COBERTURA ESPECIAL - America Latina

05 de Abril, 2015 - 10:00 ( Brasília )

Informe Otalvora - Rússia ameaça os EUA desde Nicarágua

Enquanto a Rússia negocia instalações militares nas Américas, o Secretário da UNASUL, Ernesto Samper, anuncia que incluirá na agenda da Cúpula do Panamá o fechamento das bases militares dos EUA no continentet

Nota DefesaNet

Para o texto original no Diario Las Americas acesse:

Rusia amenaza a EEUU desde Nicaragua link

O editor
 

Edgar C. Otálvora
Analista
@ecotalvora



Na quarta-feira (08ABR15), no Panamá iniciarão as atividades da VII Cumbre de las Américas,com a presença de representantes de 35 governos. A Cúpula Presidencial começa na noite de sexta-feira (10ABR15), embora alguns líderes, incluindo Barack Obama e Dilma Rousseff, adiantem as suas chegadas para participarem no Foro Empresarial, como ambos fizeram na Cúpula anterior. O foco da imprensa vai se concentrar em Obama e Raul Castro, que inevitavelmente irão encontrar-se. As chances de uma reunião bilateral formal  US-Cuba são mínimas, mas não deve ser descartada uma breve reunião informal. Nicolás Maduro também viaja para o Panamá em busca de atenção da mídia, em sua campanha de propaganda contra as sanções impostas pela administração Obama ao seu regime.

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De acordo com várias fontes diplomáticas, o texto da declaração a ser adotada no Panamá está quase pronto, embora possa ocorrer, que ainda não esteja totalmente  definida como aconteceu nas duas cúpulas anteriores. O tema oficial da Cúpula  é "Prosperidade com Eqüidade: O Desafio da Cooperação nas Américas". Uma longa lista de bons desejos será parte da declaração da Cúpula.

O Eixo Havana-Caracas traz no bolso algumas questões de confronto que dificilmente serão incluídos em uma declaração final. Enquanto isso, o presidente boliviano Evo Morales pediu que fosse organizado um jogo de futebol, dentro da agenda da Cúpula.

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A esquerda continental está se preparando para desenvolver uma intensa atividade de propaganda contra os EUA e em apoio aos governos de Cuba e Venezuela. Delegações de militantes e agentes castrochavistas estão prontos para participar da Cúpula oficial (no Fórum da Sociedade Civil e dos atores sociais) e uma "Cúpula Alternativa", organizado por Cuba e Venezuela, na Universidade do Panamá. Raul Castro enviará ao Panamá o cantor Silvio Rodriguez para incentivar o evento alternativo contra os EUA, que também planeja uma manifestação de rua contra Obama. O governo panamenho estabeleceu uma extensa área de segurança em torno do Centro de Convenções Atlapa, local da Cúpula, o que impediria os ativistas do castrochavismo de aproximarem-se para o protesto anunciado.

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A Nicarágua poderá tornar-se uma nova dor de cabeça para os EUA na região e uma ameaça potencial para a segurança continental. O país, sob o controle da dupla Daniel Ortega-Rosario Murillo, podereria tornar-se sede de bases militares russas, assunto do qual Moscou está dando grande importância nas suas relações com Manágua. Em 11JUL14, Vladimir Putin, que voava de Havana para Buenos Aires, interompeu a viagem para uma visita incomum, e sem aviso prévio, de várias horas, para Manágua.

O ministro da Defesa russo (12FEB15), Sergei Shoigu, jantou em Manágua com Ortega e Murillo, como parte de uma turnê que incluiu reuniões com Raul Castro e Nicolas Maduro em Havana e Caracas. Shoigu anunciou acordos com a Nicarágua para a "entrada simplificada de navios de guerra russos nos portos da Nicarágua". A 25MAR15, o sempre ocupado o chanceler russo, Sergey Lavrov chegou em Manágua depois de visitar Cuba e Colômbia. Lavrov participou da reunião presidencial do Sistema de Integração Centro-americana que reuniu-se na Guatemala, em 26MAR15.

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A primeira versão oficial da negociação com a Nicarágua para a instalação de bases militares russas no continente americano ocorreu em 2014. A agência de propaganda russa RT, circulou em 26FEB14,  uma mensagem com declarações Ministro Sergei Shoigu, que especificamente mencionava as negociações em curso com a Nicarágua, Venezuela e Cuba. Mais recentemente o Viceministro de Defesa, Anatoly Antonov, confirmou as negociações com a Nicarágua, Venezuela e Cuba. Antonov disse em 15FEB15, não seriam "bases militares", mas as instalações logísticas (fornecimento e suporte técnico) para belonaves russas, que estariam navegando em ágiuas americanas. No passado, tanto a Venezuela e a Nicarágua serviram de bases de apoio aos bombardeiros estratégicos Tupolev Tu-160 Blakjack russos que realizaram voos em 2008 e 2013.

