08 de Junho, 2012 - 12:22 ( Brasília )

Geopolítica

Chanceler da Colômbia afirma que cartéis colombianos atuam na Bolívia


Cartéis colombianos do narcotráfico operam atualmente na Bolívia, afirmou em 5 de junho a chanceler da Colômbia, María Angela Holguín, após assinar um acordo de cooperação em matéria de defesa com o governo de Evo Morales.

“Sabemos da presença de cartéis do narcotráfico” na Bolívia, Holguín declarou à imprensa na cidade boliviana de Tiquipaya – onde foi realizada até 5 de junho a assembleia anual da OEA – esclarecendo no entanto que tais cartéis não foram precisamente identificados.

Sua versão contrasta com reiterados informativos oficiais bolivianos, que negam a existência de máfias colombianas, mexicanas ou brasileiras no país.

“A informação é generalizada. Não sei dizer exatamente quais são eles”, disse Holguín antes de reafirmar: “são cartéis de colombianos que estão aqui na Bolívia”.

A ministra explicou o fato através das “conquistas” obtidas por Bogotá na luta contra o narcotráfico. “Nosso sucesso prejudica os outros, porque na medida em que se consegue avançar na Colômbia, ele (o narcotráfico) se expande para outros países”, afirmou.

Holguín assinou em 5 de junho, com seu homólogo boliviano David Choquehuanca, um convênio de cooperação em matéria de defesa e luta contra a criminalidade e o narcotráfico conhecido como “mecanismo dois mais dois”, que envolve autoridades de Relações Exteriores e de Defesa e Segurança de ambos os países.

Ela destacou que se trata de um mecanismo que reforçará o combate ao narcotráfico e ao crime organizado e que faz parte de um esforço regional para enfrentar a criminalidade internacional.

“Nossa política é colaborar com outros países porque esta luta é uma luta regional. Nenhum país pode lutar sozinho contra essas redes”, declarou.

Segundo dados da ONU, a Bolívia é o terceiro produtor mundial de cocaína, depois do Peru e da Colômbia.

O último boletim desta instituição indica que na Bolívia cultivam-se mais de 31 mil hectares de coca, 12 mil deles destinados ao uso permitido do produto (para mastigação ou uso em rituais ou medicinal), e o restante para a fabricação de cocaína.