Navios-Patrulha fortalecem a soberania e a segurança nas águas jurisdicionais

Com atuação estratégica no mar e em vias fluviais, eles agem na fiscalização, busca e salvamento, combate a ilícitos e apoio a operações humanitárias

Por Primeiro-Tenente (RM2-T) Thaís Cerqueira

O Brasil possui 5,7 milhões de quilômetros quadrados de águas sob sua jurisdição, área conhecida como “Amazônia Azul”, por onde trafegam cerca de 95% das exportações brasileiras e são produzidos mais de 95% do petróleo e 85% do gás natural consumidos no País. Soma-se a esse cenário a extensa malha hidrográfica nacional, que posiciona o Brasil como potência hídrica mundial. Para proteger esse patrimônio estratégico – no mar e nos rios – a Marinha do Brasil (MB) mantém navios-patrulha distribuídos por todo o território, empregados na fiscalização das águas jurisdicionais, na segurança do tráfego aquaviário, na salvaguarda da vida humana no mar e no combate a ilícitos.

Atualmente os navios-patrulha da MB atuam no mar, na Amazônia, no Pantanal e em outras áreas estratégicas. Sua distribuição leva em conta fatores como rotas de transporte, exploração petrolífera, pesca ilegal e proteção ambiental. Essa classe de navios também é usada nas atividades de Inspeção Naval e de Patrulha Naval, além de participar das ações de Busca e Salvamento (SAR – do inglês, Search and Rescue) registradas em águas marítimas e interiores do País. Eles podem operar com aeronaves da MB e de outras Forças para prestar o socorro necessário.

Renovação e ampliação da frota de Navios-Patrulha

Com o lançamento previsto para 27 de abril, o Navio-Patrulha (NPa) “Mangaratiba” é o quarto navio da Classe “Macaé”, e contribuirá significativamente para o Setor Operativo da Marinha e para a proteção dos interesses nacionais no mar. Totalmente construído no Arsenal de Marinha do Rio de Janeiro (AMRJ), o Navio-Patrulha de 500 toneladas faz parte do Programa de Obtenção de Navios-Patrulha (PRONAPA) no Novo Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), do Governo Federal. A medida garantiu parte dos investimentos destinados à construção e à modernização da infraestrutura de oficinas especializadas do AMRJ, o estaleiro em atividade mais antigo do País.

O NPa “Mangaratiba” é uma embarcação com 54,2 metros de comprimento e calado máximo (medida da parte submersa do navio ao operar com toda sua capacidade) de 2,48 metros, projetada para atender a múltiplas funções operativas com eficiência e autonomia. O navio comporta uma tripulação composta por até 43 militares – incluindo 8 reservas – e tem um raio de ação de 2.500 milhas náuticas (mais de 4 mil quilômetros) em velocidade de cruzeiro, o que corresponde a aproximadamente seis dias de autonomia, variável conforme a quantidade de mantimentos, água e demais suprimentos embarcados.

Após a entrega do “Mangaratiba”, está prevista a conclusão do “Miramar”, o quinto navio da classe que se encontra em construção também no AMRJ. O projeto será o mesmo, com possibilidade de melhorias pontuais, como um veículo não tripulado para Operações de Minagem e de Contramedidas de Minagem.

Formas de atuação

Um navio-patrulha contribui diretamente para a prevenção de ilícitos marítimos e fluviais por meio das atividades de Inspeção Naval – fiscalização administrativa de documentos e equipamentos para segurança e prevenção à poluição ambiental – e Patrulha Naval – ação mais ampla, de presença e monitoramento da MB para garantir a soberania, controlar áreas marítimas e combater ilícitos.

Esses são as operações mais frequentes para esse tipo de navio juntamente com Busca e Salvamento (SAR), reboque de embarcações e apoio em operações aéreas e de mergulho, segundo o Capitão de Corveta Vicente Tavares Alves, que serviu dois anos como Encarregado da Divisão de Máquinas do Navio-Patrulha Oceânico “Apa”, dois anos como Imediato do Navio-Patrulha “Graúna”, um ano e meio como Chefe do Departamento de Máquinas do Navio-Patrulha “Macau” e um ano como Comandante do Navio-Patrulha “Goiana”.

