19 de Abril, 2012 - 08:35 ( Brasília )

Toneladas de Diplomacia - Porta-aviões para a Marinha Russa

As Marinhas dos países mais influentes possuem quase todas porta-aviões. Na Rússia, a possibilidade de construção de um novo porta-aviões tem sido discutida desde há muito tempo.

Porém, a Rússia carece de vários elementos-chave para construir um novo navio deste tipo.

Os porta-aviões contemporâneos podem ter várias classificações. Uma delas é o modo de decolar e de pousar dos aviões. Quanto a este parâmetro, existem dois tipos:

CATOBAR – Catapult Take-Off But Arrested Recovery – Decolagem com catapulta e pouso com cabo de travagem. Os navios deste tipo são capazes de fazer decolar aviões pesados de mais de 40 toneladas, inclusive aviões de carga e “radares aéreos”;

STOBAR – Short Take-off But Arrested Recovery – Decolagem curta e aterragem também com cabo de travagem no deque angular. O porta-aviões russo Admiral Kuznetsov é deste tipo.

O sistema STOBAR tem a vantagem de facilidade e menor preço. Porém, a desvantagem principal do STOBAR é o limite do peso de decolagem e as exigências rígidas em relação ao peso. Isto é a causa que impede os caças Su-33 de decolarem com a massa total de decolagem. Além disso, a plataforma não permite a aviões de carga ou radares aéreos decolarem.

STOVL – Short Take-off and Vertical Landing (Decolagem curta e pouso vertical) é mais um tipo nessa classificação, mas os navios desse tipo têm sérios impedimentos – e para além disso, supõem caças de decolagem e pouso vertical, que a Rússia ainda não tem.

Deste modo, a Rússia está elegendo se o seu porta-aviões a construir será do tipo STOBAR ou CATOBAR.

Primeiro, falemos da catapulta. Os projetos soviéticos nesta área não chegaram além de escassos exemplos de teste e aparelhos preliminares. Agora, é pouco provável que a catapulta de vapor teria futuro: por exemplo, as marinhas dos EUA e da Grã Bretanha já adotam a catapulta eletromagnética (EMALS).

A projeção e testes de um aparelho desses levariam, segundo as estimativas dos peritos, não menos de 6 anos.

Um outro ponto-chave é a “plataforma aérea universal”, isto é, um avião que, sendo avião de transporte ou radar, garantirá também o funcionamento do porta-aviões e a capacidade de combate da unidade. O exército russo não tem aviões deste tipo, por isso será preciso elaborá-lo do zero, o que também levará cerca de 7 anos.

Afinal, o porta-aviões precisa de um novo avião de combate. O Su-33 já não é produzido, o MiG-29K é um avião modernizado mas em breve será obsoleto. O deslocamento do novo porta-aviões russo deverá ser de 65-70 mil toneladas e, nestas condições, a opção mais razoável é a elaboração de uma versão convés do caça T-50.

Hoje em dia, tendo em vista o crescimento do preço e a dificuldade, as obras de projeto da versão convés do T-50 pode levar até 10 anos, ou seja, só estará pronto em 2025-2026.

Aqui estão descritos somente os elementos-chave, necessários para a construção de um novo porta-aviões russo. A elaboração desses sistemas e aparelhos custará vários bilhões de dólares.

Claro que é o governo do país que decide se estes gastos são justificados. O governo já destinou à Marinha de Guerra cerca de 5 triliões de rublos. Não obstante a falta de uma defesa aérea completa, inclusive fora da costa, este seria um “brinquedo” bastante caro.