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22 de Maio, 2022 - 23:00 ( Brasília )

GUERRA NA EUROPA: UCRÂNIA 2022 A tentativa de transposição do rio Siverskyi Donets nos arredores de Bilohorivka, Distrito de Luhansk pelas forças russas. - O maior aspecto do custo da incompetência russa


GUERRA NA EUROPA: UCRÂNIA 2022

A tentativa de transposição do rio Siverskyi Donets nos arredores de Bilohorivka, Distrito de Luhansk pelas forças russas. - O maior aspecto do custo da incompetência russa

 



O rio Siverskyi Donets liga o sul da Rússia ao leste da Ucrânia, sendo uma das várias barreiras naturais que impedem o avanço russo entre as províncias separatistas de Donetsk e Luhansk, principalmente com unidades blindadas, no território controlado pela Ucrânia.

As forças russas estão a lutar nesta região na tentativa de obter ganhos significativos desde que invadiram a Ucrânia em 24 de fevereiro de 2022, mas não estão obtendo avanços expressivos na região.
 
Segundo informações divulgadas na mídia pelo Ministério da Defesa do Reino Unido, “A ofensiva russa em Donbas perdeu força e ficou significativamente atrasada, apesar dos avanços iniciais de pequena escala, a Rússia não conseguiu obter ganhos territoriais substanciais no mês passado, mantendo consistentemente altos níveis de atrito”, mas o que temos visto é um grande fracasso militar, não tão difícil de explicar, visto que o Exército Russo mobilizou 125 Grupos Táticos de Batalhões, compostos em sua totalidade por cem mil soldados, a maioria de sua força ativa, mas incorreram no erro de que nunca tiveram uma infantaria altamente treinada para apoiar os carros de combate, artilharia e comboios de suprimentos, o que tem sido visto ao longo dos praticamente três meses desta guerra e com as expressivas perdas russas neste período tanto em homens como em material.
 
Os carros de combate avançam desprotegidos ao longo das estradas, como um convite às tropas ucranianas equipadas com mísseis e artilharia prontos para emboscá-los. Os analistas do blog Oryx confirmaram até o momento a perda de 694 carros de combate russos e destes os ucranianos capturaram 243 (https://www.oryxspioenkop.com).
 
Na realidade isso equivale a um quinto dos carros de combate que o Exército Russo possuía em serviço antes da guerra, e a medida que mais de seus melhores carros de combate T-90 A e M, T-80 U, UK, UD, EU-1, BV, BV-M e T-72 B1, B.Obr.1979, B3 e B3 Obr.2016 explodem, muitas vezes arremessando suas torres diretamente no ar, o russos estão cada vez mais utilizando versões antigas dos T-72 para a luta e continua a perde-los em grande número também.
 
A força aérea russa nunca conseguiu alcançar uma superioridade aérea sobre a Ucrânia, muito em razão de sua própria doutrina rígida, falta de munições e da resistência das forças de defesa aérea ucranianas. Três meses após o início da guerra, mísseis ucranianos ainda estão derrubando caças e drones russos. Pilotos ucranianos ainda estão voando em missões de ataque. Os drones TB-2 Bayraktar da Ucrânia atravessam a zona de guerra e entram no Mar Negro, atacando postos de comando russos e navios com seus mísseis guiados a laser.
 
As linhas de suprimento da Ucrânia são curtas e robustas, enquanto as da Rússia são longas e frágeis. Os aliados da Ucrânia são fortes e estão gastando dezenas de bilhões de dólares para equipar as suas forças com os melhores e mais modernos armamentos, muitos extremamente sofisticados, e principalmente com o apoio de inteligência, lembrando ainda, que a Ucrânia é um grande país com milhões de homens e mulheres em idade militar, muitos dos quais fortemente motivados a se alistar. A Ucrânia não precisa convocar separatistas ou pagar mercenários para sustentar seu esforço de guerra.
 
A Ucrânia também sofre perdas, milhares de soldados, centenas de carros de combate, veículos blindados, dezenas de aeronaves e todos os seus principais navios de guerra, além de grande destruição em seu território o que afeta em muito sua população civil, mas ela desfruta de várias vantagens sobre seu atacante que atenuam suas perdas e aumentam sua vontade de lutar.
 
Os motivos do conflito nunca estiveram a favor da Rússia em meados de fevereiro, antes que o primeiro batalhão russo cruzasse a fronteira Ucraniana, prestes a ser derrotado nos subúrbios de Kiev. Isso não mudou e agora as forças estão contra-atacando nas três frentes mais amplas restantes desta guerra imposta, enquanto que as forças russas se esforçam para avançar por alguns quilômetros ao longo de um eixo frágil semanal, mostrando afinal quem está tendo a vantagem.
 
Essas contraofensivas ucranianas estão lentamente reduzindo os ganhos russos no sul ao redor de Kherson e em algumas áreas ao redor de Izium, o lócus dos esforços russos no Donbas e estes estão a pagar um grande preço em vidas humanas e equipamentos.
 
