COBERTURA ESPECIAL - Vant - Geopolítica

05 de Fevereiro, 2014 - 20:00 ( Brasília )

IISS - Custo menor estimula uso de drones

Segundo o centro de estudos IISS, uso de aeronaves não tripuladas provoca dilemas éticos e legais

O custo cada vez menor dos drones fará com que esses veículos aéreos não tripulados sejam usados cada vez mais, em guerras e em tarefas de vigilância, segundo o relatório anual do Instituto de Estudos Estratégicos Internacionais (IISS), de Londres.

Na publicação anual Military Balance (Balanço Militar), que sumaria o estado da arte de forças armadas regulares e irregulares em todo o mundo, a instituição constata ainda que o gasto militar na América Latina cresceu 15,6% entre 2010 e 2013 — com destaque para o Brasil —, em uma tendência similar à da Ásia e contrária à da Europa.

O documento de 500 páginas avalia a capacidade militar dos países e os aspectos econômicos das políticas de defesa. O crescimento no uso de veículos aéreos sem piloto (UAV, na sigla em inglês) e o aumento de suas capacidades têm provocado dilemas éticos e legais, segundo o IISS. "A proliferação e visibilidade dos drones e seu uso por forças armadas e agências governamentais colocaram esses instrumentos no centro do debate", afirmou o instituto.

Também existem reservas nos Estados ocidentais sobre o desenvolvimento de drones completamente autônomos. "Mesmo que os programas informáticos guiados por inteligência artificial e os sistemas 'racionais' sejam cada vez mais avançados, um processo de decisão automático para operações letais é uma linha que os políticos e o público dificilmente querem cruzar", afirma o texto.

As técnicas militares avançadas estão proliferando graças às menores barreiras técnicas e à maior vontade dos Estados em vendê-las, ao contrário de quando as forças armadas ocidentais queriam mantê-las com exclusividade. O relatório diz que o tamanho menor dos drones tem diminuído custos, colocando-os mais ao alcance de empresas, indivíduos e países de recursos limitados. Mas os países ocidentais, prevê o IISS, tratarão de reter seu domínio desenvolvendo drones mais avançados, como modelos supersônicos.

Na coletiva de imprensa de lançamento do informe, Doug Barrie, analista do instituto, negou, no entanto, que os drones vão acabar com aviões pilotados por pessoas, como se pensava a poucos anos. "Teremos um uso combinado durante algum tempo", explicou Barrie. Entretanto, os modelos de drones se diversificarão, "desde os que se pode guardar na mochila até aqueles com plena capacidade de combate", destacou o especialista.

No que diz respeito aos gastos militares, o relatório constata o aumento nos países asiáticos, enquanto caem nos ocidentais.

Os Estados Unidos seguem liderando com folga, com US$ 600,4 bilhões por ano, seguido da China (US$ 112,2 bilhões), Rússia (US$ 68,2 bilhões) e Arábia Saudita (US$ 59,6 bilhões).

Aproximadamente metade dos US$ 70,9 bilhões gastos pela América Latina corresponde ao orçamento militar do Brasil. Os gastos latino-americanos cresceram 15,6% de 2010 até hoje. "É um reflexo das altas taxas de inflação e da forte valorização das moedas que ocorreram na região neste período, afetando a conversão ao dólar", explica o IISS. Descontando esses fatores, os gatos aumentaram 3,04% em 2013.

Venezuela (12,04%), Colômbia (11,6%) e Bolivia (8%) foram os países sul-americanos com maior aumento (em índices descontados), enquanto México e a América Central aumentaram em 6,9%.

Do outro lado, o relatório destaca as quedas de 4,1% do gasto militar do Uruguai e de 1,1% no do Brasil.

O IISS sustenta que o "crime organizado e os movimentos insurgentes seguem sendo uma ameaça estratégica para os países latino-americanos".

A guerra civil síria ganhou complexidade em 2013, alerta a organização, devido aos conflitos dentro dos grupos de oposição, à intervenção do Hezbollah e ao crescimento da chegada de combatentes sunitas estrangeiros. O temor de que o conflito se espalhe pela a região levou os vizinhos Jordânia, Turquia e Israel a melhorar seus sistemas de defesa aéreo e de mísseis.

Já em relação à Coreia do Norte, apesar de sua envelhecida força aérea ser incapaz de superar as defesas aéreas do Japão ou da Coreia do Sul, "não pode ser descartada uma missão suicida com um minissubmarino", alerta o IISS.