COBERTURA ESPECIAL - US - Geopolítica

31 de Agosto, 2017 - 09:20 ( Brasília )

EUA corrigem para 11 mil número de militares no Afeganistão

Pentágono muda sistema de contagem e passa incluir militares em missões temporárias. O número é superior aos 8,4 mil contabilizados anteriormente. Cálculo não incluiu reforço nas tropas anunciado por Trump.

O Pentágono elevou nesta quarta-feira (30/08) para 11 mil o número de soldados do país que estão no Afeganistão, após uma mudança no mecanismo de contagem de tropas.

Com a alteração, foram incluídos no cálculo militares em missões temporárias. "Com o novo mecanismo de contagem, o novo número oficial de soldados americanos no Afeganistão é de 11 mil", anunciou o tenente-general Kenneth McKenzie, diretor do Estado Maior Conjunto dos EUA.

A porta-voz do Pentágono , Dana White, ressaltou que o anúncio não significa um aumento no número de militares americanos que já estão no Afeganistão.

O número é superior aos 8,4 mil contabilizados anteriormente e ainda não engloba os militares que podem ser enviados ao país como parte da nova estratégia anunciada pelo presidente dos EUA, Donald Trump, para o conflito.

Autoridades militares já haviam admitido uma presença muito maior de soldados naquele país do que o limite estabelecido. Para manter os números oficiais artificialmente mais baixos, os comandantes classificam muitos como "temporários" e usam outros métodos de contagem de efetivos.

White se recusou a fornecer pormenores semelhantes sobre o número de soldados americanos na Síria e no Iraque, onde há também milhares além do que o departamento de Defesa publicamente admite. Já McKenzie se negou a dar detalhes sobre a quantidade de militares que os Estados Unidos devem enviar ao Afeganistão para o reforço nas tropas anunciado por Trump.

A imprensa americana afirma que cerca de 4 mil militares serão enviados. Ao anunciar a nova estratégia há pouco mais de uma semana, presidente afirmou que a mudança visa "obliterar" o "Estado Islâmico" (EI), "esmagar" a Al Qaeda e impedir o Talibã de dominar o Afeganistão.

A intervenção dos EUA no Afeganistão

Operação Liberdade Duradoura

Em outubro de 2001, menos de um mês após aos ataques de 11 de Setembro, o presidente George W. Bush lança no Afeganistão a operação Liberdade Duradoura, depois que o regime Talibã se recusa a entregar Osama bin Laden. Em semanas, os americanos derrubam o Talibã, que ocupava o poder desde 1996. Cerca de mil soldados são enviados ao país em novembro, aumentando para 10 mil um ano depois.

 

Talibã se reagrupa

A invasão do Iraque em 2003 se torna a maior preocupação dos EUA e desvia a atenção do Afeganistão. O Talibã e outros grupos islamistas se reagrupam em seus redutos no sul e leste do Afeganistão. Em 2008, Bush concorda em enviar soldados adicionais ao país em meio a pedidos por uma estratégia efetiva contra o Talibã. Em meados de 2008, há 48.500 soldados americanos no país.

 

Obama é eleito

Em sua campanha, Barack Obama promete encerrar as guerras no Iraque e no Afeganistão. Mas nos primeiros meses de sua presidência, em 2009, há um aumento no número de soldados no Afeganistão para cerca de 68 mil. Em dezembro, o número cresce ainda mais, para 100 mil, com o objetivo de conter o Talibã e fortalecer instituições afegãs.

 

Morte de Bin Laden

Osama bin Laden, líder da Al Qaeda que esteve por trás dos ataques de 11 de Setembro, é morto em maio de 2011 em seu esconderijo, durante uma operação de forças especiais americanas no Paquistão.

 

Acordo com Afeganistão

O Afeganistão assina em setembro de 2014 um acordo bilateral de segurança com os EUA e texto similar com a Otan: 12.500 soldados estrangeiros, dos quais 9.800 norte-americanos, permaneceriam no país em 2015. Mas a situação de segurança piora. Em meio à ressurgência do Talibã, Obama diminui a velocidade de retirada em 2016, afirmando que 8.400 soldados permaneceriam no Afeganistão.

 

Bombardeio de hospital em Kunduz

Em outubro de 2015, no auge do combate entre insurgentes islâmicos e o Exército afegão, apoiado por forças da Otan, um ataque aéreo dos EUA bombardeia um hospital dirigido pela organização Médicos Sem Fronteiras na província de Kunduz. O ataque deixa 42 mortos, incluindo 24 pacientes e 14 membros da ONG.

 

"Mãe de todas as bombas"

Em abril de 2017, forças americanas atingem posições do "Estado Islâmico" (EI) no Afeganistão com a maior bomba não nuclear já usada pelo país em combate, matando 96 jihadistas. Em julho, é morto o novo líder do EI no Afeganistão.

 

"Estamos diante de um impasse"

Em fevereiro de 2017, um relatório do governo dos EUA diz que perdas nas forças de segurança afegãs subiram 35% em 2016 em relação ao ano anterior. Pouco depois, o general americano à frente das forças da Otan, John Nicholson (à esquerda na foto, ao lado do secretário da Defesa, John Mattis), alerta que precisa de mais milhares de soldados. “Acredito que estamos diante de um impasse."

 

Trump anuncia nova estratégia

Em 21 de agosto de 2017, o presidente Donald Trump anuncia nova estratégia para o Afeganistão, fazendo da caça a terroristas a principal prioridade. Trump não especifica um aumento no número de soldados como aguardado, mas diz que os objetivos incluem "obliterar" o Estado Islâmico, "esmagar" a Al Qaeda e impedir o Talibã de dominar o Afeganistão.


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