COBERTURA ESPECIAL - Embraer - Segurança

14 de Dezembro, 2013 - 21:00 ( Brasília )

EMBRAER - Grupo Invade e Explode caixas na sede em São José dos Campos

Grupo formado por, ao menos, nove criminosos portava fuzis de assalto calibre 223 e pistolas 9 mm, de uso restrito das Forças Armadas; polícia vai investigar relação com outros ataques ocorridos na região


Bruno Castilho
Especial para O VALE

Uma quadrilha formada por, ao menos, nove criminosos com armas de uso restrito explodiu na madrugada de sexta-feira (13 Dez), em São José dos Campos, seis caixas eletrônicos instalados na Embraer.

Durante a ação, que durou cerca de 20 minutos, dois funcionários terceirizados foram feridos por tiros. Os dois passam bem.

O valor levado pelos criminosos não foi divulgado. Ontem foi dia do pagamento do adiantamento salarial dos trabalhadores. Com a explosão, R$ 2.950 em dinheiro foram destruídos. Os bandidos também deixaram R$ 6.280, além de pé de cabra, celular, mochila e outros objetos.

A ação dos criminosos deixou os trabalhadores preocupados. “Nós nunca imaginaríamos isso aqui dentro da Embraer. O local onde estavam os caixas está isolado. Acordar com essa notícia assusta”, afirmou um funcionário que não quis se identificar.

O vice-presidente do Sindicato dos Metalúrgicos de São José, Herbert Claros, vai se reunir com o setor de RH da empresa na próxima segunda-feira para cobrar explicações e pedir mais segurança aos funcionários.

“Quando tem greve, a empresa dobra o número de seguranças. Mas no dia a dia, ainda mais nessa época, não tem.”

Investigação.

O caso será investigado pela DIG (Delegacia de Investigações Gerais) de São José, que solicitou imagens das câmeras de segurança da empresa e também do COI (Centro de Operações Integradas). Um dos focos da investigação será a possível ligação com os casos de explosão de caixas eletrônicos nos últimos dias. Nesta semana foram explodidos caixas em Jambeiro e em um Mercadinho de São José. Na semana passada, ataques aconteceram na Avibras e na Praça dos Três poderes, ambos em Jacareí.

De acordo com a Polícia Militar, foram registrados 26 casos de explosões de caixas eletrônicos na região este ano. No ano passado, de um total de 47 ataques, 31 foram registrados como furtos ou roubos consumados.

Ação.

Os criminosos chegaram ao local por volta de 4h30 [TXT]em três carros. Eles renderam os vigias e conseguiram acesso aos caixas, que ficam a 500 metros da portaria principal. Usando pé de cabra e dinamite, estouraram seis caixas, dois do banco Santander e quatro do Banco do Brasil.

Os bandidos renderam ainda os motoristas de um ônibus e de uma carreta e usaram os veículos para fechar as avenidas dos Astronautas e Brigadeiro Faria Lima, que dão acesso à Embraer.

Após o assalto, o grupo fugiu em direção ao Putim. Os veículos, que de acordo com a polícia são roubados, foram deixados no bairro residencial São Francisco.
Os carros assim como os objetos recolhidos, foram encaminhados para análise da Polícia Civil. A perícia recolheu cartuchos de munição de fuzil calibre 223 e pistola 9mm.

Ajuda.

Em nota, a Embraer afirmou que está prestando todo o apoio necessário às investigações policiais e às pessoas afetadas pelo ocorrido.

Febraban cobra maior controle sobre explosivos

A Febraban (Federação Brasileira de Bancos) cobrou ontem, por meio de nota, maior rigor no controle sobre explosivos no país. A entidade pede que os bandidos sejam impedidos de ter fácil acesso aos explosivos, o que estaria acontecendo há pelo menos três anos.

A Febraban afirmou também que, mesmo com os R$ 8,3 bilhões investidos pelos bancos em segurança, “os bandidos estão usando armamentos de elevado poder de destruição, fazendo com que a ação de segurança aos estabelecimentos comerciais seja insuficiente frente à violência.”

A Febraban ainda informou que está comprometida, junto com os bancos associados, a dar sua contribuição no conjunto de ações de segurança pública. Também por meio de nota, o Banco do Brasil e o Santander se pronunciaram ontem. O Santander informou que está colaborando com as investigações policiais.

Já o Banco do Brasil informou que trabalha para inibir tais ações, investindo em segurança através de novas tecnologias disponíveis no mercado, de acordo com as necessidades identificadas. A nota também diz que o banco adotou equipamentos e procedimentos que vão além do mínimo exigido por lei como forma de tentar conter os ataques, porém, o alto poder destrutivo dos explosivos tem causado grandes danos ao banco e à comunidade.

Nota da EMBRAER na íntegra:

"A Embraer confirma que, na madrugada desta sexta-feira (13), um grupo fortemente armado invadiu a sede da Empresa, em São José dos Campos (Av. Faria Lima, 2.170), e após render os funcionários que faziam a segurança, explodiu caixas eletrônicos, fugindo na sequência.

Na ação criminosa, dois funcionários de empresas terceirizadas foram feridos. Ambos foram rapidamente atendidos e passam bem.

O fato foi imediatamente comunicado às autoridades policiais, que estão no local desde as primeiras horas do dia para tomar as providências cabíveis. A Embraer está prestando todo o apoio necessário às investigações policiais e às pessoas afetadas pelo ocorrido."

O Banco Santander também confirmou ter sido vítima do ataque do grupo armado e "informa que está colaborando com as investigações policiais.”

O ASSALTO

Ação

Os bandidos chegaram na Embraer por volta das 4h30. Eram nove homens fortemente armados que fecharam as avenidas de acesso à empresa e, logo depois, renderam os vigias das guaritas

Explosão

Seis caixas eletrônicos foram explodidos. A quantia roubada ainda não foi confirmada, mas os bandidos deixaram para trás R$ 6.280. Outros R$ 2.950 foram destruídos

Provas

A polícia recolheu as munições encontradas no chão da empresa, além de pé de cabra, mochila, celular e outros materiais que podem ser usados na investigação. As imagens das câmeras de segurança também serão analisadas

Outros casos

A Polícia Civil vai verificar se esse caso tem ligação com outras explosões que aconteceram nesta semana e na semana passada na região

FRASES

Nunca imaginaria que isso aconteceria aqui dentro da Embraer. Nós nem conseguimos ver o local porque está isolado, mas pelo que fiquei sabendo eles estavam fortemente armados”
Funcionário da Embraer, que não quis se identificar


“Eu sou do Rio de Janeiro e falam que lá é uma cidade perigosa, mas acho que as coisas estão começando a mudar”
Funcionário da Embraer, que não quis se identificar

“Quando tem greve e o sindicato vem aqui, a empresa dobra o número de seguranças. Agora, no dia a dia, o número é mínimo. O que fica perigoso, ainda mais agora, na época de Natal, que tem muito dinheiro circulando”
Hebert Claros, Vice-presidente do Sindicato dos Metalúrgicos