26 de Dezembro, 2014 - 10:40 ( Brasília )

Defesa

Presidência da República anuncia Jaques Wagner para a Defesa


A Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República (Secom/PR) divulgou, no início da noite de 23DEZ14, o nome do novo ministro da Defesa para o segundo mandato da presidenta Dilma Rousseff.

Será o atual governador da Bahia, Jaques Wagner, que substitui Celso Amorim. Amorim parabenizou Jacques Wagner, afirmando que se trata de um “excelente nome” para a Defesa. O atual titular disse que prestará “total colaboração” ao ministro escolhido durante o processo de transição do cargo.

Biografia*

Nascido no Rio de Janeiro, em 16 de março de 1951, filho de Joseph Wagner e Cypa Perla Wagner, imigrantes judeus poloneses, é casado com Maria de Fátima Carneiro de Mendonça e tem três filhos e um enteado.

Carreira política*

Sua atividade política se inicia a partir de 1969 no movimento estudantil, quando presidiu o diretório acadêmico da Faculdade de Engenharia Civil da Pontifícia Universidade Católica (PUC-RJ). Entretanto, em 1973, Jaques Wagner passou a ser perseguido pela ditadura militar e teve que abandonar o curso de Engenharia, que nunca completou e sair do Rio de Janeiro.

No ano seguinte mudou-se para Salvador e ingressou na indústria petroquímica no polo de Camaçari, no litoral da Bahia. Lá Wagner se tornou técnico em manutenção. Começou a atuar no Sindicato dos Trabalhadores da Indústria Petroquímica (Sindiquímica-BA), do qual foi diretor e presidente de 1987 a 1989.

Conheceu Luís Inácio Lula da Silva num congresso de petroleiros e, em 1980, ingressou no Partido dos Trabalhadores (PT). Nessa época, foi um dos fundadores do PT e da Central Única dos Trabalhadores (CUT) no estado.

Filiado ao partido desde então, Jaques Wagner foi eleito deputado federal em 1990. Depois de três mandatos como deputado, concorreu a prefeitura de Camaçari e ao governo da Bahia em 2000 e 2002 respectivamente, e ambos foi derrotado.

Então, foi acomodado por Lula como Ministro do Trabalho e posteriormente, em 2005, tornou-se ministro das Relações Institucionais, assumindo a coordenação política do governo e suas relações com o Congresso Nacional. Ainda comandou a Secretaria Especial do Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social da Presidência da República.

Jaques Wagner foi eleito governador do estado, em outubro de 2006, apoiado por uma coligação formada pelo PT, PV, PPS, PCdoB, PTB, PMN e PMDB. Este último indicou o candidato a vice-governador, o ex-deputado estadual Edmundo Pereira.

A coligação não teve candidato a senador, mas apoiou informalmente o ex-governador João Durval Carneiro, que também é pai do ex-prefeito da capital, Salvador, João Henrique Carneiro.

Apesar de as pesquisas indicarem uma vitória no primeiro turno e com ampla vantagem do seu adversário e predecessor no cargo, Paulo Souto, Jaques venceu com 52,89% dos votos válidos, num total de 3.242.336 votos retirando, pela primeira vez a hegemonia do carlismo nas eleições da Bahia.

Muitos acreditam que a vitória de Wagner se deveu ao alinhamento com o presidente Lula, que neste período, detinha imensa aprovação do povo brasileiro, devido a melhora na economia, aos programas de transferência de renda e ao aumento do poder de compra da maioria da população, que acabou criando uma nova classe média, a chamada classe C .

Jaques Wagner em 2007.

A vitória de Jaques Wagner foi apontada pela imprensa nacional como o fim do carlismo, ou seja, da forte influência do ex-governador Antônio Carlos Magalhães (ACM) na estrutura de governo do estado da Bahia.

O próprio Jaques Wagner tratou de explicar, numa entrevista concedida à revista Caros Amigos, que sua vitória não foi surpresa para ele, uma vez que o grupo liderado pelo senador Antônio Carlos Magalhães arregimentava sempre cerca de 30 por cento dos votos em todas as eleições.

Em dezembro de 2006, seguindo o modelo do governo Lula, Wagner anunciou que pretende ter sob sua responsabilidade direta a administração dos recursos financeiros estaduais destinados a ações sociais.

Em 2010, Jaques foi reeleito governador da Bahia, em primeiro turno, com 63,83% dos votos válidos .

Em 2012, a população de Salvador lançou um manifesto com abaixo-assinado defendendo a adoção do Metrô ou do Veículo Leve sobre Trilhos na av. Paralela e Região Metropolitana de Salvador . Contudo, eram necessários investimentos em vários modais de transporte e não apenas no modal de trilho para resolver os problemas de mobilidade na cidade.

Apesar de os grandes hospitais baianos estarem em uma situação caótica, uma das obras mais elogiadas da gestão Wagner é o Hospital do Subúrbio.

Inaugurado em 2010, no subúrbio da cidade de Salvador, foi o primeiro hospital do país a ser construído em parceria público-privada (PPP). Com um atendimento considerado de excelência, o centro de saúde realiza inúmeros procedimentos, tem equipamentos de ponta e é administrado pela iniciativa privada em um regime de concessão.

Apesar do atendimento de excelência, principalmente em uma região pobre e periférica, o que não é usual na Bahia, o hospital ainda é uma obra criticada pelo fato de ter sido concedido. Opositores da política do governo acreditam que foi uma forma de privatização do setor da saúde. A instituição fica em um local não muito acessível e de difícil acesso, mas devido ao bom atendimento, tem sempre grande demanda.

Conflitos com o funcionalismo público estadual*

Em 2012, ocorreram greves da Polícia Militar e dos Professores do Estado, essa última com duração de 115 dias (a maior da história da Bahia ), as quais desgastaram a imagem de Wagner.

Apesar de durante o movimento paredista dos policiais terem sido registrados no estado 172 homicídios, o fato de o líder da greve, o vereador Marco Prisco, ter sido flagrado combinando atos de vandalismo para potencializar o movimento grevista, de certa forma, diminuiu a atenção negativa dada para Jaques Wagner durante o episódio.

No entanto, ainda assim, seus opositores políticos e parte da sociedade continuam achando que o governador geriu a questão de forma ineficiente. Logo depois que a greve acabou, Wagner se defendeu e exaltou a forma como o seu governo lidou com a paralisação policial.

Em 2014, a Polícia Militar realizou outra greve no estado, que só durou três dias. Assim que o movimento começou, Wagner pediu a ajuda da Força Nacional, que se deslocou para a Bahia, apesar de não ter diminuído a insegurança da população. Durante o período de paralisação ocorreram 59 homicídios e 156 carros roubados.

Desta vez, a imagem do governante não ficou tão arranhada, principalmente devido à prisão de Prisco, mas trouxe novamente à tona a questão da falência da Segurança Pública no estado, considerado o "calcanhar de aquiles" do governador e que fica como legado para o candidato do PT ao governo da Bahia, Rui Costa (eleito na sucessão estadual). No entanto, Wagner e o secretário de segurança pública do estado, Maurício Barbosa, sempre argumentam que a violência aumentou em todo o Brasil e que o caso da Bahia não é especial.

@JaquesWagner - Twitter pessoal e oficial do Governador Jaques Wagner

 

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