COBERTURA ESPECIAL - Ecos - Guerras, Conflitos, Ações - Armas

01 de Março, 2014 - 12:25 ( Brasília )

Maior explosão causada pelo homem completa 60 anos

Bomba nuclear era centenas de vezes mais poderosa que a que destruiu Hiroshima, no Japão, em 1945; 60 anos depois, principais potências mundiais tentam desacelerar o desenvolvimento de armas atômicas

Em 1954, os Estados Unidos produziram a maior explosão causada pelo homem no arquipélago de Bikini – parte das Ilhas Marshall, no Oceano Pacífico. Acredita-se que a bomba de hidrogênio tenha sido mil vezes mais poderosa do que a que destruiu Hiroshima, no Japão. Ela não só destruiu uma ilha como deixou uma cratera de 53 metros de profundidade.

O impacto foi tão violento que sobrecarregou os instrumentos de medida, indicando que a bomba de 15 megatons era muito mais forte do que os cientistas esperavam. Um dos atois foi completamente vaporizado, desaparecendo em uma nuvem de cogumelo gigante que se espalhou por pelo menos 160 quilômetros.

Os testes começaram em Bikini em 1946, depois que os nativos foram realocados para a ilha de Rongerik, depois para Ujelan e um ano depois, para kili, em 1949.

Este foi o segundo teste da bomba de hidrogênio naquela área. Um artefato de 10,4 megatons explodiu em 1º de novembro de 1952 em Enewatak, a oeste de Bikini.

Os habitantes do arquipélago

Entre 1946 e 1958, 23 dispositivos nucleares foram detonados no Atol de Bikini. Os habitantes micronésios, que eram cerca de 200 antes de os Estados Unidos os realocarem após a Segunda Guerra Mundial, consumiam peixe, frutos do mar, bananas e cocos. Em 1968, os Estados Unidos declararam Bikini uma terra habitável e começaram a trazer os bikinianos de volta para casa no começo dos anos 70.

Em 1978, no entanto, os habitantes foram removidos novamente quando o estrôncio 90 (material radioativo) em seus corpos atingiu níveis perigosos. Eles processaram os Estados Unidos e foram indenizados em 100 milhões de dólares.

Somente em 1997, um grupo especial de cientistas da AIEA (Agência Internacional de Energia Atômica) determinou queseria seguro caminhar em qualquer lugar das ilhas.

O local foi declarado Patrimônio da Humanidade pela Unesco, em 2010 por "conservar evidências tangíveis diretas e significantes do poder dos testes nucleares".

Século 21: pacto pelo desarmamento

Agora, no século 21, mesmo com a Guerra Fria encerrada há quase 25 anos, ainda há cerca de 7 mil ogivas nucleares espalhadas pelo mundo.

Apesar da dificuldade em conseguir informações confiáveis, os últimos relatórios mostram que a Rússia e os Estados Unidos continuam muito à frente do resto dos membros do Conselho de Segurança das Nações Unidas (ONU): China, França e o Reino Unido.

Os russos atualmente têm 4.650 ogivas estocadas e cerca de 7.350 à espera de desmantelamento. É uma grande queda em comparação com 1986, quando a contagem atingiu o pico de 45 mil ogivas.

As estimativas são de que os EUA tenham 2.150 ogivas ativas – em comparação com 31.255 em 1967. Ambos os países continuam mais armados do que a França (300 ogivas), China (240), e Reino Unido (225).

Estes países atuam em conjunto com os 185 que assinaram o Tratado de Não-Proliferação Nuclear – cujo objetivo é desacelerar o desenvolvimento de armas nucleares. Três países que reconhecidamente têm bombas, mas que nunca assinaram o tratado são: Índia, Israel e Paquistão.