A Rússia pode querer reproduzir na Nicarágua o esquema de instalações disponíveis no porto de Tartus, na Síria, onde várias centenas de oficiais e militares russos são responsáveis ??pelo reabastecimento e apoio técnico aos navios russos no Mediterrâneo. Oficialmente Rússia não considera suas instalações na Síria como uma "base militar", mas cumpre esse propósito.

Enquanto a Rússia negocia instalações militares nas Américas, o Secretário da UNASUL, organização sob o controle de países Castro-chavistas,  Ernesto Samper anunciou, em 30MAR15, a sua entidade incluíria na agenda da Cúpula do Panamá a questão do fechamento de bases militares dos EUA no Continente.

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O regime venezuelano continua a prática de presentear os governos "amigos", em busca de apoio para seu confronto com os EUA.

Quinze dias depois de tomar posse como primeiro-ministro de Saint Kitts e Nevis, o ex-ministro das Relações Exteriores,  deste micropaís do Caribe Oriental, Timothy Harris,  desembarcou na Venezuela convocado por Nicolás Maduro. Representantes dos países membros e beneficiários do programa Petrocaribe, chegaram a Caracas a partir de 05MAR15, para ouviros regulamentos que o governo Maduro impõe em seu esquema de preços de fornecimento de petróleo e políticas de pagamento. A reunião foi realizada em 06MAR15, os membros concordaram em criar um fundo de US $ 200 milhões para "execução de projetos de fontes complementares de energia." Caso confirme-se a proposta de Maduro, o dinheiro, obviamente, não vêm dos países que recebem ajuda venezuelana.

A idéia do fundo é parte dos movimentos castrochavismo em resposta à iniciativa de energia lançado por Washington, em 26JAN15, pelo vice-presidente dos EUA, Joe Biden, com líderes caribenhos que estão agora recebem pressões de Washington, Havana e Caracas. Na verdade, espera-se que Obama, em 09ABR15, viaje à Jamaica para uma reunião com os países do Caribe, a ser realizada horas antes de começar a Cúpula do Panamá.

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Em 17MAR15, 10 dias depois de sua primeira visita a Caracas como primeiro-ministro, Timothy Harris, retornou à Venezuela a bordo de jato do governo venezuelano. No Aeroporto de Maiquetia era esperado por oficiais do protocolo que rapidamente o levaram para o Palácio de Miraflores. Lá, ele fazia parte de uma reunião extraordinária da ALBA para apoiar o governo de Nicolas Maduro, com Raul Castro, Daniel Ortega, Evo Morales e outros líderes do Caribe. Sua fala, assim como seus colegas, foi transmitido ao vivo em vários canais estatais venezuelanos e cubanos e portais de notícias de ambos os governos. Harris ofereceu "solidariedade" para Maduro ante a "agressão" dos EUA e alguns dias depois recebeu uma recompensa. "Agressão" referiu-se Harris, é a imposição de sanções (sem emissão de vistos e congelamento de bens nos EUA) pelo governo Obama contra oficiais do regime chavista são violações aos Direitos Humanos.

A ministro dos Negócios Estrangeiros de Maduro, Delsy Rodriguez, que recentemente fez várias excursões aos países do Caribe, chegou em 30MAR15, em Basseterre, a capital de Saint Kitts-Nevis. Rodriguez viajou acompanhada por Bernardo Alvarez, ex-embaixador do Chávez expulso dos EUA, em 2010, e que atua como secretário da ALBA e Presidente da Petrocaribe. Alvarez foi encarregado de entregar um cheque para Timothy Harris por uma doação milionária do governo Maduro, em agradecimento à "solidariedade" de Harris. De acordo com o canal oficial cubano-venezuelano TELESUR, a doação teria sido de US $ 16 milhões, embora uma nota oficial do Governo de Saint Kitts-Nevis afirme que a doação foi de 16 milhões de dólares locais (Dólar do Caribe Oriental), equivalente a US $ 6 milhões. O destino dos fundos doados por Maduro, dos empobrecidos cofres da Venezuela, iria financiar o pagamento de bônus aos ex-trabalhadores de açúcar. De acordo com Harris, a Venezuela no governo do presidente Hugo Chávez financiou a construção de habitação para os "ex-trabalhadores de açúcar".

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Durante suas recentes visitas ao Caribe, os enviados de Maduro têm oferecido doações, empréstimos e investimentos. Em 21FEV14, a chanceler de Maduro e o Presidente da Petrocaribe chegaram Antígua e Barbados. Eles concordaram em criar uma joint venture entre ambos os governos, oferecendo um investimento de US $ 24 milhões na petroleira local West Indies Oil Company e prometeram, de acordo com o primeiro-ministro Gaston Browne, "um empréstimo para nos ajudar a melhorar as instalações da WIOC". Browne foi um dos líderes que protestavam, em 17MAR15, no Palácio de Miraflores, em Caracas contra as sanções impostas pelos os EUA aos funcionários do governo Maduro.