Operação “ACRUX XII” foi realizada em conjunto com as Forças Armadas da Argentina, Bolívia, Paraguai e Uruguai
Por Capitão-Tenente (RM2-T) Melina Isquierdo
Militares da Marinha do Brasil (MB) e das marinhas de quatro países participaram, de 20 a 25 de abril, da Operação “ACRUX XII”, realizada em Corumbá (MS), no Pantanal sul-mato-grossense. A MB foi a anfitriã da operação, considerada a maior do tipo na América Latina, voltada ao adestramento e à cooperação entre as Forças participantes.
Durante cinco dias, mais de 700 militares atuaram em um trecho de 60 quilômetros do Rio Paraguai, com ações de patrulhamento fluvial, batimento de margens, proteção da força-tarefa ribeirinha, controle de tráfego fluvial e apoio aéreo aproximado. Uma aeronave UH-12 foi empregada em ações de esclarecimento e apoios aos navios Monitor “Parnaíba” e Navio-Transporte “Paraguassu”.
Na noite do dia 24, militares realizaram um exercício de desembarque e assalto ribeirinho. Em oito embarcações de transporte de tropa, duas lanchas tipo “Guardian”, um bote de assalto e dois pelotões compostos por Fuzileiros Navais dos países participantes navegaram por cinco quilômetros. Após o desembarque, avançaram mais cinco quilômetros em terra até a base de assalto, em uma ação para retomar o controle de área com inimigo simulado. O cenário reproduzia uma base de treinamento e um posto de controle de trânsito.
Neste ano, a operação incluiu a utilização de drones, ampliando a capacidade de reconhecimento e vigilância noturna por câmeras com sensores infravermelhos, utilizados para detectar a radiação de calor emitido.
“O exercício foi estruturado com uma série de ações coordenadas que permitem o emprego conjunto das forças, criando condições para uma atuação integrada em eventuais situações que demandem resposta multinacional”, explicou o Comandante do 6º Distrito Naval, Contra-Almirante Emerson Augusto Serafim. Ele ressaltou, ainda, a importância da comissão. “A Operação ‘ACRUX’ reforça a interoperabilidade entre as Marinhas participantes ao possibilitar o intercâmbio de procedimentos e o conhecimento mútuo das capacidades operativas. Além disso, contribui para o aprimoramento do adestramento em um ambiente singular como o Pantanal, que apresenta características específicas e desafiadoras para a condução de operações ribeirinhas.”
Para o Chefe do Estado-Maior Combinado da operação e militar da Marinha do Paraguai, Capitão de Fragata DEM Galeano, “o exercício prepara as Forças para, em conjunto, defendermos a hidrovia Paraguai-Paraná, um dos principais eixos econômicos dos nossos países e saída dos produtos paraguaios para o mar, assegurando, assim, o livre comércio das nações.”

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Meios navais
Participaram do exercício cinco meios navais da Argentina, três da Bolívia, dois do Uruguai e dois do Paraguai. Pela MB, foram empregados o Monitor “Parnaíba”, os Navios-Transporte “Almirante Leverger” e “Paraguassu”, os Navios-Patrulha “Pirajá” e “Piratini”, o Navio de Apoio Logístico Fluvial “Potengi”, o Aviso de Apoio Fluvial “Barão de Melgaço” e a Agência Escola Flutuante “Esperança do Pantanal”.
“Houve um significativo esforço logístico para os meios navais e militares estrangeiros estarem aqui. A presença de todos contribuiu para a troca de experiências, ampliando o conhecimento sobre a área de operações e do ambiente, diferente da que estamos habituados a operar”, explicou o Capitão de Fragata J. Rivas, integrante da Direção do Exercício e militar da Marinha Argentina.

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Visitação pública
Nos dias 17, 18 e 19 de abril, o Navio Multipropósito A.R.A. “Ciudad de Rosario”, da Argentina, e o Navio-Patrulha “Pirajá”, subordinado ao Comando da Flotilha de Mato Grosso, ficaram abertos à visitação pública, em Corumbá. Mais de 800 pessoas visitaram as embarcações e tiveram a oportunidade de conhecer suas instalações e capacidades.
“A oportunidade de visitar os navios da Marinha do Brasil e da Argentina foi muito significativa. Fui Tenente do Exército Brasileiro, trabalhei na navegação também, inclusive viajando pelo rio Paraguai até a Argentina, e essa experiência me trouxe boas recordações”, ressaltou José Alberto de Amorim. Sua filha, Viviane Amorim, salientou a receptividade dos militares e destacou a presença feminina a bordo. “Adorei ver mulheres participando da operação. Aproveitei para mostrar à minha filha, de 10 anos, que também podemos ocupar esse espaço, além de reforçar a importância que o Rio Paraguai tem a partir da presença desses navios de várias nações aqui”, relatou.

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Operação “ACRUX”
A comissão “ACRUX” acontece a cada dois anos, desde 2001 e a direção do exercício é realizada de forma rotativa pelas Marinhas dos países participantes.
Em evento realizado no dia 26 de abril, em Ladário (MS), os países assinaram a ata de acordo da Operação “ACRUX XII”, documento que formaliza e consolida as atividades desenvolvidas, observações e resultados alcançados, além de estabelecer recomendações para a próxima edição da operação, prevista para acontecer em 2028, no Paraguai.
Assinaram a ata de acordo o Comandante do 6º Distrito Naval, Contra-Almirante Serafim, pela MB, o Contra-Almirante Carlos Martin Barreto Gonzalez, pela Armada Do Paraguai, o Contra-Almirante Damián Gabriel Orgiazzi, pela Armada da Argentina, o Capitão de Navio Cadmiel Mounzon Terán, pela Armada da Bolívia, e o Capitão De Fragata Diego Alberto Fros Boga, pela Armada do Uruguai.
Fonte: Agência Marinha de Notícias
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