A ajuda ocidental, em armamentos, tem sido importante para as operações das Forças Ucranianas e esta ajuda foi responsável pela perda de mais de 70 veículos blindados, carros de combate e equipamentos de engenharia, que foram destruídos causando 485 mortes de soldados russos, dos 550 envolvidos, em um único conjunto de ataques das forças ucranianas.
 
Esta vitória ucraniana tem sido descrita como um dos combates mais pesados da guerra, envolvendo barragem de artilharia, bombardeios de morteiros, mísseis e drones de combate que devastaram um batalhão russo, que usando pontes flutuantes para tentar cruzar o rio Siverskyi
 
Donets entre 09 a 10 de maio de 2022, e que tentaram ainda mais duas vezes ao longo a transposição deste rio, em outros pontos, resultando novamente em fracassos neste mesmo mês.
 
A tecnologia de pontaria da artilharia ucraniana funciona como um aplicativo de chamada do Uber, ajudando os ucranianos a destruir quase um batalhão russo inteiro em um único ataque. Trata-se do sistema avançado de localização GIS Arta, um sistema avançado de localização desenvolvido por programadores ucranianos em colaboração com empresas britânicas de mapeamento digital, reduzindo o tempo de visada (resposta) dos militares de 20 minutos para um minuto.
 
Os dados são recolhidos em tempo real por drones de reconhecimento, telêmetros, smartphones, GPS e radares doados pela OTAN, e inseridos no sistema para identificar as posições inimigas, sendo então processado por um software de “calculo de tiro” que determina quais armas na área são mais adequadas e eficazes, para realizar o ataque.
 
Um comandante tem acesso a um mapa eletrônico criptografado que exibe os dados ao vivo do campo de batalha, e após a confirmação do alvo, o Quartel General escolhe a qual unidade enviar as coordenadas e este alvo estará sob fogo em segundos.
 
Este sistema opera de forma contrária ao método tradicional russo de disparo, que envolve o posicionamento de baterias de artilharia em um único local, confundindo assim os esforços de contrabateria russos tanto no momento em que os mísseis e projéteis atingem o alvo, realizado através do sistema de satélite Starlink de Elon Musk, disponibilizado aos ucranianos, que está sendo usado para permitir a operação do sistema de mira de sua artilharia com segurança.
 
Segundo algumas fontes, um fator determinante para o sucesso das forças ucranianas foi o uso dos novos Obuseiros M777 de 155 mm recebidos dos Estados Unidos e Austrália, num total aproximado de 100 unidades com 150.000 projetis, incluindo munição de alta precisão denominada Excalibur, com sistema de Orientação do Sistema de Navegação Inercial – GPS, com capacidade de orientação durante o voo e correção da trajetória para ataque de precisão, com alcance máximo de 50 km, com reduzido dano colateral, o que tem ajudado a conter a ofensiva russa a oeste de Izium, na região de Donbas, no leste da Ucrânia, bem como cortando o avanço russo, numa operação que pode ser decisiva neste conflito.

As baterias de artilharia ucranianas trabalham em estreita colaboração com os operadores de drones para localizar alvos – e às vezes até apontam suas armas para coordenadas que os civis ucranianos ligam por telefone depois de vislumbrar as forças russas próximas.
 
A combinação de fogos de longo alcance e o reconhecimento com drones é extremamente eficaz, bastando observar o que a 17ª Brigada de Blindada Ucraniana fez a uma brigada russa que tentava atravessar uma ponte flutuante sobre o rio Siverskyi Donets, na esperança de atacar a cidade de Lyman, 28 km a oeste das linhas russas em Donbas.
 
O resultado foi devastador para as forças russas que perderam até o momento algo em torno de mais 100 veículos até fechamento deste artigo, podendo as perdas aumentarem significamente:
 

- 38 veículos blindados sobre lagartas, transportes de tropas dos modelos BMP e BMD;
- 04 unidades de transporte blindados;
- 10 carros de combate modelos T-72;
- 03 caminhões;
- 04 blindados sobre lagartas MT-LB;
- 02 lanchas de apoio;
- 05 unidades de veículos para construção de pontões;
- 01 veiculo blindado de reparo e recuperação sobre lagartas BREM-1;
- 01 veiculo de carga anfíbio PTS;
- 01 veículo transporte de tropas multiuso BTR-D;
- 09 veículos sobre rodas PMP transportem de pontões;
- 485 soldados mortos e feridos dos 550 que compunham o Batalhão Tático Russo (BTG), incluindo o Comandante da Unidade de Engenharia (12ª Brigada de Engenharia de Guardas) responsável pela montagem das pontes pontões, Coronel Denis Kozlov, com dois meses de comando, substituindo seu antecessor, também falecido na Ucrânia
.

 
Vale ainda destacar que alguns blindados, como 02 T-64BM "Bulat" (Carro de Combate) e alguns de transporte de pessoal dos tipos BMP e MT-LB, conforme mostrado por uma equipe da TV CNN que visitou o local, possuía camuflagem Ucraniana e foram capturados pelas forças russas e reutilizados, coisa comum neste conflito por ambos os lados.

Leia a íntegra da Matéria do Pesquisador Expedito Bastos Stephani Bastos do ECSB Defesa.

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