COBERTURA ESPECIAL - Especial MOUT - Segurança

11 de Junho, 2016 - 10:30 ( Brasília )

RIO2016 - Confrontos e tiros perto de arenas e rotas da Olimpíada

A 55 dias dos Jogos, traficantes e policiais se enfrentam em áreas consideradas estratégicas Número de policiais baleados em seis meses subiu de 108 para 192; balas perdidas deixaram 21 mortos


MARCO ANTÔNIO MARTINS
DO RIO

 

Na manhã desta sexta-feira (10), o arcebispo do Rio, Dom Orani Tempesta, se viu no meio de um tiroteio ao sair doCristo Redentor e passar pelo morro do Fallet, comunidade que possui uma UPP (Unidade de Polícia Pacificadora), no centro da cidade.

Ao mesmo tempo, no morro da Mangueira, na zona norte, policiais militares foram atacados por traficantes do Comando Vermelho.

Na zona oeste, PMs trocaram tiros com traficantes durante operação no morro São José Operário e Covanca, na zona oeste. Em uma das comunidades da região, o morro da Barão, uma jovem foi vítima de estupro há 20 dias.

A 55 dias da Olimpíada, em todas as regiões do Rio, seja próximo das arenas ou no percurso de delegações e atletas, sobram confrontos entre facções ou troca de tiros de criminosos com policiais.

Na capital, o morador convive com duas situações. Em ao menos 20 bairros há disputas de território entre traficantes de três facções: Comando Vermelho, Terceiro Comando e ADA (Amigos dos Amigos). No sábado (4), traficantes da Babilônia tentaram invadir o Chapéu Mangueira, no Leme.

Outra cena que se tornou comum é o constante ataque de traficantes do Comando Vermelho contra policiais. Em favelas com UPPs, jovens PMs têm sido vítimas de emboscada por criminosos.

O resultado disso é que, em seis meses, 192 policiais foram baleados no Rio. No mesmo período do ano passado, 108, e no de 2014, 61.

A cada dia, pelo menos, um policial civil, militar ou rodoviário foi vítima de um disparo de criminosos. Desse total, 70 estavam em áreas ditas pacificadas, com UPPs. Ao todo, 43 policiais morreram.

Um dos casos foi do policial Eduardo Ferreira Dias, 37, morto em 22 de maio. O soldado Dias tinha três anos de PM. Havia acabado de assumir o plantão quando teve o carro da corporação cercado por dez traficantes que atiraram contra o seu peito.



Principais arenas e locais da RIO2016 em azul e os pontos pretos Favelas. Observar que as principais rotas, Linhas Amarela e Vermelha são cercadas por favelas. As mais importantes pela extensão e a posição estratégica são o Complexo da Maré na saída do aeroporto do Galeão e o Alemão ao lado da Linha Amarela acesso direto à Vila Olímpica. Arte - DefesaNet

MARACANÃ

A pouco mais de um quilômetro do Maracanã, local de jogos do futebol na Rio-16, a UPP Mangueira é considerada estratégica pela distância que está do estádio.

Quando inaugurada, em 2011, foi apontada como ponto que restava para fechar o chamado "cinturão de segurança" na zona norte da cidade. O estádio foi sede da final da Copa do Mundo, em 2014.

O Maracanã será palco das cerimônias de abertura e encerramento da Olimpíada. E ter a favela da Mangueira tranquila é um dos pontos de discussão entre os responsáveis pela segurança do evento.

O problema não se concentra apenas no entorno do Maracanã. Na quinta (9), a psicóloga e sargento da Marinha Anna Paula Cotta, 27, foi baleada em um dos acessos à Linha Amarela, uma das vias de acesso ao Parque Olímpico da Barra, na zona oeste.

A jovem tentou fugir de uma falsa blitz, montada por assaltantes para roubar veículos. Até a tarde desta sexta (10), Anna Cotta permanecia internada em coma induzido.

A via foi a escolhida para transporte de delegações que saem do aeroporto internacional do Galeão até as arenas e Vila Olímpica. No caminho, os complexos da Maré e de Cidade de Deus. A um quilômetro está o Complexo do Alemão.

Neste primeiro semestre, 21 pessoas morreram na capital vítimas de bala perdida. Outras 55 pessoas foram feridas. Uma delas foi Tainá Donato Severo, 21, que levou dois tiros na perna esquerda. No momento em que foi baleada havia um confronto entre traficantes e policiais de uma das quatro UPPs do Complexo do Alemão.

OUTRO LADO

A Secretaria de Segurança do Rio afirma que investe nas UPPs para combater a violência e que os índices de criminalidade atualmente são menores do que antes da implantação dessas unidades de polícia pacificadora.

A pasta vem dizendo nos últimos meses também que a Olimpíada estará preservada com reforço de segurança.

O Estado diz ter "como prioridade a preservação da vida e a redução de índices de criminalidade no Estado". "Por isso, investe desde 2007, no processo de instalação de UPPs nas comunidades e implantação do Sistema Integrado de Metas", afirma.

Segundo a pasta, nas áreas com UPPs, as mortes violentas (homicídio doloso, letalidade violenta, lesão corporal seguida de morte e latrocínio) apresentaram redução de 58,5% quando comparadas ao primeiro semestre do ano anterior à pacificação, 2007.

A secretaria destaca ainda que nos seis primeiros meses de 2007 houve 176 mortes violentas nas 36 áreas que contam com UPPs. No mesmo período de 2015, com unidades instaladas, foram 73.

O governo diz que vem tomando uma série de medidas para baixar os índices citados: a oferta de carabinas como alternativa ao uso dos fuzis, a construção de 85 novas bases para os policiais de UPPs no interior das comunidades e o treinamento dos policiais das unidades no Comando de Operações Especiais.

Segundo a secretaria, os PMs estarão preparados para confronto com traficantes.

A secretaria prevê para o segundo semestre deste ano o aumento do efetivo da Polícia Militar, com a formatura de 2.000 policiais.



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