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12 de Novembro, 2021 - 14:00 ( Brasília )

Defesa Análise - Franceses contra-atacam - De olho no vizinho - Blindados: Uma análise incômoda

Série de análises sobre eventos, programas e geopolítica atuais


Nelson F Düring
Editor-chefe DefesaNet


 

 - Franceses contra-atacam
 - De olho no vizinho
 - De olho no Atlântico
 - Blindados: Uma análise incômoda


Franceses contra-atacam
 
O Exército Brasileiro está próximo de adquirir o sistema de artilharia CAESAR. Trata-se de um canhão de 155mm montado sobre um caminhão, o que garante a mobilidade do sistema, sendo capaz de atingir alvos a mais de cinquenta quilômetros e pode ser equipado com as mais modernas munições disponíveis no mercado e o sistema foi amplamente exportado.
 
Delegações do Exército estiveram na França nos últimos meses e os contatos estão bastante próximos. A disputa pelo contrato do obuseiro sobre rodas autopropulsado é travada pelo CAESAR da NEXTER e o ATMOS da israelense Elbit Systems, mas na negociação os franceses estão levando vantagem, principalmente pelo lobby político, diplomático e industrial francês, que  aqui na região é muito mais poderoso e dinâmico que o israelense.
 
Aliás, a França é vizinha do Brasil. Depois do anúncio do pacto Anglo-Americano-Australiano AUKUS que deu fim ao contrato dos submarinos com a Austrália, os franceses têm se preocupado e vem se esforçando para garantir a permanência em importantes mercados de defesa onde sempre foram influentes, se tornando mais flexíveis em negociações e trazendo novas oportunidades para as mesas de negociação.


 
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NEXTER CAESAR em operação com as Forças Francesas na Síria


A França negocia ainda com o Exército a transferência de produção do morteiro Thales 120mm 2R2M para o Arsenal de Guerra de São Paulo. Esse projeto de morteiro é a proposta francesa para equipar a versão Viatura Blindada de Combate Morteiro do Guarani. Outro importante negócio francês é a venda de pelo menos 35 helicópteros H125 para instrução de pilotos militares. Um negócio que pode ainda gerar muita polêmica.
 

De olho no vizinho

 
Fontes do Ministério da Defesa afirmam que tem observado com atenção os movimentos da Venezuela e os constantes exercícios militares realizados na região da fronteira com o Brasil. A movimentação dos militares venezuelanos vem sempre acompanhada do aumento da presença de consultores militares russos, que instalam sistemas de inteligência e de comunicação que cobrem toda região de fronteira.
 
A presença dos militares russos, parte deles da GRU, conhecida como a inteligência militar no exterior eleva a tensão por representarem a presença de potências militares extrarregionais operando no subcontinente, o que gera bastante desconfiança e desconforto aos militares brasileiros. A situação se agrava quando as forças armadas bolivarianas decidem desdobrar e ativar os sistemas de defesa antiaérea de fabricação russa.
 
As baterias de mísseis S-300 mudaram a balança de poder na região norte e sua existência inviabiliza qualquer operação da Força Aérea Brasileira e das aviações do Exército e da Marinha do Brasil na área. Fontes afirmam que os venezuelanos colocaram parte do território brasileiro sob cobertura dos radares de defesa aérea. Hoje, os militares brasileiros não possuem sistemas capazes de identificar a localização ou se proteger dessas baterias de mísseis antiaéreos, deixando-os em condição de vulnerabilidade e ameaça no caso de necessitarem executar operações aéreas e aeromóveis na região, seja em época de paz, crise ou de guerra. 

 

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Sistema S-300 desfilando em Caracas
 

Cabe às Forças Armadas do Brasil criar urgentemente capacidades militares para localizar, interferir, neutralizar e se necessário for destruir as baterias de S-300. Cabe ao Ministério da Defesa solucionar esse problema. Somente dessa forma as operações aéreas poderão ser executadas com o mínimo grau de segurança. Um país da grandeza do Brasil e da sua importância no contexto regional precisa manter a balança de poder pendendo sempre para o seu lado, do contrário, existe algo de errado e os politicos, gestores e comandantes militares precisam ser responsabilizados.
 
