COBERTURA ESPECIAL - TOA - Terrestre

21 de Outubro, 2013 - 11:04 ( Brasília )

Combate e trabalho regem a vida dos militares em São Gabriel (AM)

Reportagem do DIÁRIO do Amazonas acompanhou a rotina diária de 60 homens que resguardam a fronteira

D24am.com
Álisson Castro

São Gabriel da Cachoeira - Trabalho, combate e trabalho são os lemas que regem a vida no 5º Pelotão Especial de Fronteira (5º PEF), em São Gabriel da Cachoeira (a 860 quilômetros de Manaus). O cenário enche os olhos, rodeado de morros envolvidos em nuvens. O 5º PEF, ou simplesmente ‘Maturacá’, está a cerca de 150 metros acima do nível do mar e é comandado pelo tenente Abiaruqui Caiubi Camurigy de Guerreiro, 26.

Apesar do nome, ‘Guerreiro’ é baiano de Salvador e foi batizado com o nome indígena pelos pais que moraram durante muito tempo na Região Amazônica. O comandante lidera, desde fevereiro de 2013, uma equipe de 60 militares responsáveis por resguardar um trecho da fronteira entre o Brasil e Venezuela, no Parque Nacional Pico da Neblina, onde está o ponto mais elevado do País, com 2,6 mil metros acima no nível do mar. “Nossa presença aqui se caracteriza por uma ideia de patriotismo, que nós disseminamos entre a população indígena e os militares. Aqui fazemos com que seja hasteada a bandeira do Brasil e que a população continue falando o português”, afirmou.

Nos dias em que a reportagem do DIÁRIO do Amazonas permaneceu no PEF, umas das cenas mais corriqueiras era a presença de indígenas que ora participavam de eventos de confraternização, ora passavam em meio aos soldados para caçar. As crianças indígenas eram os mais presentes com maior interesse nas aeronaves que, quase diariamente, aterrissavam ou partiam da pista de pouso do 5º PEF. “Temos uma interação muito forte com os indígenas, eles estão sempre aqui acompanhando eventos e nós também prestamos serviços nas comunidades”, disse.

Entre os serviços disponíveis está o atendimento odontológico, realizado pelo segundo tenente Sérgio Palma, 31, formado em Odontologia pela Pontifica Universidade Católica de Brasília. “Sempre quis vir para um lugar carente de serviço como este. A maioria dos casos é de infecção bucal e extração. A cada seis meses fazemos palestra de orientação, distribuímos escova e aplicação de flúor”, diz. Para o farmacêutico do Pelotão, tenente Davis Barros de Queiroz, 30, o PEF foi palco de uma oportunidade rara de experimentar medicamentos utilizados pelos povos da região. “Quando cheguei, tive cuidado de procurar os caciques para saber o que eles utilizam para cuidar dos doentes, porque a gente não pode bater de frente com a cultura deles. Por iso, às vezes, a gente utiliza algum chá que eles recomendam”, frisou.

O café da manhã é servido às 7h e, meia hora depois, os militares fazem exercício físico. Em seguida, cada um se dedica a suas atividades que incluem desde expediente administrativo até a preparação da comida. Há 14 casas para oficiais e alojamentos para os demais militares. Como não há moradias para todos, ao redor do PEF casas improvisadas foram construídas para cabos e soldados. Os soldados indígenas retornam a suas residências após cumprir as missões no Pelotão. A internet é via satélite, mas o sinal é muito instável. A energia elétrica vem de dois geradores que são ligados em horários específicos do dia, sendo desligados sempre à meia-noite.