22 de Maio, 2013 - 12:06 ( Brasília )

Pretensões oceânicas da Marinha russa


Na semana passada, o presidente da Rússia, Vladimir Putin, discutiu perspectivas do desenvolvimento da Força Naval do país com a direção do departamento militar. Algumas declarações abaixo referidas permitem definir a visão geral da situação pela direção da Rússia.

Porta-aviões é indispensável

Continua o desenvolvimento de um novo porta-aviões atômico para a Marinha da Rússia. Estes serviços são efetuados por vários gabinetes de projeção e entidades do Complexo Defensivo Industrial em São Petersburgo. “Os relatórios sobre os resultados dos trabalhos de desenvolvimento do futuro porta-aviões são enviados regularmente ao Ministério da Defesa da Federação Russa e ao comando principal da Marinha da Rússia”, disse passados alguns dias após a reunião com o presidente o comandante-chefe da Força Naval, almirante Viktor Chirkov:

“Não precisamos de um porta-aviões de ontem ou de hoje, mas sim de um navio realmente prometedor, capaz de cumprir missões em cooperação com unidades de naves de superfície, submarinos e o agrupamento orbital de aparelhos espaciais. O porta-aviões deve dispor das mais amplas possibilidades de efetuar ações militares em situações de qualquer grau de complexidade e em qualquer teatro marítimo e oceânico de ações militares”.

A “epopeia de porta-aviões” da Marinha da Rússia continua há quase dez anos – a necessidade de desenvolver um novo porta-aviões começou a ser discutida ainda na primeira metade dos anos 2000. Hoje, há vários fatores que permitem falar sobre o início da construção destes navios como sobre uma perspectiva real dos próximos dez anos. Trata-se em primeiro lugar de uma clara compreensão de que a Marinha precisa de seu próprio apoio aéreo. Esta ideia tornou-se ainda mais forte, levando em consideração a experiência de conflitos armados dos anos 1990-2000 com a participação das forças navais de diferentes países. A aviação, inclusive naval, desempenhou um dos principais papéis naqueles conflitos. A Marinha da Rússia necessita de apoio aéreo no quadro dos mais diversos cenários – de um possível conflito com a OTAN a operações expedicionárias independentes ou conjuntas em regiões distantes.

O ministério da Defesa começou a realizar os planos de construção de aviões de coberta. A construção e exploração de dois (possivelmente, de quatro) navios de assalto anfíbio da classe Mistral, o primeiro dos quais entrará em dotação já nos próximos 1,5 anos, dará a marinheiros russos a necessária experiência de operar um porta-helicópteros contemporâneo, em combinação com a experiência da exploração do porta-aviões Admiral Kuznetsov.

A elaboração de um novo projeto de porta-aviões em conjunto com o desenvolvimento de novos aviões navais, do que se falou também pela direção da Marinha, permitirá à Rússia obter o novo navio no momento em que a Força Naval já terá a suficiente experiência de explorar tais navios e uma reserva de quadros para formar tripulações.

As perspectivas mais próximas

Mas o novo porta-aviões é uma perspectiva bastante afastada. Mesmo se a construção do navio começar em 2015, é pouco provável que o porta-aviões entre em dotação antes de 2022-2023. Neste período, a Marinha deverá resolver várias tarefas urgentes. Deverá ser criada uma nova infraestrutura: os respectivos serviços estão a ser efetuados em todas as bases navais russas em diferentes vetores – da renovação de rebocadores e de outras embarcações auxiliares à construção de novos atracadouros, armazéns e centros de preparação.

Trata-se também de substituição de naves de superfície e de submarinos de construção soviética por unidades combativas de nova geração. Nos próximos dez anos, uma grande parte de navios e de submarinos será retirada da composição da Marinha por ter expirado seu prazo do serviço e por isso a construção de novas unidades ganha hoje especial importância. Atualmente, os ritmos de construção estão crescendo gradualmente e podemos esperar que, em resultado da reparação geral e da modernização planificada de navios e de submarinos mais “novos” de construção soviética, a Marinha possa escapar a uma queda drástica da quantidade, que a privaria de possibilidades de cumprir missões combativas.

Até o fim da década em curso, a Força Naval deverá receber na totalidade aproximadamente 30 unidades combativas da classe corveta/fragata, não menos de 15 pequenos navios de artilharia/foguetes e mais de 20 submarinos versáteis – atômicos e de diesel. Nos próximos um-dois anos, deverá começar também a construção de um destroier de nova geração. Serão reforçadas ainda a aviação costeira e a defesa costeira naval. Esta renovação criará uma base, na qual será possível desenvolver uma frota oceânica equilibrada e estável, que incluirá porta-aviões.