COBERTURA ESPECIAL - America Latina

10 de Março, 2015 - 23:00 ( Brasília )

Informe Otalvora - Insólita aliança EUA e Cuba ameaça territorio da Venezuela

A Guiana inicia exploração de petróleo em águas disputadas com a Venezuela contando com la pasividade de Maduro

 

Texto em espanhol

Insólita alianza de EEUU y Cuba amenaza territorio venezolano Link

 

O Editor

Edgar C. Otálvora
Analista
@ecotalvora


Uma insólita e improvável aliança  foi formada entre os EUA, Cuba e Guiana, e que pode significar para a Venezuela perder uma área marítima vital.

A petroleira norte-americana Exxon contratou o barco de perfuração  Deepwater Champion com capacidade de operar em águas profundas para iniciar uma campanha de exploração em uma extensa área no nordeste da Venezuela chamada pelo governo da Guiana de "Stabroek Block". Este bloco inclui território da plataforma continental da Venezuela, gerada pelo estado Delta Amacuro e uma área da plataforma continental do território em disputa entre a Venezuela e a Guiana. A operação de perfuração em águas profundas, cujo início estava previsto para 05MAR15, tem um orçamento de US $ 200 milhões e será executada em duas áreas chamadas de "Área de Liza" do "Stabroek Block".

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Com a chegada do governo pró-Cuba de Hugo Chavez, na Venezuela, a Guiana começou a entregar extensas  concessões de petróleo em áreas em disputadas com a Venezuela. Essas concessões têm permanecido descumprida porque as grandes empresas de petróleo haviam se recusado, até agora, operarem em áreas de conflito territorial. A concessão da Exxon foi entregue pelo governo socialista da Guiana, em 1999. Venezuela e Guiana não delimitaram suas fronteiras marítimas devido a uma reivindicação venezuelana em território terrestre, que é atendida por um mecanismo amigável supervisionado pelas Nações Unidas.

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O governo da Guiana é, em teoria, um aliado do regime venezuelano e membro da UNASUL. A Guiana é um dos beneficiários do programa Petrocaribe, criado por Hugo Chávez para fornecer petróleo a preços baixos e empréstimos a governos "amigos" do Caribe eAmérica Central. A linha chavista de marcar apoio político entre os muitos países que falam Inglês no Caribe levou a uma política complacente com a Guiana,  apesar de seu evidente interesse para  contestar teritório venezuelano. Essa linha ainda permanece, e até mesmo o governo da Guiana participou de uma cúpula extraordinária da Petrocaribe, convocada por Maduro, que se reuniu sexta-feira (06MAR15), em Caracas.

A proximidade política dos governos socialistas da Guiana com Cuba levou Chávez a congelar suas reivindicalções territoriais da Venezuela sobre a Guiana. Desde o estabelecimento das relações entre Cuba e Guiana, na década de sessenta do século passado, o regime dos irmãos Castro expressou sua rejeição às reivindicações venezuelanas e as qualificou de  reminiscências colonialistas. Essa tese, contrária aos interesses da Venezuela, foi tomada por Chávez e continua a guiar as declarações do regime chavista.

promovido pelo governo do presidente Nicolas Maduro ".

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Em  10OUT13, a Marinha venezuelana parou o barco Teknik Perdana, de propriedade da empresa malaia  SapuraKencara Petroleum operando sob a bandeira panamenha. O navio foi detido quando realizava trabalhos para  a americana Anadarko Petroleum Corporation, que detém uma concessão petrolífera concedida pela Guiana, no que chamam de "Roraima Block", localizada ao norte de "Stabroek Block".

Naquela época, a Guiana protestou pela retenção do barco, alegando que realizava um trabalho para o governo daquele país. Para efeitos de autoridades navais militares da Venezuela, o barco estava em águas venezuelanas, na projeção do estado Delta Amacuro, no Atlântico. O navio e sua tripulação foram liberados pelo governo venezuelano em atenção  às reivindicações da Guiana.

