Ucrânia neutraliza radar russo P-18-2 Prima e aprofunda degradação da defesa aérea de Moscou

Por Ricardo Fan, Defesanet

As Forças de Defesa da Ucrânia realizaram, em janeiro, o primeiro ataque confirmado contra um radar russo P-18-2 Prima, sistema considerado um dos principais ativos da Federação Russa para a detecção de aeronaves com tecnologia furtiva.

A operação, conduzida pela 412ª Brigada das Forças de Sistemas Não Tripulados — conhecida como Nemesis — representa um avanço significativo na campanha ucraniana de degradação sistemática da defesa aérea russa em profundidade operacional.

O ataque ocorreu a mais de 100 quilômetros atrás da linha de frente e empregou drones de ataque de médio alcance, equipados com ogivas superiores a 10 quilos.

Segundo o comandante da unidade, Robert Brovdi, a baixa proteção balística do radar tornou o impacto decisivo, resultando na completa inutilização do sistema. A ação foi registrada em vídeo e divulgada oficialmente pelo comando ucraniano, reforçando seu caráter operacional e estratégico.

Radar de alto valor e papel crítico na arquitetura russa

O P-18-2 Prima é a versão modernizada de um radar VHF originalmente desenvolvido no período soviético, mas profundamente atualizado para operar em ambientes contemporâneos de guerra eletrônica.

Sua principal característica é a capacidade de detectar alvos de baixa observabilidade radar, explorando comprimentos de onda longos menos afetados pelas técnicas de redução de assinatura empregadas por aeronaves furtivas modernas.

Com alcance de detecção que pode chegar a 320 quilômetros, dependendo da altitude do alvo, o Prima atua como sensor de alerta antecipado e integra camadas críticas da arquitetura de defesa aérea russa. Os dados gerados por esse tipo de radar alimentam sistemas de mísseis superfície-ar de médio e longo alcance, contribuindo diretamente para a consciência situacional e para a coordenação do comando e controle. Sua neutralização, portanto, tem impacto que vai além do nível tático, afetando a coerência operacional do sistema como um todo.

Ataques coordenados e erosão em camadas

A destruição do radar P-18-2 não foi um evento isolado. No mesmo dia, a 412ª Brigada Nemesis também neutralizou um sistema de mísseis Tor-M2 e um conjunto híbrido Tunguska nas regiões de Zaporizhzhia e Donetsk.

Esses sistemas de curto alcance são projetados para proteger tropas mecanizadas, colunas logísticas e instalações sensíveis contra aeronaves, helicópteros e drones.

Entre 1º e 12 de janeiro, segundo dados divulgados por Kiev, 11 radares e sistemas antiaéreos russos foram destruídos ou tornados inoperantes. O padrão observado indica uma campanha deliberada de ataques em profundidade, voltada não apenas à eliminação de vetores de interceptação, mas, sobretudo, à degradação progressiva da rede de sensores que sustenta a defesa aérea inimiga.

Essa ação reforça conclusões já apresentadas em análise publicada anteriormente pela DefesaNet, na qual examinamos o processo de desgaste progressivo da defesa antiaérea russa ao longo de 2024 e 2025.

Neste artigo, foi destacado que, apesar da aparente robustez e da diversidade de sistemas em serviço — cobrindo camadas de longo, médio e curto alcance — a arquitetura russa apresenta dependência crítica de sensores avançados expostos, limitações industriais para reposição acelerada e dificuldades crescentes na proteção de seus próprios meios contra ataques assimétricos conduzidos por drones.

A destruição do radar P-18-2 Prima confirma, de forma empírica, as vulnerabilidades estruturais apontadas pela DefesaNet, em especial no que se refere à perda de consciência situacional e à fragmentação do comando e controle da defesa aérea.

A centralidade dos drones na doutrina ucraniana

Os números divulgados por autoridades ucranianas evidenciam a centralidade dos sistemas não tripulados na atual doutrina operacional de Kiev.

Apenas em dezembro de 2025, unidades de drones teriam atingido mais de 106 mil alvos, incluindo 128 sistemas de defesa aérea — o maior volume já registrado desde o início do conflito¹.

Mais do que plataformas de ataque de baixo custo, os drones passaram a desempenhar o papel de instrumentos de guerra de atrito tecnológico. Ao explorar vulnerabilidades como sensores expostos, baixa blindagem e limitações na defesa contra enxames, essas plataformas permitem neutralizar ativos de alto valor com eficiência desproporcional ao investimento empregado.

Implicações estratégicas

A neutralização de um radar P-18-2 Prima envia um sinal inequívoco de que ativos considerados sensíveis e estratégicos não estão fora do alcance das capacidades ucranianas de ataque em profundidade.

Ao degradar sensores projetados justamente para detectar aeronaves furtivas, Kiev reduz a eficácia global da defesa aérea russa e amplia as brechas em sua cobertura.

No médio prazo, a continuidade dessa campanha tende a forçar Moscou a redistribuir sistemas, reforçar a proteção de radares e aceitar lacunas temporárias em sua rede de defesa aérea.

Em um conflito cada vez mais definido pela disputa entre sensores, drones e contramedidas eletrônicas, a destruição do P-18-2 Prima confirma que a guerra no espaço eletromagnético e na profundidade operacional tornou-se um dos vetores decisivos do confronto.

¹Segundo dados oficiais ucranianos divulgados por meio do sistema ‘Army of Drones Bonus’, unidades de drones registraram mais de 106.000 ataques em dezembro de 2025, incluindo 128 contra sistemas de defesa aérea — um nível descrito como recorde pelas autoridades, embora ainda sem confirmação independente de observadores internacionais. (https://united24media.com/latest-news/ukraines-ebaly-incentive-system-drives-record-106k-drone-strikes-in-one-month-14763)

Fonte: https://www.instagram.com/p/DTaX6ZriIOt

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