Treinamento militar EXOP IVR simula cenário de conflito e reforça defesa do espaço aéreo brasileiro

Segunda etapa do Exercício Operacional de Inteligência, Vigilância e Reconhecimento 2026 amplia a complexidade das operações

Por Tenente Scarlet / CECOMSAER

A segunda fase do Exercício Operacional de Inteligência, Vigilância e Reconhecimento (EXOP IVR) 2026 começou no dia 09/03, na Base Aérea de Santa Maria (BASM), no Rio Grande do Sul. O treinamento reúne militares e aeronaves da Força Aérea Brasileira (FAB), com a participação da Marinha do Brasil (MB) e do Exército Brasileiro (EB), fortalecendo o trabalho conjunto entre as Forças Armadas.

O Exercício agora avança para uma situação de conflito simulado. Nessa fase, as operações se tornam mais complexas e exigem maior coordenação entre aeronaves, sensores e equipes que atuam no solo, criando um ambiente mais próximo do que poderia ocorrer em uma situação real.

O Gerente do Exercício, Tenente-Coronel Aviador Marcio Rassy Teixeira, explica que esse treinamento é importante porque prepara as Forças Armadas para agir de forma integrada e rápida, aumentando a capacidade de vigilância e de resposta do país diante de possíveis ameaças e contribuindo para a segurança e a defesa do território brasileiro.

“O treinamento agora simula uma situação de conflito convencional, em que as tripulações passam a buscar informações no terreno e no espaço aéreo para entender melhor o que está acontecendo na área de operações. Esses dados ajudam o comando da missão a ter uma visão mais clara do cenário e a tomar decisões com mais rapidez e segurança. As informações coletadas são analisadas pelas equipes de inteligência e transformadas em conhecimento que orienta o emprego das demais aeronaves e meios militares, seja em missões de defesa aérea ou em ações para neutralizar possíveis ameaças”, destacou.

Meios Empregados

Durante o Exercício, os militares treinam diferentes tipos de missões para simular situações que poderiam ocorrer em um cenário real de conflito. Entre elas estão voos de reconhecimento, que servem para observar uma área e coletar informações importantes, inclusive além da linha onde estariam posicionadas as forças amigas.

Esse tipo de atividade ajuda as Forças Armadas a entender melhor o que está acontecendo no terreno, identificar possíveis ameaças e tomar decisões mais rápidas e seguras durante uma operação.

Para isso, aeronaves como o P-3AM, o R-99 e o P-95, especializadas em Inteligência e Vigilância, monitoram a região do Exercício com o auxílio de radares e sensores. Esses equipamentos permitem acompanhar movimentações no solo e no ar, ampliando a chamada consciência situacional, ou seja, a capacidade de saber exatamente o que está acontecendo no ambiente de operações.

Com as informações coletadas por essas aeronaves, caças como o A-1M e o A-29 podem atuar em missões simuladas para neutralizar possíveis ameaças e garantir que outras aeronaves consigam operar com segurança na área.

A coleta de dados também conta com aeronaves remotamente pilotadas, como o RQ-900 e o Scan Eagle, operado pela Marinha do Brasil. Esses equipamentos funcionam como “olhos no céu”, permitindo vigiar áreas de interesse por longos períodos e enviar informações em tempo real para os centros de comando.

O treinamento ainda conta com a participação do Exército Brasileiro, que atua como Força oponente no exercício. Com viaturas blindadas, radares móveis e sistemas de defesa antiaérea, os militares criam um cenário mais próximo da realidade, aumentando o nível de desafio para as tripulações.

Outro ponto importante do Exercício é o uso do conceito de operações multidomínio, que integra ações no ar, em terra e também no ambiente digital. Equipes especializadas treinam atividades de defesa cibernética, guerra eletrônica e interferência em sinais, simulando situações em que sistemas de comunicação e radares podem ser disputados ou bloqueados.

Treinamentos como esse são importantes porque preparam as Forças Armadas para agir de forma coordenada e eficiente em situações de crise, além de desenvolver tecnologias, doutrinas e estratégias que contribuem para a defesa do país e a proteção da sociedade.

Com o aumento da exigência das missões, o EXOP IVR 2026 prepara militares e equipagens para situações cada vez mais próximas da realidade operacional. O treinamento contribui para o aprimoramento das capacidades de proteção do espaço aéreo, defesa da Amazônia, vigilância marítima e garantia da segurança nacional, reforçando a prontidão das Forças Armadas na defesa dos interesses do Brasil.

Missão de Inteligência em Voo

O Capitão Aviador Helton Cesar Torres de Oliveira, do Primeiro Esquadrão do Sétimo Grupo de Aviação – Esquadrão Orungan, atuou, nesta terça-feira (10/03), como Coordenador Tático de uma missão de Inteligência, Vigilância e Reconhecimento a bordo da aeronave P-3AM Orion.

Para o Oficial, o Exercício representa uma das experiências mais completas de preparo operacional. “O IVR é, sem dúvida, um dos cenários de treinamento mais completos que temos. Não existe outra oportunidade com esse nível de complexidade, com tantos meios envolvidos e com uma integração tão grande entre as unidades participantes. É um ambiente que se aproxima muito da realidade operacional”, ressaltou.

Ainda de acordo com o Capitão, após o recebimento da ordem de missão, a tripulação define os objetivos e planeja a melhor rota para o cumprimento da tarefa. “Os operadores de sensores identificam no mapa os alvos que precisam ser registrados, permitindo o planejamento da rota da aeronave. Mesmo com limitações impostas pela meteorologia, conseguimos realizar a coleta das imagens graças à tecnologia embarcada”, explicou.

As imagens obtidas passam agora por um processo de análise para extrair informações que contribuirão para o desenvolvimento do cenário do Exercício e para o processo de inteligência.

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