O moderno blindado de combate de cavalaria brasileiro estreou na Operação Arandú, realizou disparos com munição real e chamou a atenção do Exército argentino. Foto Icônica imagem do Centauro 2 disparando no Campo de Treinamento Saicã (RS) no Exercício conjunto Brasil-Argentina Arandú
Nelson During
Editor-Chefe DefesaNet
Os Pampas gaúchos foram o cenário da estreia internacional do Centauro 2 em um exercício militar conjunto entre Brasil e Argentina. Considerado um dos mais avançados veículos blindados de combate de cavalaria da América Latina, o veículo italiano participou da Operação Arandú, demonstrando suas capacidades e despertando o interesse dos militares argentinos.
Equipado com um canhão de 120 mm de alma lisa, o Centauro 2 realizou disparos com munição real durante o exercício. A atividade permitiu demonstrar o desempenho da viatura em condições operacionais e evidenciou os avanços tecnológicos incorporados à nova geração de blindados sobre rodas.
A participação do veículo também reforçou a importância da cooperação militar regional e abriu espaço para o intercâmbio de experiências sobre sistemas de armas e doutrinas de emprego das tropas de cavalaria mecanizada e blindada.
Tecnologia italiana sobre rodas
O Centauro 2 é produzido pelo consórcio CIO (Consorzio Iveco-Oto Melara), empresa subordinada ao grupo italiano Leonardo.
Seu principal destaque é a torre HITFACT MkII, desenvolvida pela Leonardo e equipada com um canhão de 120 mm, calibre tradicionalmente associado aos carros de combate modernos.
A plataforma combina mobilidade sobre rodas, sistemas avançados de observação e controle de tiro, proteção e capacidade de engajamento de alvos blindados. Essa configuração amplia as possibilidades de emprego em missões de reconhecimento, combate e apoio às operações terrestres.
A combinação entre sensores, sistemas eletrônicos e armamento de grande calibre coloca o Centauro 2 em uma categoria diferenciada entre os veículos de combate sobre rodas, oferecendo às unidades de cavalaria maior flexibilidade tática, sendo o único veículo de combate sobre rodas do mundo com o mesmo poder de fogo e tecnologia dos mais avançados carros de combate principais da atualidade.

Equipamento brasileiro empregado na Operação Arandú – A partir das esquerda Centauro 2, Carro de Combate Leopard 1A5BR, Viatura Lançadora de Foguetes ASTROS II, Viatura de Comando e Controle Sistema Astros II e Obuseiro Autopropulsado M109A5BR (155mm)
Operação Arandú: vitrine para a modernização militar
A participação do Centauro 2 na Operação Arandú foi além de uma atividade de treinamento bilateral. O exercício proporcionou aos militares argentinos a oportunidade de observar de perto uma plataforma de nova geração em operação.
O interesse despertado pelo blindado ocorre em um contexto de renovação dos meios militares sul-americanos, no qual mobilidade, proteção, consciência situacional e integração de sistemas assumem importância crescente.
Exercícios conjuntos como o Arandú permitem compartilhar experiências, avaliar procedimentos operacionais e conhecer equipamentos empregados pelas forças parceiras. Também constituem uma oportunidade para observar, na prática, soluções tecnológicas que podem influenciar futuros programas de modernização.
Para o Brasil, a participação representa uma demonstração das capacidades que o Exército pretende incorporar progressivamente à sua estrutura de cavalaria mecanizada.


Durante a Operação Arandú o Centauro 2 realzou uma operação de retraimento. A primeira foto mostra o Centauro disparando, em movimento, o canhão de 120mm alma lisa, com o canhão voltado para a retaguarda, uma condição crítica para todas as viaturas sobre rodas equipadas com canhão acima de 90mm. Segunda foto mostra lançamento de granadas fumígenas para gerar uma cortina de cobertura. Fotos CMS
O programa brasileiro
O Exército Brasileiro dispõe de duas viaturas Centauro 2, empregadas pelo 6º Esquadrão de Cavalaria Mecanizado, no processo de introdução operacional da plataforma.
O programa prevê a aquisição de pelo menos outras 96 viaturas, podendo chegar a 221, que deverão ampliar a presença do sistema nas unidades de cavalaria mecanizada da Força Terrestre.
A incorporação desses veículos representa uma transformação importante para a cavalaria brasileira. Além de renovar os meios disponíveis, o programa introduz uma plataforma dotada de recursos modernos de observação, direção de tiro, ampliando a capacidade de atuação das unidades em diferentes cenários operacionais, de defesa externa e também expedicionário.
O sucesso do programa, dependerá também da preparação das tripulações, da estrutura de manutenção, da disponibilidade de munições e da consolidação de uma cadeia logística capaz de sustentar as viaturas ao longo de sua vida útil.

Um novo capítulo para a cavalaria mecanizada
A estreia do Centauro 2 na Operação Arandú evidencia os avanços do programa brasileiro de modernização dos meios blindados e o potencial da cooperação militar entre os países da região.
A demonstração nos Pampas também teve repercussão além do campo de treinamento: o interesse manifestado pelos militares argentinos destacou a relevância regional da nova plataforma.
O Centauro 2 começa, assim, a escrever um novo capítulo na cavalaria mecanizada brasileira. Sua estreia na Operação Arandú combinou demonstração operacional, intercâmbio militar e projeção das capacidades de uma plataforma que deverá ganhar espaço na estrutura de combate do Exército nos próximos anos.





















