COBERTURA ESPECIAL - TOA - Defesa

01 de Setembro, 2011 - 09:54 ( Brasília )

IISS vê País com visão estratégica ultrapassada


Jamil Chade

De acordo com o levantamento do Instituto Internacional de Estudos Estratégicos (IISS) sobre a situação das fronteiras no Brasil, a pobreza afeta 42% da população na Amazônia, ante apenas 28% em média no resto do Brasil. Apenas um terço da população que vive na região do mundo com mais recursos hídricos tem acesso a água limpa.

"Apesar do plano de levar mais tropas e equipamento, gangues nacionais continuarão a encontrar um santuário entre a população local empobrecida", afirmam os especialistas da IISS. "O próximo desafio que as autoridades terão de encarar é como equilibrar a luta contra as gangues da droga com políticas de desenvolvimento social e proteção ambiental."

"Paranoia". Para superar esse problema, os estrategistas ressaltam que o Brasil ainda terá de lidar com "paranoia" nacional de que região está sob a ameaça de ser invadida por uma potência estrangeira. "O maior sinal de como o pensamento estratégico do Brasil está ultrapassado é a obsessão dos militares com uma potencial invasão por potência estrangeira", afirmam.

Em 2008, plano estratégico nacional mantinha essa visão, que consiste em preparar o Exército para uma "guerra assimétrica contra um inimigo com um capacidade militar amplamente superior". Os especialistas afirmam que isso foi classificado por americanos como "imaturidade política".

O problema é que essa visão estaria enraizada. Um levantamento feito pela Confederação Nacional dos Transportes (CNT) em 2007 indicou que 83% do militares têm a visão de que a Amazônia pode ser invadida por outro governo. Essa visão é mantida por 73% dos civis, enquanto ministros do governo Lula fizeram questão de repetir o mantra.

Os especialistas, no entanto, afirmam que o discurso da classe política brasileira não condiz com realidade. Em 11 mil quilômetros de fronteira na região, o País tem menos de mil agentes da Polícia Federal e apenas 13% das Forças Armadas. "Além disso, metade do equipamento militar nacional está em condição ruim e não é utilizável", conclui o estudo.



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