COBERTURA ESPECIAL - Doutrina Militar - Terrestre

11 de Outubro, 2021 - 18:00 ( Brasília )

Escola de Sargentos das Armas começa a ser definida na Reunião de Alto-Comando do Exército

A ESA como é conhecida a Escola de Sargentos dass Armas do Exército terá a sua definição

 

Humberto Trezzi
Zero Hora
11 Outubro 2021
Foto Diário de Santa Maria

 

Caso sejam mesmo técnicos os critérios para a escolha da cidade que vai sediar a nova Escola de Sargentos das Armas do Exército (ESA), a gaúcha Santa Maria cresceu na parada.

Isso porque uma de suas principais rivais, a paranaense Ponta Grossa, não conta com estrutura sequer comparável de atendimento a militares e para implementação do projeto.

A ESA fica hoje em Três Corações (MG), e o treinamento de sargentos ocorre também em outras 12 cidades brasileiras. A nova academia deve unificar o adestramento desses profissionais num só lugar. E um investimento de R$ 1,2 bilhão. Além de Santa Maria e Ponta Grossa, está no páreo Recife. Todas são importantes centros militares.

Recorde vantagens e desvantagens de cada uma:

Recife - E uma capital, possui aeroporto internacional e grandes estruturas do Exército, como safe do Comando Militar do Nordeste e base aérea. A desvantagem é que é uma metrópole, de trânsito difícil e poucas áreas desocupadas para treinamento. Tampouco está situada numa região estratégica, do ponto de vista geopolítico.

Santa Maria - E a cidade brasileira com o segundo maior contingente militar, perdendo apenas para o Rio de Janeiro. E a Capital dos Blindados e tem posição estratégica no país (ao centro de um Estado que faz fronteira com Uruguai e Argentina). Conta com diversas universidades e hospitais, públicos e privados, inclusive um hospital militar. Além de uma Base Aérea e um aeroporto para voos comerciais. A área oferecida para sediar a ESA já pertence ao Exército. Está longe da Capital, o que pode ser considerada desvantagem.

Ponta Grossa - Tem importantes unidades militares, inclusive de blindados, e aeroporto, com voos esporádicos. Está a menos de 100 quilômetros da capital paranaense, onde existe outro terminal moderno. Dois são os maiores problemas. Um deles é que a área de 4,5 mil hectares oferecida à ESA não está disponível no momento. Ela pertence à Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), e lá moram famílias ligadas à agricultura familiar, que teriam de ser transferidas para um município vizinho. Além disso, a estrutura de atendimento médico é bem menor que a santa-mariense e não conta com hospital militar.

A decisão começa a sair a partir de Reunião do Alto-Comando do Exército (RACE), que ocorre de 18 a 21 deste mês, em Brasília.

Os 15 generais mais graduados e um general indicado pelo Ministério da Defesa opinarão sobre cada cidade cotada. As opiniões serão encaminhadas ao Comando do Exército, que pode acatar a sugestão.

Acontece que a decisão pode não ser técnica e, nesse quesito, Ponta Grossa leva vantagem. A prefeita da cidade e o governador paranaense são aliados de Jair Bolsonaro, que costuma palpitar sobre questões militares. Já os governadores do Rio Grande do Sul e de Pernambuco são adversários políticos do presidente Generais consultados pela coluna acreditam que o componente político não será decisivo, já que a escola é um empreendimento para décadas, enquanto as questões eleitorais são conjunturais.


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