales e que se acomodaram convenientemente um ao lado do outro, servindo como símbolo da confluência em Bolívia de figuras internacionais castrochavismo, agora autodenominadas progressistas.
 
A inusitada presença de Iglesias na delegação espanhola serviu para o seu lançamento como figura relevante da esquerda que opera nos dois lados do Atlântico. O fato de a delegação espanhola ter sido chefiada pelo Rei Felipe VII acompanhado do Chanceler Arancha González Laya, tornou redundante a inclusão de Iglesias entre os viajantes. A composição da delegação não está nas mãos da Casa Real, mas sim do governo, para o qual a decisão de localizar Iglesias no dia 08NOV2020 em La Paz foi decidida pelo presidente do governo Pedro Sánchez, no que parece ser uma nova concessão ao parceiro. Político que agora busca projeção em terras latino-americanas. Anteriormente, em função da chegada do perseguido adversário venezuelano Leopoldo López à Espanha, Sánchez optou por recebe-lo, em  27OUT2020, naa sede do partido PSOE e não noPaláio Prseidencial  de la Moncloa, desta maneira par anão atrapalhar Iglesias, para que o mesmo pudesse dar agressiva entrevista ao jornal esquerdista  de Buenos Aires, Página 12.
 
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Na última década, Pablo Iglesias viajou para a América Latina como assessor, contratado pelos governos do Castrochavismo, líder de um partido de oposição espanhol, mas agora poderá fazê-lo como presidente estrangeiro para comemorar com seus parceiros políticos. Antes de sua viagem a La Paz, Iglesias concordou com alguns de seus colegas do "Grupo Puebla" e da "Progressive International" em fazer uma proclamação contra "o golpe de ultradireita" que circularia sobre sua visita a La Paz. Iglesias quer ser visto como um líder internacional e pediu que sua declaração "em defesa da democracia" seja assinada por Dilma Rousseff, Alberto Fernández, José Rodríguez Zapatero, Rafael Correa, Evo Morales, o grego Alexis Tsipras, o candidato colombiano Gustavo Petro, O chileno Daniel Jadue e o francês Jean Luc Melenchon. (Nota DefesaNet – verificar a não menção de Lula)
 
Como parte de sua agenda partidária em La Paz, Iglesias se reuniu com os candidatos de Castrochavismo, a peruana Verónika Mendoza e o equatoriano Andrés Arauz. Iglesias também jantou com o argentino Alberto Fernández, com quem discutiu planos de ação internacionais conjuntos.



 


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