17 de Dezembro, 2013 - 13:25 ( Brasília )

Geopolítica

Envio de mísseis russos à fronteira europeia preocupa EUA

Rússia desloca mísseis para perto das fronteiras da UE

Os Estados Unidos manifestaram sua preocupação com a Rússia por seus planos de enviar mísseis com capacidade nuclear para as fronteiras com os estados vizinhos, declarou uma porta-voz do departamento de Estado americano nesta segunda-feira.

"Pedimos à Rússia que não tome passos para desestabilizar a região", disse a porta-voz Marie Harf, acrescentando que os Estados Unidos também transmitiram a Moscou a preocupação dos países vizinhos com os planos de envio de mísseis Iskander-M à região de Kaliningrado.

A Polônia e os três países bálticos também se mostraram alarmados, nesta segunda-feira, porque os mísseis ficarão mais perto de suas fronteiras. "Sabemos que os países vizinhos expressaram sua preocupação com isso, e continuaremos falando com eles" sobre o tema, afirmou Harf.

Nesta segunda, o ministério russo da Defesa confirmou o envio de baterias de mísseis de curto alcance Iskander-M para a região ocidental, na fronteira com a Europa. O movimento da Rússia é uma resposta ao projeto da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan), liderado pelos Estados Unidos, para instalar um escudo antimísseis na Europa. A previsão é que, até 2018, pelo menos 24 mísseis interceptores SM3-IIA sejam enviados para a Polônia, e igual número para a Romênia.

A Aliança Atlântica explicou que esse escudo se destina a proteger os países europeus membros da Otan, frente a uma eventual ameaça balística do Irã. Para a Rússia, trata-se de uma ameaça à sua própria segurança.

A avançada versão dos mísseis russos tem alcance de 500 quilômetros e pode ser usado potencialmente para eliminar um radar de terra e os interceptores do novo escudo da Otan.

Os mísseis estão instalados "há algum tempo", de acordo com uma fonte do Izvestia, um alto funcionário do Ministério da Defesa não identificado pelo jornal. Outra fonte militar cujo nome não foi divulgado disse que eles foram deslocados para o enclave há 18 meses.

A reportagem do Izvestia surge depois de uma notícia do jornal alemão Bild, no sábado, segundo o qual imagens secretas de satélite mostravam mísseis Iskander-M estacionados perto da fronteira polonesa.

As informações causaram alarme na Polônia e nos países bálticos, que temem movimentações militares russas, depois de décadas de domínio pela União Soviética. Seu temor é agravado pela tensão entre a Rússia e o Ocidente por causa da Ucrânia. "Nós seguimos esses acontecimentos há bastante tempo, e não é surpresa para nós", disse à Reuters o ministro da Defesa da Letônia, país do Báltico, Artis Pabriks.

Mas ele acrescentou: "Cria tensão política desnecessária e suspeitas e reduz a confiança mútua porque nós não vemos razão por que a Rússia precisaria desse tipo de armas aqui. Acho que é só para mostrar quem é o chefe na região."

A Rússia afirmou em 2011 que poderia levar Iskanders para Kaliningrado, sua região mais ocidental, como parte de uma resposta ao escudo antimísseis que os Estados Unidos estão construindo na Europa com a ajuda de outros países da Otan. Depois, surgiram informações na mídia sobre planos de deslocar os mísseis para lá, mas nunca houve uma confirmação.

O Ministério de Relações Exteriores da Polônia afirmou nesta segunda-feira que não recebeu informação oficial da Rússia e qualificou as notícias de "preocupantes". O ministério afirmou que espera manter consultas sobre o assunto na Otan e com parceiros da União Europeia.

Escudo antimísseis

Ao ser perguntado sobre as notícias desta segunda-feira, o porta-voz do Ministério da Defesa da Rússia, Igor Konashenkov, disse a agências de notícias russas que Iskanders haviam sido deslocados para a parte oeste da Rússia, mas não especificou o lugar. Konashenkov disse que a instalação dos mísseis não viola tratados internacionais. Ele não pôde ser localizado pela Reuters para comentar o assunto.

A Rússia, país detentor de arsenal nuclear, diz temer que o escudo antimísseis ocidental na Europa tenha como objetivo minar sua segurança, alterando o equilíbrio estratégico do pós-guerra fria.

Com agências AFP/Reuters