COBERTURA ESPECIAL - OTAN - Geopolítica

06 de Maio, 2016 - 10:30 ( Brasília )

General do exército dos EUA assume comando da OTAN


A Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN) tem um novo comandante supremo. O general do exército Curtis M. Scaparrotti irá assumir esta semana o comando da organização militar em Stuttgart, na Alemanha, após uma cerimônia no quartel-general, na Bélgica.

Scaparrotti, de 60 anos, será o 18º norte-americano a assumir o comando da aliança de 28 nações. Ele substitui o general da força aérea dos EUA, Philip M. Breedlove.

"Hoje, nosso modo de vida está ameaçado por numerosas ameaças e desafios estratégicos", disse Scapparrotti ao assumir o comando. Ele já chefiou as forças norte-americanas na Coreia.

Entre as principais tarefas da Otan atualmente, estão o extremismo islâmico armado, a crise de imigrantes no Mediterrâneo e a ressurgência das demonstrações militares da Rússia.

Defesa de aliados em caso de agressões da Rússia¹

O secretário de Estado de Defesa americano, Ashton Carter, declarou nesta terça-feira em Stuttgart (sudoeste da Alemanha) que a Otan mantém "a porta aberta à Rússia", mas que não hesitará em "defender seus aliados" em caso de agressões russas.

A Aliança Atlântica "mantém a porta aberta à Rússia" para cooperar nos desafios de segurança que o mundo enfrenta, indicou Carter em uma cerimônia de transferência de comando das forças da Otan na Europa.

"Mas cabe ao Kremlin decidir. Não queremos uma guerra fria e menos ainda uma (guerra) quente. Não queremos converter a Rússia em inimiga", insistiu Carter, na cerimônia de entrega de comando da Aliança na Europa ao general Curtis Scaparrotti, que substitui o general Philip Breedlove.

"Mas que ninguém se engane: vamos defender nossos aliados, a ordem internacional baseada em normas e o futuro positivo que nos reserva", insistiu.

As relações entre a Rússia e os países ocidentais ficaram tensas recentemente pela crise na Ucrânia, por vários incidentes no mar Báltico e pela guerra na Síria.

Israel anuncia que terá representação oficial na OTAN²

Pela primeira vez a Otan terá em sua sede de Bruxelas um escritório permanente de representação de Israel, informou a chancelaria israelense, no que foi qualificado pelos meios de comunicação locais como um avanço significativo em suas relações.

"A Otan informou Israel esta noite que o país poderá abrir um escritório na sede da Organização em Bruxelas e completar o processo de credenciamento de seus representantes na organização", segundo o comunicado divulgado no fim da terça-feira pelo Ministério de Relações Exteriores israelense.

O anúncio pôde ser feito "após prolongados esforços diplomáticos israelenses exercidos pelos ministérios de Relações Exteriores e de Defesa, e o Escritório do primeiro-ministro. Israel deseja agradecer a seus aliados na Organização pelo apoio e esforços na questão", segundo a nota.

O Estado judeu não é integrado na Organização do Tratado do Atlântico Norte, mas desfrutou de cooperação no terreno militar em diferentes campos e atualmente faz parte do Diálogo Mediterrâneo, um programa patrocinado pela Otan em cooperação com sete nações.

O primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, que acumula a pasta de Relações Exteriores, deu as boas-vindas à decisão.

"Celebro o anúncio da Otan. este é um passo importante para a assistência na segurança de Israel. Reflete o status de Israel e o apoio de muitos na Organização de cooperar conosco no campo da segurança".

Alguns membros da Otan se opuseram no passado a aumentar a cooperação com Israel com o argumento de que esta medida poderia prejudicar as relações da Aliança com estados muçulmanos, inclusive o Afeganistão, uma das principais prioridades operacionais da Organização.

Na atualidade a Otan conta com 40 nações associadas ou com algum tipo de vínculo institucional, entre elas Austrália, Índia, Japão, Paquistão e Rússia. Esta associação inclui algumas nações europeias não integrantes, assim como países mediterrâneos e do Golfo Pérsico.

O tratado da Aliança, do que fazem parte formalmente 28 nações, estipula que para que a Otan defenda militarmente seus membros eles devem ser integrantes de pleno direito e não parceiros.

Contudo, os associados contribuem regularmente às operações realizadas pela Otan, como no Afeganistão e missões navais na Somália e no Mediterrâneo.

Com ¹AFP e ²EFE