Essas abordagens realizadas em embarcações suspeitas de irregularidades ou em virtude de uma inspeção rotineira fazem parte do cotidiano dos navios, segundo o Comandante Vicente. De forma resumida, o primeiro passo em uma situação como essa é a chamada via rádio “VHF”, canal 16, para solicitação de dados básicos da embarcação.

“Após um contato inicial com a embarcação, uma equipe de abordagem se aproxima por bote ou lancha. Com isso, é verificada a condição dos tripulantes, da carga, da documentação e dos equipamentos de salvatagem. Por fim, caso seja encontrada alguma irregularidade, a embarcação é notificada e, dependendo da gravidade, é escoltada até o porto mais próximo para encerrar suas atividades. Ao chegar no porto, as autoridades competentes são acionadas para tomarem as medidas necessárias”, destaca.

Essas ações também garantem a navegação segura nos rios, de acordo com o Comandante do Navio-Patrulha Fluvial “Pedro Teixeira”, Capitão de Corveta Vinicius Abrantes Perdizio. A principal característica que diferencia os navios-patrulha que atuam em ambiente fluvial é a sua estrutura e a forma do casco, já que estes navios possuem fundo chato e adaptado para as operações e navegação no rio.

O Navio-Patrulha Fluvial “Pedro Teixeira” possui uma ampla gama de capacidades, pois é capaz de atuar com o chamado trinômio ribeirinho: “navio, aeronave e tropa de Fuzileiros Navais”. O navio é dotado de convoo e hangar, podendo transportar uma aeronave de esclarecimento, além de possuir a capacidade de transporte e projeção de um pelotão de fuzileiros navais por meio das Lanchas de Ação Rápida ou lanchas de apoio do Grupamento de Embarcações de Operações Ribeirinhas da Amazônia.

De acordo com o Comandante do navio, operar na Amazônia impõe diversos desafios. “O ambiente ribeirinho possui uma grande complexidade inerente ao próprio ambiente, onde ameaças podem estar camufladas na margem e na copa das árvores. Além disso, as condições meteorológicas mudam constantemente e a condição de constante mudança no perfil do leito dos rios demanda grande atenção na navegação,” ressalta.

Navios-Patrulha em ação

A MB já empregou navios-patrulha em diversas operações reais. Um exemplo foi a participação do Navio-Patrulha Fluvial “Amapá” durante as Operações “Ágata Amazônia 2025” em coordenação com o Exército Brasileiro e a Força Aérea Brasileira, em junho de 2025.

Ano passado, a Força Naval empregou, dentre outros meios, os Navios-Patrulha Oceânicos “Amazonas” e “Apa”, os Navio-Patrulha “Macaé”, “Gurupá” e o “Gurupi” na Operação Redentor, voltada à segurança marítima e litorânea da cidade do Rio de Janeiro durante a reunião de Cúpula dos BRICS, ocorrida em julho de 2025. 

Em 2024, diversos meios navais da Força foram empregados para apoiar os trabalhos de assistência às vítimas das fortes chuvas que atingiram o Rio Grande do Sul. O Navio-Patrulha Oceânico “Amazonas” transportou, na ocasião, embarcações de resgate e toneladas de alimentos, além de água, roupas, cobertores e outros itens de uso pessoal para os sobreviventes da catástrofe.

Na mesma missão humanitária, o Navio-Patrulha “Babitonga” fundeou em Porto Alegre (RS) com 12 mil litros de combustível para permitir que as ações de resgate e de distribuição de suprimentos, conduzidas por militares da Operação “Taquari 2”, do Ministério da Defesa, continuassem por, pelo menos, dois meses sem risco de interrupção.

Conheça os Navios-Patrulha da MB

Fonte: Agência Marinha de Notícias

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