01 de Junho, 2015 - 12:10 ( Brasília )

Geopolítica

Rússia manipulou imagens de satélite do voo MH17, diz relatório

Análise feita por plataforma investigativa independente aponta que fotos apresentadas pelo Ministério da Defesa russo foram datadas incorretamente e digitalmente manipuladas. Objetivo seria incriminar governo ucraniano.

O governo russo manipulou imagens de satélite relacionadas à queda do voo MH17 a fim de incriminar o governo ucraniano, indica uma análise feita por jornalistas investigativos independentes. Segundo o relatório de investigação citado pelos portais alemães Zeit Online e Spiegel Online nesta segunda-feira (1º/06), a "análise forense" mostrou de "forma clara e inequívoca" que as fotos de satélite foram datadas incorretamente e alteradas com o software Adobe Photoshop CS5.

A equipe da plataforma investigativa Bellingcat examinou duas fotos de satélite do Ministério da Defesa russo, que tinham como objetivo comprovar a presença da Força Aérea da Ucrânia na área no dia da queda do voo MH17.

O Boeing 777 da Malaysia Airlines caiu em 17 de julho de 2014 no leste ucraniano, palco de um conflito entre tropas da Ucrânia e separatistas pró-Rússia. Moscou divulgou as imagens de satélite em questão em 21 de julho, durante uma coletiva de imprensa.

Lançador de mísseis

Segundo o governo russo, uma das imagens mostraria que, no dia do incidente, pelo menos um lançador autônomo de foguetes Buk das Forças Armadas da Ucrânia não estaria mais na base militar ao norte de Donetsk. A outra imagem indicaria que dois lançadores autônomos de foguetes e outro veículo militar ucraniano estavam estacionados ao sul do vilarejo de Zarochinskoye.

"Estes propulsores são capazes de atingir alvos que estão a 35 quilômetros de distância e 22 quilômetros de altitude", disseram as autoridades russas. Dessa forma, os lançadores de foguetes estariam próximos o suficiente para abater o voo MH17.

A análise da equipe da Bellingcat aponta, no entanto, que as imagens de satélite apresentadas pelo Ministério da Defesa russo foram tiradas bem antes do dia da queda. A primeira foto foi registrada entre 1º e 18 de junho, e a segunda, antes de 15 de julho, escreveu o Spiegel Online.

As datas das imagens foram constatadas a partir de comparações com registros de satélites públicos do mesmo período, como, por exemplo, do aplicativo Google Earth. Além disso, as imagens foram posteriormente alteradas: os lançadores de mísseis Buk foram removidos de uma fotografia e, subsequentemente, adicionados a outra, afirmou o Zeit Online.

Quase 300 mortos

A queda do Boeing 777 da Malaysia Airlines com o número de voo MH17 no leste ucraniano resultou na morte de todas as 298 pessoas a bordo. O avião havia partido de Amsterdã com destino a Kuala Lumpur, capital da Malásia.

Como a maioria das vítimas era holandesa, o país foi encarregado de investigar as causas da queda. Segundo um relatório publicado pelo Dutch Safety Board (conselho investigativo de segurança holandês), a aeronave foi atingida por " um grande número de objetos". Segue incerto quem derrubou o avião. O relatório final deve ser apresentado em meados deste ano.

O governo ucraniano e vários países ocidentais acusam a Rússia de ter fornecido sistemas de defesa de mísseis aos separatistas, sendo assim corresponsável pelo desastre. Moscou e os rebeldes separatistas negam e, por sua vez, culpam o Exército ucraniano.

Malaysia Airlines anuncia que está "tecnicamente falida"

O novo presidente da Malaysia Airlines, Christoph Mueller, afirmou nesta segunda-feira (1°/06) que a empresa está "tecnicamente falida", mas pode se recuperar e voltar a ser uma das principais companhias áreas do Sudeste Asiático em 2018.

A empresa vai cortar 6 mil de seus 20 mil funcionários, como parte de um drástico programa de austeridade, informou Mueller. "Eu estou consternado por termos de nos desligar de 6 mil funcionários", disse o ex-chefe da irlandesa Air Lingus.

Contratado desde 1° de maio para tirar a empresa malaia da crise, o executivo explicou que a reestruturação é um "reajuste duro" para a companhia aérea, que terá de reduzir seus custos em 20%.

Todos os 20 mil funcionários receberam cartas de demissão. No entanto, a 14 mil deles serão recontratados por uma nova companhia que deverá assumir o controle da Malaysia Airlines.

Memória das tragédias

Mueller não informou se a companhia vai adotar um novo nome ou logomarca, mas afirmou que o problema da Malaysia Airlines é que os passageiros regularmente associam a empresa a duas tragédias que ocorreram no ano passado, dos voos MH370 e MH17.

Em 8 de março de 2014, o voo MH 370 desapareceu em rota para Pequim com 239 pessoas a bordo, e as buscas estão em andamento até hoje. Em julho de 2014, outro avião da empresa, do voo MH17, foi abatido sobre a Ucrânia, matando todas as 298 pessoas a bordo.

Os acidentes do ano passado foram um golpe fatal para a companhia, que sofria para se impor diante da concorrência. Desde então, a Malaysia Airlines tem sobrevivido graças à injeção de dinheiro por parte do governo em Kuala Lumpur.