14 de Maio, 2014 - 19:00 ( Brasília )

Tecnologia

Querosene solar para aviões na mira dos pesquisadores

Uma grande novidade no mundo dos combustíveis aeronaúticos.


Júlio Ottoboni
com Ag. Inovação Tecnológica Unicamp

 
Uma grande novidade no mundo dos combustíveis aeronaúticos. Pesquisadores europeus demonstraram a viabilidade técnica de um novo processo que converte CO2 em combustível para aviões usando energia solar. Ela é concentrada e usada para aquecer um reator, no qual é produzido o material intermediário do processo.

"Com esta primeira prova de conceito de um 'querosene solar', o projeto Solar-Jet deu um grande passo rumo a combustíveis verdadeiramente sustentáveis no futuro, com matérias-primas virtualmente ilimitadas," disse o Dr. Andreas Sizmann, coordenador do projeto, que congrega várias universidades e empresas da Europa.

A demonstração envolveu uma tecnologia de processo que usa a luz solar concentrada para converter dióxido de carbono e água para o chamado gás de síntese.Outros experimentos usaram a energia solar para produzir combustível para carros, uma área de pesquisas também conhecida como combustão reversa.

Isto é feito por meio de um ciclo redox que usa óxidos metálicos a temperaturas elevadas. A ideia é usar a energia termossolar para que o processo não dependa da queima de combustíveis fósseis para o aquecimento dos fornos.

"A tecnologia de reator solar apresenta uma transferência de calor por radiação otimizada e uma cinética de reação rápida, que são cruciais para maximizar a eficiência de conversão de energia solar para combustível," disse o professor Aldo Steinfeld, do instituto ETH, na Suíça.

O gás de síntese produzido pelo reator solar - uma mistura de hidrogênio e monóxido de carbono - é depois convertido em querosene de aviação usando o processo Fischer-Tropsch tradicional.

Embora o ciclo redox acionado por energia termossolar para a produção de gás de síntese ainda esteja nos estágios iniciais de desenvolvimento, o processamento de gás de síntese para obtenção do querosene já está sendo implantado por empresas em escala global.

Além disso, o querosene obtido pelo processo Fischer-Tropsch já está aprovado para uso pela aviação comercial. Na próxima fase do projeto, a equipe pretende otimizar o reator solar e avaliar o potencial técnico-econômico de implementação da tecnologia em escala industrial.