COBERTURA ESPECIAL - Base Industrial Defesa - Naval

14 de Novembro, 2019 - 00:22 ( Brasília )

Empresários e Marinha do Brasil montam cluster para retomada da indústria naval do Rio de Janeiro

O lançamento do Cluster Naval do RJ reuniu representativas figuras do mundo militar e empresarial na FIRJAN.


 Nelza Oliveira
Especial para DefesaNet

 

Foi lançada na manhã de quarta-feira (13NOV2019) a Associação do Cluster Tecnológico Naval do Rio de Janeiro, na Casa FIRJAN, Zona Sul da cidade, iniciativa de empresários e da Marinha do Brasil, reunindo a EMGEPRON (Empresa Gerencial de Projetos Navais), a NUCLEP (Nuclebras Equipamentos Pesados SA), a AMAZUL (Amazônia Azul Tecnologias de Defesa S.A) e a CONDOR Tecnologias Não Letais. O Cluster, como é chamada a concentração de empresas com características semelhantes em busca de mais eficiência e colaboração com as outras, vai unir esforços para a retomada da indústria naval, militar e mercante, do Rio de Janeiro.

O presidente da FIRJAN, Eduardo Eugênio Gouveia Vieira, recepcionou as autoridades:

- Alm Esq  Ilques Comandante da Marinha do Brasil;
- Alm Esq Karam ex-Comandante da Marinha do Brasil;
- Alm Esq Moura Neto ex-Comandante da Marinha do Brasil;
- VAlm Edésio Teixeira Lima Jr Diretor-Presidente EMGEPRON;
- VAlm Antonio Catlos Guerreiro Diretor-Presiente AMAZUL;
- Dr Marcos Rosas Degaut Pontes Secretário Produtos de Defesa do Ministério da Defesa SEPROD, e,
- Empresário Carlos Erane de Aguiar, presidente Condor não-letal.


“Eu não preciso dizer a vocês que a FIRJAN está pronta, que é parceira nessa questão. Temos óleo e gás, esses programas da Marinha que têm a maior importância. Temos toda a nossa história. O Rio de Janeiro é o berço da indústria naval”, disse o presidente da FIRJAN, Eduardo Eugênio Gouveia Vieira, na abertura do evento.

O almirante Edésio Teixeira Lima Junior, presidente da EMGEPRON e que foi eleito vice-presidente do Conselho de Administração do Cluster Naval, lembrou que a Marinha já vem trabalhando em modelos alternativos para incentivar a indústria naval no Brasil, dando como exemplo o desenvolvimento do projeto de construção das Fragatas da Classe Tamandaré. O almirante explica que antes da EMGEPRON, para a Marinha conseguir seus meios para os projetos de construção naval, precisava de uma operação de crédito, um financiamento internacional e aprovação dentro do governo com o espaço orçamentário disponível.
 
“Essa situação ficou mais complicada com o limite de gastos orçamentário. A única exceção prevista na lei era capitalizar uma empresa pública independente. E isso foi o motivo que levou a capitalização da EMGEPRON. A nossa estimativa para construir as fragatas da classe Tamandaré é da ordem de 9,8 bilhões de reais. Esses recursos já estão praticamente assegurados por lei no orçamento. E nós vamos dispender esses recursos ao longo de nove anos. Então hoje a orçamentação e os recursos para obter os navios não nos preocupa mais”, garantiu o Almirante Edésio ao DefesaNet.

A Marinha agora também tem outros planos para incentivar a indústria naval no Estaleiro e Base Naval (EBN) no município de Itaguaí, região metropolitana do Rio de Janeiro. A ideia é continuar aproveitando a grandiosidade da estrutura montada para a construção dos quatro submarinos convencionais e um movido à propulsão nuclear.  
 
“Nós estamos trabalhando para mudar o objeto da Sociedade de Propósito Específico (SPE). Com essa mudança, que deve ser processada em dezembro, nós teremos condições de fazer a venda de submarinos, de manutenção e construção de navios específicos, fragatas. A ideia é que possamos ampliar as opções de trabalho para Itaguaí. Vamos poder vender submarinos da Classe Scorpene, fazer manutenção de submarino de qualquer classe, enfim, potencializar flexibilizando as orientações jurídicas que respaldam essa SPE”, contou o Comandante da Marinha, Almirante Ilques Barbosa Jr., para o DefesaNet.




