COBERTURA ESPECIAL - Panorama Haiti - Geopolítica

28 de Novembro, 2014 - 10:35 ( Brasília )

Missão no Haiti será reduzida aos poucos, diz indicado à embaixada

Nome de Fernando Vidal foi aprovado em comissão, assim como o dos escolhidos para Nepal e Jamaica. Plenário decide em breve

A Missão das Nações Unidas para a Estabilização no Haiti (Minustah), liderada pelo Brasil, será gradualmente reduzida até que as autoridades do próprio país tenham condições de manter a ordem e a segurança.

A informação é de Fernando de Mello Vidal, cuja indicação para ser embaixador naquele país foi aprovada ontem pela Comissão de Relações Exteriores (CRE). Na mesma reunião, foram aprovadas indicações para as embaixadas do Nepal e da Jamaica.

— A tendência é de prorrogação da missão, com redução de efetivos, até 2016, quando se espera que a polícia nacional do Haiti possa caminhar com as próprias pernas — disse Vidal.

O diplomata afirmou que o Brasil tem compromisso com o Haiti “com ou sem força de paz”. Ele recordou que 80% dos haitianos enfrentam problemas de desemprego, falta de energia e pobreza. Por isso, observou, o governo brasileiro tem se empenhado em promover programas de cooperação técnica, especialmente nas áreas de saúde e segurança alimentar.

O Haiti, segundo Vidal, conta com 2 milhões de emigrantes — em países como Estados Unidos, Canadá, França, República Dominicana e Brasil —, que enviam US$ 2 bilhões por ano à terra natal. Desde a grande onda de emigração para o Brasil em 2013, esclareceu, o governo tem procurado desestimular a entrada irregular de haitianos. Atualmente, são concedidos cerca de 600 vistos por mês.

Anibal Diniz (PT-AC) recordou que a entrada de haitianos causou “grande desconforto” no Acre, que não estava preparado para recebê-los. Sérgio Petecão (PSD-AC) demonstrou preocupação com a possibilidade de aumento do fluxo de imigrantes para o Acre.

Cristovam Buarque (PDT-DF) questionou se o Haiti poderia vir a ser incluído na lista de “países inviáveis”, enquanto Eduardo Suplicy (PT-SP), que presidiu a reunião, considerou “insuficiente” a ajuda internacional.

Nepal e Jamaica

Indicada para representar o Brasil no Nepal, Maria Teresa Mesquita Pessôa anunciou que uma das prioridades é a questão de energia. O país, informou, tem potencial hidrelétrico de 42 mil megawatts, o que já atraiu o interesse de empresas brasileiras. O consórcio Braspower obteve a concessão para construir uma usina no Rio Arun.

O governo do Nepal fixou acordo com a vizinha Índia para exportar energia. As autoridades nepalesas veem o Brasil como parceiro no setor elétrico, disse a diplomata.

Aprovado para a Embaixada da Jamaica, Carlos Alberto Michaelsen den Hartog afirmou que a intenção será atrair empresas brasileiras para a construção, no país, de um grande “hub logístico” — centro de operações para distribuir cargas, atividades ou pessoas —, que atenda os mercados do Caribe e sul dos Estados Unidos. As indicações seguem agora para o Plenário.