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O início da exploração Exxon em águas sob disputa, foi politicamente avaliadas pela Guiana e da companhia petrolífera. A fraqueza política internacional do governo Maduro, a contínua tensão nas relações entre Caracas e Washington, a dependência de Maduro, política, ideológicamete do regime cubano, a aproximação dos EUA-Cuba foram os elementos considerados por Georgetown para desafiar a Venezuela. Várias análises consideram  baixa a probabilidade de que o governo Maduro realizasse uma ação militar para impedir as operações da Exxon no território disputado.

O governo Maduro faz esforços para manter a sua antiga influência no Caribe e acredita que um confronto com a Guiana seria contraproducente. Este comportamento sustentado por Chávez e Maduro, no entanto, está agora enfrentando uma situação de facto criada pela Guiana para permitir e até mesmo incentivar a atividade da empresa norte-americana.

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Para dar peso político no início das operações da Exxon, o presidente da Guiana, Donald Ramotar, e o ministro dos Recursos Naturais, Robert Persaud, visitaram a sede da empresa, em Georgetown,  na quarta-feira (04MAR15). Fotos da reunião mostram Ramontar reunido com o chefe local da Exxon, Jeff Simon, que explicou as características da operação.

Por seu lado, os EUA manifestaram a sua disposição para apoiar o governo da Guiana frente a  Venezuela. A encarregado de Negócios dos EUA, em Georgetown, Bryan Hunt, disse,  em  02MAR15, ao jornal local Guiana Times, que seu governo reconhece o poder da Guiana para as concessões na área em disputa e defende o direito da Exxon para executar as prospecções. Questionada  se os EUA estava disposto a dar apoio militar à Guiana, Hunt  preferiu não comentar.

A ação tímida do governo Maduro, “solicitando” a Exxon para se abster de iniciar as operações de perfuração, foi descrita pela imprensa de Georgetown como "agressão" da Venezuela. O  Ministério das Relações Exteriores da Guaiana acusou o governo de Maduro de "prejudicar o desenvolvimento da Guiana e do seu povo." O regime venezuelano limitou-se a qualificar como as palavras oficiais do governo da Guaiana como "injustas" , que corre o risco de deixar de lado o mecanismo amigável para alcançar um acordo de fronteira.

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A política comercial e ofensiva chinesa na América do Sul começa a afetar abertamente a economia brasileira. A China tornou-se um rival da indústria brasileira para os mercados regionais, especialmente na Argentina, onde a aliança comercial do Mercosul recebeu um  duro golpe. Os dados referentes  até Novembro de 2014, indicam que as importações totais da Argentina foram reduzidas em 11% em relação ao ano anterior, em que a maior queda foi representada por uma redução de 25% nas compras proveniente do Brasil, enquanto as importações provenientes China  foram afetadas só  4%.

Em geral, a queda de 3% nas vendas para fora do Brasil durante 2014 são explicados como um reflexo da contração do comércio global, no entanto, análises específicas mostram que a concorrência chinesa na região está impactando os números do comércio exterior brasileiro.

Outro mercado que começa a preferir China em detrimento do Brasil, é a Bolívia. Enquanto os países sul-americanos reduziram suas importações de 2,8% em 2014, a Bolívia apresentou uma tendência radicalmente diferente, com um aumento de 6,5% em suas compras no exterior de acordo com dadosde outubro de 2014  da CEPAL. Estes números provavelmente não contemplam o imenso comércio formiga da Argentina com a fronteira boliviana. A China, com 17% e deslocou o Brasil e EUA como a origem das compras bolivianas.

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Mas o impacto sobre o Brasil da ofensiva chinesa não é apenas em setores comerciais tradicionais e afeta o crescimento da indústria de defesa brasileira. Uma nota do Portal DefesaNet, que trata de assuntos militares,  assinado por seu editor Nelson Düring informou que os governos da China e da Argentina, em reuniões prévias  à recente visita de Cristina Kirchner à Pequim, concordaram em iniciar a produção conjunta de veículos blindados.

Este acordo fecha a porta para a venda de centenas de veículos blindados para transporte de tropas VBTP-MR Guarani que o Brasil procurava exportar para a Argentina. As linhas de crédito oferecidas pela China fez os argentinos escolherem comprar veículos blindados 8 × 8 Norinco VN-1, similar aos que foram adquiridos pela Venezuela.