COBERTURA ESPECIAL - Pandemic War - Geopolítica

19 de Maio, 2020 - 11:45 ( Brasília )

Trump ameaça cortar permanentemente financiamento à OMS e rever filiação dos EUA


O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, ameaçou na segunda-feira cortar permanentemente o financiamento do país à Organização Mundial da Saúde (OMS) se o órgão não se comprometer com melhorias dentro de 30 dias e reavaliar a filiação de seu país à agência.

Trump suspendeu as contribuições dos EUA à OMS no mês passado, acusando-a de difundir “desinformação” chinesa sobre o surto do novo coronavírus, mas autoridades da OMS negaram a acusação e a China disse ser transparente e aberta.

“Se a OMS não se comprometer com grandes melhorias substanciais dentro dos próximos 30 dias, tornarei meu congelamento temporário do financiamento dos Estados Unidos à OMS permanente e reavaliarei nossa filiação”, disse Trump ao chefe da entidade, Tedros Adhanom Ghebreyesus, em uma carta publicada no Twitter.

Mais cedo, Trump disse que a agência sediada em Genebra “fez um trabalho muito fraco” ao lidar com o coronavírus, que surgiu na China no final do ano passado, e que tomará uma decisão sobre o financiamento em breve.

Na carta, ele disse que o único caminho para a OMS é demonstrar independência da China, acrescentando que seu governo começou a debater uma reforma com Tedros.

Trump também fez várias acusações contra a China na carta, inclusive a de que o país asiático tentou bloquear indícios de que o vírus podia ser transmitido entre pessoas, que pressionou a OMS a não declará-lo como um emergência, que se recusou a compartilhar dados e amostras e que negou acesso a seus cientistas e instalações.

A China reagiu nesta terça-feira, quando o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores, Zhao Lijian, disse que a carta é difamatória.

“A carta aberta da liderança dos EUA está repleta de frases com insinuações, senões e potencialidades, e está tentando iludir o público por meio deste método enganoso para atingir o objetivo de caluniar e difamar os esforços da China para a prevenção da epidemia e para transferir a responsabilidade de sua própria incompetência ao lidar com a epidemia”, disse Zhao em um briefing de rotina.

Ele disse que a decisão norte-americana de parar de contribuir com a OMS é uma violação de suas obrigações internacionais.

Um porta-voz da OMS em Genebra disse nesta terça-feira que a agência não tem nenhum comentário imediato à carta de Trump, mas que espera ter “mais clareza” e uma reação a ela mais tarde nesta terça.

Ainda na segunda-feira, a OMS disse que uma avaliação independente da reação global ao coronavírus começará assim que possível e que recebeu o apoio e uma promessa considerável de fundos da China.

OMS diz que fará revisão da pandemia; China promete US$2 bi


A Organização Mundial da Saúde (OMS) disse nesta segunda-feira que uma revisão independente da resposta ao coronavírus começará assim que possível, e recebeu uma promessa generosa de repasse de verbas da China, que está no foco como a origem da pandemia.

Mas o maior crítico da OMS, o governo do presidente norte-americano Donald Trump, denunciou uma “aparente tentativa de esconder o surto do vírus por pelo menos um Estado membro” da organização. 

Trump suspendeu o repasse de verbas dos EUA para a OMS, após acusar a entidade de ser muito centrada na China, enquanto lidera críticas ao que é percebido como falta de transparência do governo de Pequim nos primeiros estágios da crise.

O secretário de Saúde Alex Azar não mencionou a China por nome, mas deixou claro que Washington considera que a OMS compartilhava da responsabilidade.

“Precisamos ser francos sobre uma das principais razões pelas quais esse surto saiu fora de controle”, disse. “Houve um fracasso por parte dessa organização para conseguir informações que o mundo precisa, e esse fracasso custou muitas vidas”.

O ministro de Saúde da China, Ma Xiaowei, falou após Azar e disse que Pequim agiu no tempo certo e foi transparente ao anunciar o surto e compartilhou a sequência genética completa do vírus. Ele também pediu que outros países “rejeitem rumores, estigmatização e discriminação”. 

O presidente chinês, Xi Ji Ping prometeu 2 bilhões de dólares nos próximos dois anos para ajudar a lidar com a Covid-19, especialmente nos países em desenvolvimento.

A quantia totaliza quase o orçamento anual inteiro da OMS para um ano, e mais do que compensa o congelamento de repasses de Trump, de 400 milhões de dólares por ano. 

Mas o porta-voz do Conselho Nacional de Segurança da Casa Branca John Ullyot chamou o anúncio chinês de um “gesto para distrair os pedidos de um crescente número de países que exigem que o governo chinês seja responsabilizado pelo fracasso em alertar o mundo sobre o que estava para acontecer.

O diretor-geral da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus, disse que a entidade “soou o alarme antecipadamente, e avisamos frequentemente”.

Quando a organização declarou a epidemia uma emergência global em 30 de janeiro, havia menos de 100 casos fora da China, e nenhuma morte, afirmou Tedros. 


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