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14 de Fevereiro, 2013 - 12:30 ( Brasília )

Patriota: Uma Estranha Visita a Caracas

A visita do Chanceler Patriota a Caracas mais a reunião no Institulo Lula mostram os esforços do Brasil em salvar o regime Bolivariano

Agência DefesaNet


O Chanceler Antonio Patriota fez escala em Caracas, dias 8 e 9FEV13, na sua ida a Nova York para participar da no Debate do Conselho de Segurança das Nações Unidas sobre Proteção de Civis em Conflitos Armados.

A sua chegada à Caracas, na noite do dia 08FEV13 foi discreta, porém no Sábado o governo Bolivariano da Venezuela, fez de Patriota o avalista, como se o governo brasileiro assinava à esquerda da duplicata, em que os atuais líderes bolivarianos tentam impingir um governo Chavista Virtual.

Oficialmente a visita era para o contato entre os dois chanceleres, o brasileiro   Antonio de Aguiar Patriota e o seu par venezuelano, Elías José Jaua Milano. Segundo o próprio Itamaraty os dois passariam em revista os principais temas da agenda bilateral e regional, com ênfase na incorporação da Venezuela ao MERCOSUL.

Nas palavras do próprio Itamaraty: “A cooperação bilateral é importante componente da relação entre o Brasil e a Venezuela, incluindo projetos de desenvolvimento social, tecnológico e de integração produtiva. Há perspectivas de ampliação da cooperação em áreas como agricultura familiar, biotecnologia, TV digital, sistemas bancários, segurança pública, combate ao narcotráfico e ilícitos internacionais.”

Um dia após o anúncio da desvalorização do Bolivar em 50% (4,30 para 6,30 por dólar) a visita de uma autoridade de peso como o  Chanceler Brasileiro era a melhor pedida. O câmbio alterado é especialmente para a importação de bens e pagamento de despesas no exterior, assim a tentativa de reduzir os gastos no estrangeiro e economizar  os preciosos dólares.

Após a reunião com  seu par venezuelano, Jaua, incluindo uma entrevista coletiva com a imprensa local, Patriota é levado para um reunião com VP virtual Nicolás Maduro.

O governo tenta manter uma naturalidade, mas nos bastidores age desesperadamente a procura de recursos. Além da desvalorização cambial outras medidas foram implantadas recentemente nos últimos 15 dias, como aumento de taxas e serviços.

Porém dois fatos são importantes:

1º - A estatal petrolífera PDVSA vai “emprestar” maior quantidade de dólares para o governo, e,
2º  - Tentar junto à China novos empréstimos, e como garantia, o pagamento em petróleo. 

Dos dois objetivos o governo conseguiu só o primeiro, pois a China negou novo empréstimo. Mesmo que o próprio Chanceler Jaua fosse enviado a China, no dia 31JAN13, e mantido negociações em Pequim e Shangai.

Nesse ambiente Patriota chega a Caracas. Além da situação política-financeira da Venezuela, há um outro ponto na agenda.

Nos dias 1 a 3FEV13 Patriota esteve na Alemanha, mais precisamente na Munich Security Conference. Além da  importância da participação, a primeira vez que o Brasil participa nas 49 edições do evento, foi a reunião reservada com o Chanceler russo  Sergey V. Lavrov.  Na agenda muitos pontos, além da visita do premiê Medvedev ao Brasil nos dias 19/20FEV13.

A Federação da Rússia joga toda a sua influência em manter uma forte presença, com qualquer tendência de governo, na Venezuela. No período pré-eleitoral os russos mantiveram contatos com o candidato oposicionista Capriles. Qual o objetivo russo no mar das caraíbas? Tentar, se possível, ter alguma influência sobre o país, que tem as maiores reservas de comprovadas de petróleo do mundo.

A União Soviética nunca teve influência nos países do Golfo Arábico, Arábia Saudita e seus vizinhos, cabendo aos Estados Unidos ocuparem o vácuo deixado pela Inglaterra, no pós Segunda Guerra Mundial.

Assim, o Brasil passou a ser fiador de um governo, que não existe e que está em rota de profunda crise econômica. E qual a perspectiva brasileira na Venezuela?

Além de ser o garantidor de um governo virtual, o Brasil agirá como player para ocupar influência e espaço na Venezuela ou tomará partido em apoio à Federação da Rússia.

Os chineses afirmaram que o jogo não era para eles. Ao contrário dos russos que estão sempre solícitos para dar mais prazo nos pagamentos de armamentos em atraso, os chineses exigem pagamento em dia. Caso contrário suspendem os embarques de peças e novas armas.

Terá o Brasil de preencher o cheque para tentar salvar um governo virtual, que mesmo com a receita do petróleo, com o barril a mais de U$ 100, a Venezuela pode estar a caminho da insolvência política e financeira.

Digno de nota é a postura do Chanceler Patriota na reunião com o seu par Jaua, com um caderno de notas sobre a perna como se anotasse os pedidos e demandas bolivarianas.

Outro ponto importante foi a reunião organizada pelo ex-presidente Luiz Inácio, no Instituto Lula. A presença de todo os membros das áreas de inteligência e defesa que participaram ou participam dos governos do PT, filiados ao partido, além do próprio embaixador da Venezuela, Sr Maximilien Arveláiz, e do principal interlocutor brasileiro com o regime bolivariano, o Sr Marco Aurélio Garcia.

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