12 de Março, 2014 - 09:15 ( Brasília )

Terrestre

General que comanda forças da ONU no Congo diz que o foco agora é combater grupos terroristas


“O conflito na República Democrática do Congo (RDC) não se restringe apenas a esse país, mas é um problema regional, complexo e que envolve os países vizinhos”, afirmou o general brasileiro Carlos Alberto dos Santos Cruz, designado, desde junho do ano passado, pela Organização das Nações Unidas (ONU) para comandar a Missão de Estabilização da ONU (Monusco, sigla em inglês).

O general Santos Cruz proferiu palestra na segunda-feira (10/03), no Ministério da Defesa, a convite do Instituto Pandiá Calógeras e do Estado-Maior Conjunto das Forças Armadas (EMCFA). O Force Commander da ONU disse que um dos focos da missão, neste momento, é combater grupos armados com táticas terroristas como o Allied Democratic Forces (ADF) e o Democratic Forces for the Liberation of Rwanda (FDLR).

De acordo com o general, as guerrilhas foram responsáveis por cerca de 6 milhões de mortes nos últimos 20 anos. Santos Cruz informou que esses grupos utilizam, inclusive, crianças e mulheres nas ações, que se concentram na parte leste do país – onde atuam prioritariamente as forças de paz.

Em novembro do ano passado, o general Santos Cruz obteve sua primeira vitória. Com sua Brigada de Intervenção e o apoio do exército congolês, o comandante conseguiu derrotar os rebeldes do grupo armado M23, um dos mais violentos em ação no país africano.

RDC e Monusco

Sob comando de Santos Cruz, a Monusco conta com a participação de 20 mil militares de 18 países e tem um orçamento anual de US$ 1,4 bilhão. A missão de paz é considerada a maior já realizada pela ONU.

O general brasileiro acredita que o sucesso da missão envolve aspectos que vão além da intervenção militar. “A parte militar tem que ser acompanhada de uma negociação política. Existem muitos interesses”, finaliza.

A República Democrática do Congo faz fronteira com nove países. Com mais de 70 milhões de habitantes, o país tem uma taxa de desemprego de quase 50%.

Segundo Santos Cruz, existem cerca de 50 grupos armados e que há muitos interesses por trás das atrocidades. A RDC é um dos países mais ricos do planeta em recursos naturais. “O coltan, minério usado na fabricação de celulares e outros aparelhos eletrônicos, é encontrado em abundância no país, sendo que 65% da reserva do mundo está localizada no país africano”, comenta.