Alm Esq Ilques fala durante o lançamento do Cluster Naval Rio de Janeiro  Foto Paula Johas - Firjan


O Comandante também falou sobre os rumores de venda de submarinos Scorpene brasileiros para o Peru, esclarecendo que a Marinha de fato assinou um acordo com a Marinha de Guerra do Peru no sentido de ver a possibilidade de venda de submarinos da IKL-209 (classe “Tupi”).  

Na verdade, a palavra certa é cessão, por ser um bem público, repasse. E a opção no futuro é de submarinos Scorpene”, completou o Almirante Ilques.

O Cluster Naval lançado hoje pretende estimular a economia do mar, inclusive nas áreas de turismo e gastronomia, venda de cartas náuticas, levantamentos hidrográficos, dragagens, manutenção de embarcações, alienação de meios navais, docagens e perícias, além de subsidiar e fortalecer a plataforma de exportações da base industrial de defesa.

“O lançamento do Cluster é uma sinalização para estimular uma matriz de variáveis que são os empresários que atuam tanto no ponto de vista do turismo, da construção naval, do entretenimento, para que eles possam fundir as informações propiciando que esse Cluster marítimo de lazer em Angra dos Reis, em Búzios, cada vez mais propicie emprego e renda. Essa é a finalidade do Cluster Marítimo que precisa muito da mentalidade marítima”, afirmou o Comandante da Marinha.

Para os envolvidos, o Rio de Janeiro tem tudo para o sucesso do Cluster. O  Estado caminha para se tornar um dos maiores produtores de petróleo do mundo com o pré-sal, conta com parceria acadêmica das melhores instituições de estudos do Brasil, inclusive militares, incluindo IME, EGN e UFRJ, e o Arsenal da Marinha. Além disso, mão de obra qualificada e uma capacidade instalada de estaleiros. Sem falar do apoio de Institutos de Inovação e Tecnologia do sistema FIRJAN/SESI/SENAI e Sebrae-RJ, que já atua na qualificação dos fornecedores na cadeia produtiva do setor de Defesa e na capacitação de pequenas empresas para atuarem na Economia do Mar.

O Cluster Tecnológico Naval terá também como foco a promoção do mercado interno, capacitação e formação, inovação e tecnologia, valorização do mercado local e encadeamento produtivo entre pequenas, médias e grandes empresas. A ideia é mobilizar as sete cidades no entorno da Baía de Guanabara (Rio, Niterói, Magé, Duque de Caxias, São Gonçalo, Guapimirim e Itaboraí), com o Estado do Rio e a União, para criar mecanismos e possibilitar ações em prol do desenvolvimento da indústria marítima como um todo.



 


“Aqui tem construção naval, tem reparo naval, tem turismo, tem lazer, tem todo um conjunto de atividades que fortalece o Cluster. O que precisamos agora, com o respaldo do poder político, é cada vez mais interagirmos. O governo do estado está trabalhando nisso, o governo federal também. E a Marinha do Brasil está simplesmente fazendo um catalizador. A Marinha estimula o que é importante para a mentalidade marítima”, finalizou o Almirante Ilques.
 
Na ocasião, tomaram posse os Conselhos de Administração e Fiscal. O presidente executivo do Cluster foi o almirante da reserva Walter Lucas da Silva e o empresário Carlos Erane Aguiar, que também preside o SIMDE (Sindicato das Indústrias de Material de Defesa), ocupou a presidência do Conselho de Administração.
 
A primeira ação do Cluster Naval acontecerá será o 1º Seminário Internacional - A Economia do Mar como Política de Desenvolvimento, na Escola de Guerra Naval, na Praia Vermelha, no dia 21, com o apoio da ABIMDE, SIMDE, ICN, Fórum de Desenvolvimento da ALERJ e do Governo do Estado do Rio de Janeiro.



 


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