Se a nossa estratégia principal para a defesa do território é a Presença e a Dissuasão, não podemos permitir, em hipótese alguma, que nenhuma outra nação limítrofe desenvolva capacidades que dissuadam nossa capacidade de operação e liberdade de manobra. E isto se torna mais grave quando as capacidades vizinhas atravessam a fronteira e inviabilizam nossa operação por estarem cobrindo parte do nosso território.
 

 De olho no Atlântico
 

A Marinha do Brasil precisa ter meios para patrulhar o Atlântico Sul (TOAS). Esta é uma necessidade imediata.  Precisamos construir uma capacidade para enviar patrulhas de longo alcance para a costa da África, e do Caribe ao sul do continente Americano e Antártida. O Atlântico Sul também pertence ao Brasil. A inexistência de meios está provocando um vácuo de poder na região. Além da invasão dos pesqueiros chineses, em breve teremos a presença de navios militares estrangeiros fazendo a escolta de frotas pesqueiras. A “quase” Guerra da Lagosta foi apenas o prenúncio daquilo que ainda está por vir.
 
O Brasil é uma nação Atlântica e precisa assegurar seu poder e interesses nessa enorme e estratégica região do globo. A Marinha precisa urgentemente de Aeronaves Remotamente Pilotadas para esclarecimento e patrulhamento dentro da Zona Econômica Exclusiva e muito além dela. Precisa de corvetas e fragatas capazes de patrulhar a vastidão desse Oceano Atlântico, projetando o poder nacional, mostrando que parte disso também é nosso. Se não fizermos agora, no futuro vamos literalmente “ficar a ver navios”.
 
Os ruídos da silenciosa atual Guerra da Pesca, no Atlântico Sul, começam a serem ouvidos por cima das ondas. 

 
Blindados Uma análise incômoda
 

O Exército Brasileiro lançou recentemente dois emblemáticos projetos. Um trata da modernização da Viatura Blindada de Reconhecimento 6x6 EE-9 Cascavel e outro é a modernização dos Carros de Combate Leopard 1A5.

Não há dúvidas sobre a necessidade de possuir CCs e VBRs. A questão está na justificativa de gastar bilhões de reais em veículos de mais de 50 anos, que já carecem de peças sobressalentes, que estão totalmente desatualizadas para serem empregadas, não resistem a minas e IEDs (Artefatos Explosivos Improvisados).
 
O Exército Brasileiro precisa esquecer o passado, precisa se inspirar na Força Aérea e entender que a era das modernizações de plataformas já passou e salvo alguns casos não são mais justificáveis. O que é antigo já não serve mais para combate atual e muito menos futuro.
 
O Exército precisa avançar para além da saudade com relação aos seus blindados. É necessária a aquisição de meios de combate que realmente façam a diferença no campo de batalha.



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Carro de Combate Leopard 1A5BR na Operação Meridiano-Ibagé,
Novembro 2021 - Foto DefesaNet


A modernização tanto do CC Leopard 1A5 quanto da VBR Cascavel seria justificável 15 anos atrás. Por outro lado, o Exército sabiamente partiu para o projeto de aquisição da Viatura Blindada de Combate de Cavalaria (VBC Cav). Ela deverá ser a base da nova Viatura Blindada de Reconhecimento. Esse VBC Cav vai trazer o conhecimento e a tecnologia que será aproveitada no futuro Carro de Combate Brasileiro, que poderia estar pronto entre 5 e 10 anos.
Precisamos olhar para a próxima década e as seguintes.

Investir importantes e sempre escassos recursos em projetos estratégicos que tragam maior mobilidade, capacidade de guerra centrada em redes e poder de combate absoluto em qualquer cenário do nosso entorno estratégico. Se a modernização custa um terço de um veículo novo, parte-se para a aquisição de uma nova plataforma, que vai operar por mais 30 anos e não apenas 5.
 
Aliada a melhor tecnologia que for possível ser adquirida, precisamos assegurar a plena disponibilidade dos meios. O Exército Brasileiro não é um exército de treinamento, é uma Força de Combate.


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