08 de Maio, 2015 - 13:47 ( Brasília )

Pensamento

Joaquim Levy - O exemplo do general Marshall

O general Marshall escolheu oficiais que tinham capacidade de trabalhar em grupo, de responder sob pressão e de não culpar os outros pelas adversidades


Nota DefesaNet,

Recomendamos a leitura:

Carta aberta do DefesaNet ao ministro da Fazenda Joaquim Levy Link


O Editor


Joaquim Levy
Ministro da Fazenda

 
Planejamento, persistência, gestão de pessoas e alinhamento com os princípios da missão são elementos essenciais para o sucesso da maior parte das empreitadas.

Um bom exemplo dessa combinação encontra-se na atuação de George Marshall, que liderou o Exército americano durante a Segunda Guerra Mundial, tendo sido indispensável para a sua vitória, especialmente no cenário europeu, alcançada 70 anos atrás.

O general Marshall anteviu a necessidade de o Exército estar preparado para defender o país bem antes de ele ser atacado. Já antes do início do conflito na Europa, ele alertou o presidente americano da imperiosa urgência de reorganizar e dar meios àquela força.

Como tantos, ele propugnava o desenvolvimento da Força Aérea, que era então primitiva e pequena. Mas, fiel ao seu feitio, quando foi proposto um plano de rapidamente se produzirem 10 mil aviões, ele foi contra, preferindo uma quantidade bem menor de unidades, mas acompanhada dos recursos para treinar pilotos e desenvolver o apoio logístico indispensável para a efetividade daquele investimento.

Essa atenção ao equilíbrio e o foco na organização industrial foram cruciais quando o Exército americano passou de menos de 200 mil soldados em 1939 para 4 milhões quatro anos depois.

Para liderar esse vasto contingente em armas, Marshall valeu-se de alguns critérios para selecionar generais que havia alinhavado anos antes, preferindo aqueles que exibissem bom senso, conhecessem seu ofício, estivessem em boa forma física --demonstrando energia--, fossem otimistas (irradiando um espírito positivo) e cuja lealdade fosse acompanhada de determinação.

Essas características, sem nada de especial na aparência, em geral se traduziam na capacidade de trabalhar em grupo, responder sob pressão e não culpar os outros pela adversidade. Elas também permitiram uma ênfase em preservar a vida dos seus comandados, o que era raramente visto antes na condução de um conflito armado.

Esse respeito foi uma regra básica para o bom funcionamento de um Exército de cidadãos, que abraçaram a missão de defender a democracia. Seu impacto no moral dos combatentes contribuiu para o Exército superar diversos reveses e pautar o comportamento da tropa à medida que foram conquistando território, inclusive em relação aos civis que foram encontrando.

Os princípios de gestão aí ilustrados se aplicam ao grande número de atividades humanas, e suas manifestações não escaparam aos mais argutos participantes da FEB (Força Expedicionária Brasileira), que combateu lado a lado com os Aliados, especialmente os americanos.

Osvaldo Cordeiro de Farias, um dos mais capazes integrantes da FEB, recordava-se de como os americanos souberam aproveitar os talentos de oficiais e soldados das mais diversas origens, transformando, por exemplo, um gerente de supermercado em oficial graduado de logística.
 
Lembrava-se também de como oficiais com dois ou três anos de experiência se mostravam tão ou mais capazes do que os próprios oficiais de carreira, americanos ou brasileiros.

Isso porque mecanismos que aceleravam a difusão de boas práticas e de experiências malogradas se traduziam no rápido aprendizado a partir de erros iniciais. Essas lições, sem dúvida, auxiliaram esse notável artilheiro brasileiro quando passou para a vida civil e liderou um importante grupo industrial décadas depois.
 
A confiança na capacidade de pessoas de diversas origens é um dos traços essenciais da democracia e base da inclusão. Ela também esteve presente na visão estratégica do general Marshall, que permitiu dar fundamental contribuição não só para a vitória da guerra mas também para a paz, quando ele idealizou o plano de auxílio para a Europa no pós-Guerra.

Esse plano, que levou seu nome, ao alavancar o potencial do continente, permitiu sua recuperação econômica, culminada com a criação do Mercado Comum Europeu dez anos depois.
 
Ao se comemorar o fim da maior das guerras no território europeu e merecidamente homenagear os milhares de pracinhas que o Brasil mandou à Itália e que voltaram com tantas e variadas experiências, parece mais atual do que nunca o exemplo desse general que declinou as posições mais visíveis no seu Exército, para garantir o seu bom funcionamento e as grandes escolhas estratégicas que lhe trouxeram a vitória.

 
Nota DefesaNet


Estranho e incompreensível este artigo do ministro da Fazenda Joaquim Vieira Ferreira Levy, laudatório ao General George Catlett Marshall, Jr.

O  General Marshall, Jr. foi um militar dos Estados Unidos, que sempre esteve ligado à burocracia e longe dos campos de batalha da 1ª e 2ª Guerra Mundial.
 
Em 1939 o presidente  Franklin Delano Roosevelt tornou-o Chefe do Estado-Maior do Departamento de Guerra, cargo que desempenhou até 1945.
Sua ação mais polêmica foi manter totalmente no escuro os comandos militares do Pacífico sobre a iminência do ataque japonês, em Dezembro de 1941.

Durante a busca aos culpados, após o ataque japonês a Pearl Harbor, conseguiu sair  ileso.
 
Após a 2ª Guerra Mundial  atuou na China tentando um acordo entre nacionalistas e comunistas (Mao Tsé Tung). Onde fracassou.
 
Hábil e político, como secretário de Estado criou o Pano de recuperação da Europa devastada pela Segunda Guerra Mundial. Pelo que é mais conhecido. Por isso foi indicado a Prêmio Nobel da Paz em 1953.

Fica a questão ao lermos este artigo. O ministro propõe um Plano Marshall ao Brasil?
 
O Editor