COBERTURA ESPECIAL - Modernização FAB - Aviação

06 de Abril, 2022 - 01:00 ( Brasília )

NAV - Nova estatal, lucra e reforma torres de controle

Empresa de serviços de navegação começou a operar em julho de 2021, a partir uma cisão da Infraero

 

Andrea Jubé
Valor
Brasília


A NAV Brasil, prestadora de serviços de navegação aérea e única estatal criada pelo presidente Jair Bolsonaro, obteve lucro liquido de R$ 93,5 milhões em seus seis meses iniciais de atividade, e pagou dividendos para a União no valor de R$ 17,6 milihões, segundo o seu primeiro balanço divulgado no último dia 25MAR.

A empresa, que é vincutada à Força Aérea Brasileira (FAB), começou a operar em julho de 2021, no início da retomada do tráfego aéreo, apôs um ano e meio de pandemia a expectativa é que a recuperação plena do setor, esperada para o fim do ano, reflita positivamente nos próxima balanços.

Até dezembro, a estatal pretende ampliar a receita, modernizar equipamentos, e investir em projetos ambiciosos, como a instadaçáo de torres de controle virtuais, tecnologia ainda recente no setor.

Nesses primeiros seis meses de atividade„ a receita líquida foi de R$ 389,1 milhões, as despesas gerais somaram R$ 219,9 milhões, e a empresa recolheu RS 66,8 milhões em impostos. Os números serão submetidos à assembleia-geral de acionistas em 27 de abril.

“A gente vive de tarifa de navegação aérea, paga por cada avião no ar", disse ao Valor o presidente da NAV, major-brigadeiro do ar Pompeu Brasil. Ele está otimista em relação ao crescimento da empresa neste ano."A previsão é de que no fim deste ano, estaremos movimento igual ao de 2019", quando, segundo ele, ocorreu uma das melhores do setor aéreo.

A NAV Brasil surgiu da cisão da lníraero, quando a estará de gestão aeroportuária começou a senti os efeitos do processo de concessão dos primeiros aeroportos. “Houve um certo desequilbrio, e a navegação aérea começou a sentir a queda da arrecadação(com as tarifas)” afirmou o brigadeiro. Nesse cenário, o Tribunal de Contas da União (TCU) recomendou a separação de atribuições, e a criação de uma empresa exclusiva para a navegação aérea. Foi uma decisão de Estado", disse.

Hoje a NAV responde por cerca de 14% do controle de tráfego aéreo do Brasil Cerca de 85% é atribuição do Cornando da Aeronáutica, por meio do Departamento de Controle do Espaço Aéreo (DECEA), e até 1% a prestadores de serviços menores inclusive com fatias reservadas à Marinha, em São Pedro da Aldeia (RJ), e ao Exérciton a Base de Taubaté (SP).

A NAV presta serviços de navegação aérea em pelo menos 44 localidades, entre torres de controle e estações de rádio. Estão sob a responsabilidade da empresa, por exemplo torres de controle de Guarulhos (SP), que tem o maior mivimento do pais, além das torres do Santos Dumont (RJ) Viracopos (Campinas), e do aeroporto de Goiânia (GO).

Uma particularidade do modelo brasileiro é a interligação entre os sistemas de controle de tráfego aéreo e de defesa do espaço aéreo, uma infraestrutura única de telas e radares."Qualquer avião que muda de rota imediatamente é identificado e aciona-se a defesa aérea", ressaltou o brigadeiro.
 
Até o fim do ano, Pompeu Brasil pretende reformar e modernizar os equipamentos de quatro torres de controle em JoãoPessoa (PB), Goiânia, Macaé (RJ) e Ribeirão Preto (SP). Está em fase final de modernização a torre de Guarulhos. “va ser top do mundo”, disse.

Um dos projetos mais ousados da atual direção é a instalação de torres virluais de controle. Uma referência é oo modelo em funcionamento no aeroporto llondon City, no reino Unido, em que a torre fica a 25 quilometros do aeroporto.



Visita do então Comandante da Aeronáutica, Brigadeiro Bermudez,  à Torre Virtual da Base Aérea de Santa Cruz

Por esse sistema, os controladores tem em suas telas a mesma imagem que teriam se estivessem em uma torre instalada no aeroporto. A primeira torre virtual da América Latina foi instalada na Base Aérea militar de Santa Cruz e já estã em operação há mais de um ano. 'É um modelo em estudo, é um investimento interessante e reduz custo", afirmou.

O foco dos primeiros seis meses de gestão foi estruturar a empresa, que tem cerca de 1,5 mil funcionários, a expressiva maioria originária da Infraero. O contrato de criação da NAV prevê que a estatal de gestão aeroportuária vai prestar serviços administrativos, como de contabilidade, e na área jurídica para a NAV a preço de custo pelo prazo de dois anos. Mas o empenho da atual administração é garantir autonomia nas áreas de contabilidade, jurídica e recursos humanos o mais breve possível.

Quando a empresa começou suas atividades, a demanda mais urgente veio da área jurídica, setor ainda dependente da Infraero. Foi preciso fazer contrato emergencial de compra de ba1ões meteorológicos— uma compra internarional, a US$ 250 cada – porque o estoque duraria dois meses. Com a recuperaçáo do setor aéreo Pompeu Brasil não descarta um reforço de pessoal. “Precisaremos de mais controladores, até para atender a aviação regional, com esses planos de novos aeroportos regionais," Para economizar custos e tempo, ele cogita um “upgrade" dos técnicos em controladores, para aproveitar a mão de obra especializada.  A formação de um controlador aéreo, sem atuação na área demanda até dois anos.

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